quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Estudo recomenda que bebês durmam com as mães.





Mães que quiserem dormir com bebês devem pedir ajuda a profissionais qualificados para evitar acidentes. 
Muitos médicos não recomendam que as mães durmam com bebês recém-nascidos, especialmente pelo risco de sufocamento. Mas, de acordo com estudo sul-africano publicado na revista Biological Psychiatry, os bebês que não dormem em contato com a mãe ficam mais estressados e, com isso, o sono também é prejudicado.

Os pesquisadores avaliaram o sono de 16 recém-nascidos com apenas dois dias de vida por uma hora. Parte deles dormiu próxima ao peito da mãe, e outra, no mesmo quarto, mas em um moisés. Os cientistas mediram a variabilidade da frequência cardíaca, que é um método mais eficaz para medir os níveis de estresse.

Segundo Nils Bergman, coautor do estudo, o desejável é que o bebê tenha um sono cíclico e a maioria dos bebês que foram separados da mãe não conseguiram ter esse tipo de sono, pois ficaram estressados durante o período.

Entretanto, a prática precisa ser feita com cautela: só nos Estados Unidos, o sufocamento foi a terceira maior causa de mortes infantis.

De acordo com a Academia Americana de Pediatria (APP), o problema não é ter o contato com a mãe, que é de fato bom para o sono da criança, mas sim as consequências do ato.
A indicação é que as mães que quiserem fazer isso devem pedir ajuda para aprender como monitorar o bebê durante a noite, para que a passagem de ar da criança não fique obstruída.

Ioga reduz sintomas de depressão na gravidez e melhora o humor.

Mulheres grávidas que praticam séries de ioga por pelo menos dez semanas apresentam melhora do humor, afirmam se sentir mais conectadas com seus bebês no útero e reduzem os sintomas e o risco de depressão antes e após o parto, segundo pesquisa da Universidade de Michigan divulgada nesta semana (artigo completo aqui).
Quando se pensa que 1 em casa 5 mulheres grávidas apresentam algum sintoma de depressão, um resultado como esse pode ajudar médicos e gestantes a adotarem as aulas de ioga como medida preventiva, que não envolve medicações (de uso mais restrito durante uma gestação) e praticamente não tem efeitos colaterais.
É claro que qualquer atividade física precisa ser antes discutida com o médico que acompanha a mulher e até mesmo as posturas feitas precisam ser avaliadas previamente. Cada gestação é uma gestação e muitas mulheres têm diversos tipos de restrições e precisam de um acompanhamento especial – por isso, novamente, é importante conversar com médico e também procurar instrutores de ioga que sejam especializados em aulas para gestantes antes de começar qualquer prática.
A pesquisa, publicada no periódico científico Complementary Therapies in Clinical Practice, foram avaliadas mulheres que afirmaram se sentir muito irritadas, ansiosas e estressadas durante a gestação, resultado de mudanças hormonais e demandas familiares e profissionais.
"Sempre vimos mulheres grávidas procurando aulas de ioga para tentarem reduzir o estresse, mas não havia nenhuma informação sobre a eficácia do método", afirma a principal autora do estudo, a psiquiatra Maria Muzik, do Centro para Crescimento e Desenvolvimento Humano da universidade.  "Com nossos resultados, percebemos que a ioga pode ser uma alternativa para tratamentos farmacêuticos para mulheres grávidas que começam a apresentar sinais de depressão", completa ela.
A série abaixo, para ilustrar do que estamos falando, foi feita pela Richardson Bikram Yoga.
Publicado em http://blogs.estadao.com.br/simone-iwasso/ioga-reduz-sintomas-de-depressao-na-gravidez-e-melhora-o-humor/

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Como ter uma gravidez saudável e engordar pouco.

O segredo é não ficar passando fome e ter sempre à mão alimentos saudáveis.
  • não pule refeições. além do café, almoço e janta, faça pequenos lanches entre esses horários. você acaba por comer menos e dribla desconfortos comuns da gravidez, como enjôos (pelo estômago vazio) e azia (pelo excesso de comida).
  • na hora do almoço e janta, vá primeiro de salada. você mata aquela primeira fome absurda com algo leve, rico em nutrientes e fibras e com baixa caloria. depois pode ir pro prato principal.
  • mastigue bem os alimentos e coma com calma. além de facilitar a sua digestão, te faz ficar satisfeita mais rápido.
  • modere no tamanho das porções. as comidas de hoje estão superdimensionadas. maneire na quantidade de carboidratos e opte por filés de carne e frango com no máximo 120 g depois de preparados.
  • tenha sempre à mão lanchinhos saudáveis. tirinhas de cenoura ou pepino, pequenas porções de frutas secas ou mesmo frescas. outras opções são morangos, uvas ou um iogurte desnatado. uma maçã na hora do desespero por doces costuma aplacar a fúria incontrolável.
  • bateu aquela vontade de comer chocolate? ok! não precisa se torturar por causa disso. mas, ao invés de se acabar comendo uma barra inteira de chocolate ao leite, que tal experimentar o amargo? por não conter tanto açúcar, você acaba se saciando com muito menos. às vezes 2 ou 3 quadradinhos já são suficientes.
  • reduza ao máximo o consumo de cafeína, açúcares refinados, sal e gorduras saturadas.
  • cuidado com o suco industrializado! não estou falando para aboli-lo completamente da sua vida. de fato, melhor um suco de caixa/lata num restaurante que não tem muita opção a um refrigerante. mas dê preferência à fruta fresca ou aos sucos naturais sempre que possível. melhor ainda se forem sem açúcar, ou com pouco açúcar mascavo. os sucos industrializados contém muito açúcar e caloria.
  • beba muita, muita água! ela ajuda a te manter hidratada e reduz o inchaço. prefira beber água entre as refeições, não durante.
  • pratique exercícios regularmente. desde uma caminhada com um tênis adequado a um esporte específico para gestantes, como yoga ou hidroginástica. converse com o seu médico para ver quais tipos de atividades são apropriadas para você. além de queimar calorias, os exercícios ajudam na respiração, melhoram a circulação sanguínea e preparam seu corpo para o parto e também para a correria da vida com um bebê (acredite, nessas horas você se agradecerá por estar em forma).
Por que engordamos tanto se um bebê costuma nascer pesando entre 3 kg e 4 kg:



lembre-se: alimentar-se de forma saudável não significa comer comidas ruins ou passar fome o tempo inteiro.
você pode reduzir o consumo de sal, mas caprichar nos temperos naturais como cebola, coentro, alecrim, alho e por aí vai.
ao reduzir também o consumo de açúcar refinado, seu paladar acaba por acostumar-se (e achar tudo adoçado, doce demais). esqueça o leite condensado nas frutas e aproveite para apreciar o seu sabor verdadeiro.
não vou mentir e dizer que será uma delícia cair de cabeça nesses novos hábitos alimentares. vá com calma e deixe-se viver essa nova experiência. não é fácil, mas descobrirá que a motivação é a melhor de todas.
com o tempo você verá que estará adaptada. o nosso paladar é uma coisa incrível e acostuma-se rapidamente a novos sabores. é capaz de, como eu, você nunca mais conseguir entregar-se completamente às porcarias.
além do mais, essa é a menor das mudanças que você precisará passar. e com uma motivação maravilhosa dessas, que é manter-se saudável pelo seu bebê, verá que é muito mais fácil.

Imagem:  revista saúde
Fonte do texto: potencial gestante

Novos médicos não sabem lidar com parto normal.



Entre os 3 mil médicos entrevistados na pesquisa conduzida pelo CFM, Febrasgo e ANS há algo em comum: os formados recentemente, em sua maioria, não acham um problema a quantidade de cesarianas feitas no Brasil, apesar de o índice estar bem acima do aceitável. A médica Lucila Nagata, da Febrasgo, chama a atenção para um ponto pouco discutido: as universidades de hoje formam excelentes cirurgiões, mas não ensinam aos obstetras como acompanhar um parto normal. “Os colegas têm hoje maior ênfase no saber operar e, muitos, quando se deparam com um parto normal, não sabem como proceder”, explica.

Para Lucila, outro problema é a quantidade de processos judiciais (normalmente éticos) que surgem contra os médicos que tentam fazer parto normal e acabam indicando a cesariana em um tempo não hábil para salvar a mãe ou o bebê ou para evitar algum problema no parto. “Muitos preferem a cesariana para não correr este risco.”


A remuneração dos médicos no Brasil, pelos planos de saúde, também é diferente quando o parto é normal ou cesariana. Antiga­­mente se pagava mais pela cesariana, hoje grande parte dos planos de saúde paga o mesmo valor e alguns já inverteram a lógica: pagam mais pelos partos normais como incentivo. Recen­­temente a Gazeta do Povo publicou que os médicos que fazem cesarianas chegam a cobrar um valor extra (por fora) da parturiente para ela ter a garantia da presença dele na hora do parto cesáreo (alguns planos de saúde aceitaram esta atitude). 
Há ainda outra questão: por mais que os médicos recebam mais pelo parto normal, este costuma demorar muito mais que a cesariana, ou seja, o valor/hora do parto normal não compensa. “Uma das sugestões é que os planos de saúde montem equipes qualificadas para o acompanhamento do trabalho de parto (assim como existem as equipes de plantão nos hospitais públicos). Assim, esta equipe atenderia a mulher e, o obstetra, só seria acionado quando estivesse muito próximo de o bebê nascer. Poderia ser uma alternativa. Estamos buscando soluções”, diz o coordenador da Comissão de Parto Normal do Conselho Federal de Medicina, José Fernando Maia Vinagre.

A médica Daphne Rattner, professora da Universidade de Brasília, sugere algo a mais: que o parto seja feito por enfermeiras obstetrizes e o médico só seja chamado caso necessário. “Em muitos países onde as taxas de cesarianas são baixas, este é o modelo que funciona”, cita Daphne. 


Publicado em gazetadopovo.com.br

Cigarro na gravidez: risco de aborto aumenta em 70%


Fumar durante a gestação traz sérios riscos para o bebê e para a mãe. Apesar disso, muitas não abandonam o vício nesse período

Está na embalagem do cigarro: fumar faz mal à saúde. Se esse hábito traz danos para qualquer um, imagine para as grávidas. Estudos já comprovaram que essas mães possuem 40% mais chances de gerar filhos prematuros, aumentam em 70% a probabilidade de abortar e correm mais risco de ter descolamento de placenta antes do tempo certo - o que causa a morte de 50% dos bebês. Para os pequenos, os prejuízos são devastadores. Eles podem nascer com baixos peso e tamanho. "Chegam a pesar de 50 a 400 gramas a menos do que o normal", revela Valéria Cunha, técnica da Divisão de Controle de Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer, no Rio de Janeiro. Sem falar que essas crianças estão mais sujeitas a desenvolver problemas respiratórios e até cardíacos. Pesquisas mostram que elas têm déficit de atenção e demoram alguns anos para atingir a curva normal de crescimento.

A comunidade científica não pára de investigar os impactos do cigarro na saúde. E os resultados colocam o tabaco cada vez mais no papel de vilão da história. Um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, achou no líquido amniótico de 52,4% das mães fumantes uma substância que causa câncer e de nome complicadíssimo: a 4 metilnitrosamina-1-3 peridil 1-butanol. O componente foi detectado no fluido de apenas 6,7% das grávidas que não fumavam. Esse líquido enche a placenta, banhando o feto. Ou seja, não só as mães, mas também os bebês ficam expostos a fatores carcinógenos.

Outros estudos apontam mais problemas no consumo de tabaco na gravidez. A Universidade do Sul da Califórnia, por exemplo, constatou, em um trabalho feito com 3 357 crianças em idade escolar, que os filhos de mães fumantes têm capacidade pulmonar duas vezes menor que a da prole de gestantes que não fumavam.

Uma das piores conseqüências é que o bebê pode nascer com dependência química da nicotina. E não adianta apagar o cigarro apenas durante a gestação e voltar a fumar após o parto. "A criança absorve a nicotina via leite materno. A substância é apontada pela Organização Mundial da Saúde como uma das causas da síndrome da morte súbita infantil", alerta Valéria Cunha. Nesse caso, o pequeno morre de forma abrupta e repentina. Por tudo isso, os especialistas são categóricos: as mulheres devem abandonar totalmente o vício na gestação e enquanto amamentam seus filhos. Trata-se, sem dúvida, de uma ótima causa.

Publicado em bebe.com.br

O que é criação com apego?

Saiba mais sobre o movimento, conhecido em inglês como attachment parenting, que defende práticas não convencionais de cuidado com os filhos


 

O desmame de uma criança pode ser feito por volta dos seis meses de idade. Desde cedo o bebê deve aprender a dormir sozinho em seu próprio quarto. Evite pegar seu filho no colo sempre que ele começar a chorar para não mimá-lo muito. Certamente você já ouviu algum desses conselhos. Mas nem todas as mães concordam com essas orientações e tampouco pensam em colocá-las em prática.“Quando tive meu primeiro filho procurei métodos que me ajudassem a criá-lo. Eu o deixava chorando para que ele aprendesse a dormir sozinho e vi que aquilo tinha um custo muito alto. Sofria terrivelmente com aquela situação”, conta a espanhola Elena de Regoyos, 31, que vive no Brasil há pouco mais de três anos. Mãe de três crianças, Elena desmamou o primeiro, Adriano, aos seis meses. Sofreu muito e decidiu que com o próximo seria diferente.

“Pesquisei e encontrei autores que falavam de um tipo de criação que fazia sentido para mim. Resolvi ouvir com mais sensibilidade as necessidades do meu bebê e entendi que a criança não é um ser manipulador. Ela apenas precisa de alguém”, diz. Elena teve outros dois filhos e hoje coloca em prática o que define, em suas próprias palavras, como “educação respeitosa”.

“Criação com apego não é método”
O que Elena chama de educação respeitosa vem se tornando conhecida no Brasil como “criação com apego”, uma tradução do que seria o “attachment parenting”, um movimento que ganhou nome e força com o pediatra americano William Sears duas décadas atrás.  Sears defende alguns princípios, como amamentar sempre que o bebê pedir, sem necessidade de intervalos de tempo pré-definidos, deixá-lo dormir na cama dos pais, carregá-lo bem próximo ao corpo com o auxílio do sling e não ter uma idade limite para o desmame.

Antes de Sears, o psicólogo, psiquiatra e psicanalista John Bowlby propôs a teoria do apego, em meados de 1950, para explicar a formação do vínculo entre o bebê e seu cuidador, na maioria das vezes a mãe. Esse vínculo geraria consequências para o resto da vida. Dentro desta teoria seria fundamental que os pais estivessem emocionalmente disponíveis para criar o filho com um olhar mais sensível às suas necessidades.
“A criação com apego não é um método. Ela não é um manual, não possui regras nem é uma técnica que ensina como criar os filhos. É um conceito amplo que envolve, sobretudo, a criação de pessoas seguras, autoconfiantes e empáticas, baseado no respeito aos comportamentos inatos de uma criança”, afirma Ligia Moreiras Sena, neurocientista doutora em neurofarmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).



Ciência
Os adeptos da criação com apego recorrem à ciência para apoiar suas escolhas. Estudos internacionais mostram que o cuidado materno afetuoso na infância leva ao aumento de uma estrutura cerebral chamada hipocampo, envolvida no processamento da memória e do comportamento emocional.

“Muitos estudos mostram que somos os arquitetos dos cérebros de nossos filhos. Construímos uma estrutura de paz e calma através da maneira que respondemos aos choros e às necessidades das crianças”, afirma Lu Hanessian, jornalista, educadora parental e autora do livro “Let the Baby Drive”.
O psicólogo australiano Robin Grille, autor dos livros “Parenting For A Peaceful World” e “ Heartto Heart Parenting”, faz coro. “São mais de vinte anos de pesquisas que suportam os princípios do Dr. Sears. Temos um entendimento muito melhor hoje do que um bebê precisa e sabemos que devemos responder prontamente às suas necessidades porque eles não têm a habilidade de esperar.”

Amamentação e cama dos pais
Recentemente a revista americana TIME mostrou, em sua capa, uma mulher amamentando o filho de três anos. Responsável por opiniões conflitantes, a cena trouxe à tona o debate a respeito de uma idade limite para a amamentação. Segundo a criação com apego, ela não existe.
“Eu pensava que seria esquisito amamentar até um ano de idade, mas acabei chegando no terceiro ano naturalmente. Não era nada esquisito, era apenas nossa rotina”, conta Elena.
A obstetriz Tamara Hiller também encara com naturalidade a amamentação de crianças que já passaram dos dois anos de idade. “Minha filha tem quatro anos e meio e ainda mama de vez em quando, geralmente antes de dormir. É um momento especial para nós duas. Não sinto necessidade de desmamá-la. Vou deixar acontecer naturalmente. Esse fato pode ser chocante para outros, mas é muito natural para mim.”
Assim como ela, a bióloga Isabel Campos Salles Figueiredo, 30, foi muito além dos seis meses de amamentação. “Lara tem dois anos e meio e ainda mama. Descobri que não tinha que parar no sexto mês ao observar minha irmã. Ela me ensinou que o bebê pode sim mamar sob demanda e não devemos interromper esse processo até que a criança esteja pronta.”

Além da amamentação, Isabel também não vê problema em outro princípio da criação com apego: a criança dormir na mesma cama dos pais. “As pessoas pensam muito na vida sexual do casal e não é isso que importa. Tem muitas outras maneiras de namorar. Deixar seu filho dormir na sua cama não implica em abandono do sexo. A vida de um casal com criança muda, mesmo que ela não durma na mesma cama dos pais”, enfatiza.

Limites
“A criação com apego diz respeito a bebês. Com os mais velhos temos que aprender a impor limites, claro. O bebê é uma criatura para quem você precisa dizer ‘sim’ o tempo inteiro. Mas para crianças mais velhas é preciso dosar ‘sim’ com ‘não’”, responde Robin Grille à crítica social feita aos pais que respondem prontamente a todas as necessidades dos filhos.

“Existem diferentes formas de se ensinar uma criança a respeitar seus próprios limites e os dos outros. Geralmente os pais ensinam o ‘não’ pelo ‘não’. Isso não ensina limite. Ensina autoritarismo e medo. Não podemos menosprezar a capacidade das crianças. Os pais devem explicar as razões pelas quais a criança pode ou não fazer algo. Agindo assim, ensina-se não somente limites, mas a ouvir e ser ouvido, a respeitar e ser respeitado. Dessa maneira, é possível compreender porque essa forma de criação exclui veementemente a punição moral, física e psíquica”, defende Ligia.

Corte precoce do Cordão Umbilical: para que a pressa?

Escrito por Mayra Calvette – Enfermeira Obstetra e idealizadora do projeto Parto pelo Mundo

Texto publicado no Blog da Gisele

Cortar o cordão umbilical é uma prática comum nos hospitais ao redor do mundo. Como se alguma coisa fosse acontecer se o bebê não fosse separado imediatamente de sua mãe e de sua fonte de oxigênio, sangue e nutrientes. Ou é uma pressa do profissional de acabar logo e passar para o próximo?
É uma prática enraizada na nossa cultura por milênios, e é reconhecia por Michel Odent como sendo mais uma “desculpa” para a separação imediata entre mãe e bebê. Como no passado se acreditava que o colostro (o primeiro leite) era prejudicial para o bebê.
Muitos estudos científicos têm comprovado os benefícios do corte tardio do cordão umbilical. Mas se pararmos para observar o lado do bebê e até outros mamíferos, fica fácil de entender.

O cordão umbilical sai do umbigo do bebê e se liga na placenta. A placenta por sua vez, está ligada a parte interna do útero materno. Durante toda sua vida o bebê recebeu oxigênio, sangue e nutrientes filtrados pela placenta. Envolto pela bolsa d’água, ele estava protegido, aquecido e confortavelmente apertado.
O parto é uma transição muito importante tanto para a mãe quanto para o bebê. O bebê passa pelo canal vaginal, o que estimula a saída de líquido pelas vias aéreas e também é importante para imunidade do bebê. Quando ele sai seus pulmões se expandem e a temperatura muda, estimulando a respiração. Mas o cordão umbilical ainda está ligado no bebê como esteve durante 9 meses! E ainda continua pulsando, enviando oxigênio, sangue e nutrientes.

Dessa forma o bebê ainda recebe oxigênio do cordão umbilical e tem a chance de aprender a respirar sem um corte abrupto dessa fonte. O cordão pode pulsar por vários minutos, soube de um cordão que pulsou por 40 minutos ! Ele pára de pulsar naturalmente e passa de um cordão grosso e cheio de vida para fino e branco. Eu já vi bebês muito saudáveis só resmungarem, dar um chorinho, mas logo pararem… mas na minha prática com parto domiciliar só cortávamos o cordão depois de a placenta sair. Observe a foto do cordão umbilical ao longo de 15 minutos.

Umbilical cord

Se o corte é feito logo que o bebê sai, claro que ele vai dar aquele choro forte na hora, pois ele é obrigado a expandir os pulmões se não ele fica sem oxigênio! Além de também ficar sem o aporte sanguíneo que ele naturalmente deveria receber, que fica preso na placenta. Um desperdício! O bebê ganha cerca de 100 ml a mais de sangue pelo cordão umbilical até o 3o minuto de vida, o que é um volume considerável para um bebê. E esse aporte sanguíneo previne anemia no primeiro ano de vida. Há evidências suficientes para que aconteça a mudança na prática. Uma das recomendações da Organização Mundial de Saúde é o corte tardio do cordão umbilical.

Entre os outros mamíferos o corte do cordão umbilical é realizado depois da placenta ter nascido ou até mesmo horas após o parto. Pois se eles cortassem antes o filhotinho provavelmente teria uma hemorragia, pois eles não têm clamp para clampear o cordão umbilical e prevenir que saia sangue pelo coto umbilical. Então a natureza mostra que essa prática não é natural… não sei em que momento na história decidiram que cortar o cordão umbilical logo que o bebê nasce é benéfico. Mesmo o tétano neonatal poderia ser na sua grande maioria prevenido se o cordão umbilical fosse cortado algumas horas após o parto.
O cordão umbilical também tem o tamanho perfeito para o bebê ir direto para o colo da sua mãe, sem que seja cortado. E é ali que o bebê precisa estar. Do lado de fora de onde ele estava, na barriga da sua mãe.

Para a mãe também é um presente ter seu tão esperado bebê em seus braços, trocar cheiro e olhares.É um momento fundamental para o vínculo entre mãe e bebê. A amamentação geralmente inicia nessa hora. É também confortante, pois o bebê estava dentro da sua barriga, então não dá aquela sensação de “vazio”. Também estimula a liberação de ocitocina materna e faz um peso no útero, evitando hemorragia e estimulando a saída da placenta.

Então, para que a pressa? A pressa é inimiga da perfeição! É tão simples, não requer mais habilidades, equipamentos ou investimento. Mas requer uma coisa: Paciência do profissional. Apenas esperar alguns minutos traz tantos benefícios!
A natureza é muito Sábia.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Posturas facilitadoras do trabalho de parto.

Não existem posições ideais para estar durante o trabalho de parto. A postura ideal é aquela que a gestante se sentir mais confortável no momento!

Durante cada contracção a grávida deve ficar parada e respirar profundamente. Mas isso não quer dizer que tenha que estar parada durante todo o trabalho de parto... mudar frequentemente de posição entre contrações pode ajudar a relaxar e controlar o desconforto das contracções. Não ficar parada faz com que o trabalho de parto progrida mais rapidamente.

À medida que o trabalho de parto avança, tente varias posições, até encontrar uma que a ajude a sentir-se confortável.

Algumas ideias que a podem inspirar na procura da melhor posição facilitadora do trabalho de parto...


Balançar

Numa cadeira, numa bola de Pilates, sentada na cama...



Se estiver numa cadeira pode pedir ao seu acompanhante para sentar-se no chão à sua frente e empurrar os seus joelhos. Tendo as costas encostadas nas costas da cadeira, a pressão exercida nos seus joelhos pode ajudar a aliviar o desconforto mas costas.


Dançar

E porque não? Uma música relaxante e um momento mágico com o seu parceiro...

Incline-se e sustente-se no seu acompanhante, envolva os seus braços em torno do seu pescoço e dance...



É uma óptima posição para uma massagem nas costas.


Inclinar-se para a frente

Se sentir dores nas costas durante o trabalho de parto, inclinar-se para a frente pode ajudar a aliviar esse desconforto.



Use uma cadeira, sentando-se ao contrário. Esta é mais uma boa posição para uma massagem nas costas.

Também pode colocar-se no duche, inclinada para a frente e com a água na zona dorsal.




Pé mais elevado ("lunge")

Coloque um pé em cima de uma cadeira. Se a cadeira for muito alta, tente com um banco, ou apoie simplesmente um pé mais à frente que o outro e incline-se ligeiramente sobre o pé da frente.




Ajoelhar-se

Use uma bola de Pilates, uma cadeira, uma cama ou uma pilha de almofadas.







No hospital, levante a cabeça da cama e ajoelhe-se na parte mais baixa da cama enquanto descansa os braços e tronco na parte alta da cama .




Sentada com um pé elevado

As posições não simétricas podem também ajudar. Estando sentada, pode colocar um pé apoiado noutra cadeira. Inclinando-se ligeiramente para a frente poderá conseguir algum alívio na zona lombar.




Estar de cócoras

Estar agachada abre a pélvis, dando ao seu bebe mais espaço para descer no canal de parto.

Use uma cadeira ou uma cama para a sustentação.



Pode também agachar-se com as costas contra a parede ou entre os pés do seu acompanhante, que a sustenta sentado numa cadeira.


Reclinada

Pode pedir ao seu acompanhante para se sentar por trás de si.




De gatas

Poderá ajudar no desconforto nas costas, pois alivia o peso nas mesmas. Ajuda o bebe a girar e a posicionar-se melhor para o período expulsivo.




Deitar de lado

Preferencialmente sobre o lado esquerdo.
   
Publicado em familias-madeira.com

50 Intervenções desnecessárias durante a gravidez, parto e pós-parto.



(por Ingrid Lotfi com supervisão técnica de Melania Amorim e Maíra Libertad)

1) Exames pré-natais não incluídos na rotina preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (os exames recomendados são: grupo sanguíneo e fator Rh, sorologia para sífilis – VDRL, hemoglobina e hematócrito para rastreamento de anemia, exame de urina tipo I, sorologia para HIV e hepatite B – AgHBs, glicemia de jejum, teste para toxoplasmose-IgM, colpocitologia oncótica se necessário).
2) Exames de efetividade discutível sem prévia discussão com a gestante sobre riscos e benefícios (p.ex. pesquisa de EGB (Estreptococcus do Grupo B)).
3) Prescrição de complexo vitamínico, sem uma indicação clara.
4) Ultrassonografias sem indicação clínica.
5) Dopplerfluxometria em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
6) Ecodopplercardiografia (exame para avaliar o coração) fetal em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
7) Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
8) Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
9) Cesariana eletiva sem indicação clínica e/ou sob falsos pretextos (ver lista das “Indicações das desnecesáreas).
10) Exames de toque antes do trabalho de parto, sem indicação clara.
11) Descolamento de membranas antes de 41 semanas de gravidez.
12) Descolamento de membranas sem prévia discussão e autorização da gestante.
13) Restringir a escolha do local de parto.
14) Desencorajar ou proibir o acompanhante/doula no parto da escolha da mulher, ou permitir a entrada de pessoas não autorizadas.
15) Internação precoce.
16) Exames de toque/remoção de rebordo de colo abusivos durante o trabalho de parto e de rotina.
17) Exames de toque/remoção de rebordo SEM o prévio consentimento da gestante.
18) Toque Retal.
19) Jejum, tricotomia (raspagem dos pêlos) e enema (lavagem intestinal).
20) Qualquer restrição à deambulação/liberdade de movimentos.
21) Estabelecer limites rígidos para a duração da fase latente, ativa e do período expulsivo.
22) Atrapalhar o processo fisiológico do parto, desconcentrando a gestante.
23) Monitoração fetal contínua ao invés de intermitente (onde o profissional ausculta o bebê de tempos em tempos com o sonar).
24) Uso rotineiro de soro com ocitocina/indução com misoprostol.
25) Uso rotineiro de analgesia de parto.
26) Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado.
27) Amniotomia de rotina (rompimento da bolsa).
28) Puxos precoces (treinar fazer “a” força, antes que a mulher possa sentir os puxos).
29) Puxos dirigidos (“faça força agora”, “força comprida”, etc).
30) Manobra de Valsalva (orientar a “trincar os dentes e fazer força”).
31) Desestimular a escolha pela mulher da posição/ambiente em que quer parir.
32) Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero)/pressão de qualquer intensidade no fundo uterino/”só uma ajudinha”.
33) Manobra de “divulsão” perineal e/ou massagem perineal sem consentimento da mulher.
34) Episiotomia.
35) Não permitir o nascimento espontâneo.
36) Aplicar fórceps e vácuo de rotina e/ou sem autorização da mulher.
37) Sutura rotineira das lacerações.
38) Revisão instrumental do canal de parto de rotina (fórceps, vácuo extrator).
39) Cesariana intraparto sem indicação precisa e sem caráter de emergência.
40) Ligadura precoce do cordão, sem aguardar parar de pulsar.
41) Entregar um bebê vigoroso ao neonatologista para secar e aquecer, afastando-o da mãe.
42) Aspiração de rotina das vias aéreas do recém-nascido.
43) Passagem de sonda de rotina no recém-nascido, para pesquisar atresia de coanas, atresia de esôfago e ânus imperfurado.
44) Uso rotineiro de Credé (colírio de nitrato de prata).
45) Levar bebês saudáveis para o berçário.
46) Fazer qualquer procedimento com o RN sem consultar e obter autorização dos pais.
47) Não permitir o delivramento (saída da placenta) espontâneo.
48) Revisão manual da cavidade uterina de rotina, mesmo em casos de cesárea anterior.
49) Oferecer bicos, chupetas, mamadeiras, com leite artificial para o recém-nascido.
50) Aplicar vacinas sem o consentimento e autorização dos pais.

Publicado em Fisiologia do parto 

Contrações de treinamento - Braxton-Hicks.



O que são as tais contrações falsas, de treinamento ou de Braxton-Hicks?

Lá pela metade de sua gravidez, às vezes até antes, você pode notar que os músculos do seu útero deixam sua barriga dura, o que dura de 30 a 60 segundos. Nem todas as mulheres sentem essas contrações, que surgem aleatoriamente e costumam ser indolores.
Elas recebem o nome de contrações de treinamento, contrações “falsas” ou contrações de Braxton-Hicks, em homenagem ao médico inglês John Braxton Hicks, que as descreveu pela primeira vez em 1872.
Os especialistas acreditam que elas sejam uma espécie de treino do corpo para o trabalho de parto, e que colaborem para o processo de “apagamento” do colo do útero (que vai ficando mais fino) e para a dilatação.

Como vou saber a diferença entre as contrações de treinamento e as contrações de verdade?

A maioria das grávidas de primeira viagem faz essa pergunta, e a resposta mais adequada, a que recebem dos médicos e de quem já passou por isso, chega a dar raiva: “Você vai saber quando for trabalho de parto de verdade”. Mas eles estão certos. As contrações verdadeiras são bem mais longas, além de mais regulares, mais frequentes e mais doídas que as de treinamento.
A dor do parto também vai aumentando em frequência, duração e intensidade com o tempo, enquanto as “falsas contrações” são imprevisíveis, e não chegam a pegar ritmo. Ou seja: o ritmo é o mais importante, preste atenção nele.

E se as contrações de Braxton Hicks começarem a doer?

À medida que sua gravidez avança, esse tipo de contração pode ficar mais intensa, e é possível que doa. Quando elas começarem a ficar mais fortes e frequentes, você pode até achar que o trabalho de parto começou para valer, mas o tempo passa e elas continuam irregulares em termos de intensidade, frequência e duração — e podem até desaparecer completamente, levando você à loucura.
São os chamados alarmes falsos. Se você sentir que suas contrações estão diminuindo ou se espaçando, provavelmente elas não passaram de contrações de Braxton Hicks (ou falso trabalho de parto).
Uma sugestão é usar as contrações de treinamento para praticar técnicas de respiração que vão ajudá-la no parto vaginal.

O que eu devo fazer se elas ficarem doloridas?

Muitas mulheres acabam notando que as contrações vêm com mais frequência quando elas fazem alguma atividade física, mesmo que seja tirar as compras do carro. Outras percebem que a bexiga cheia demais deflagra contrações de treinamento.
Se você se sentir desconfortável, faça xixi, em primeiro lugar, e depois ou se deite ou dê uma caminhada, o que funcionar melhor para você. Um banho morno às vezes também é benéfico.
Tomar um copo d’água pode ajudar a reduzir a frequência das contrações de Braxton Hicks, pois especialistas acreditam que elas podem ser incentivadas pela desidratação. Em geral, a falta de líquido torna seu útero mais sensível e irritável — outro bom motivo para beber muito líquido durante a gravidez.

Quando devo ligar para o médico?

Telefone para o médico ou procure orientações se suas contrações forem acompanhadas de secreção vaginal parecida com água ou com sangue.
Se você não tiver completado 37 semanas, procure o médico se as contrações forem acompanhadas de dores na parte baixa das costas, se você sentir mais de três contrações em uma hora ou se elas estiverem acontecendo em intervalos regulares — são sinais de trabalho de parto prematuro.
Se você já está com mais de 37 semanas, só precisa ligar para o médico quando suas contrações durarem cerca de 60 segundos cada uma e acontecerem a um intervalo de cinco em cinco minutos — exceto se você tiver um histórico de parto rápido ou se morar muito longe do hospital. Nesses casos, é melhor procurar orientação se as contrações estiverem regulares, independentemente do intervalo.

Fonte: Baby center