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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Relato de Parto da Ana Carolina - Nascimento do Davi

Davi: desejado, planejado e intenso!

Finalmente arrisco a fazer meu relato de parto...
Confesso que já ensaiei algumas vezes... desisti, achei que estivesse “enferrujada” na arte de escrever, mas não... estava, apenas, vivendo, sentindo e respirando meu puerpério.

Pois bem.
Davi, esse era o nome escolhido muito antes de nos descobrimos “grávidos”.
E, por razões que não sei explicar, eu tinha certeza que seria mãe de um menino.
Eu sempre quis ter um parto normal e, sabendo que teria que ir contra o sistema, comecei procurando uma Doula e encontrei minha querida Mariana Castelo Branco.
Através dela e de seu grupo de apoio (Do Fundo do Ventre), conheci a Dra. Claudinha (Claudia Garcia Magalhães), a médica mais humana, gentil, carinhosa, alto astral, atenciosa e fofa do universo! Neste dia, eu disse a ela que ainda não estava grávida, mas que não abria mão de tê-la como médica, especialmente depois que vim a saber que ela não só torcia para o nosso Corinthians, como também fazia o famoso “batismo corinthiano” na hora do nascimento! rsrsrsrsrsrs

Então, no dia 07 de janeiro de 2015, com 13 dias de atraso, sem muitas expectativas, fiz exame de sangue e, BINGO, estava grávida!
E agora? Queria contar de um jeito especial para o Thiago, então peguei uma roupinha fofa de bebê que tinha comprado para dar de presente e na caixa colei o resultado do exame e entreguei para o “papai”, que jogou a caixa longe e nem viu o exame... mas, ao pegar aquele body minúsculo, incrédulo, olhou pra mim, perguntou se era verdade e me abraçou longamente!

Fiz o exame de sexagem fetal, pois estava saindo de viagem e queria aproveitar para fazer o enxoval lá fora. E lá mesmo recebi a confirmação de que esperava o Davi!!!

De volta ao Brasil, com 14 semanas, a primeira bomba: meu pai, uma pessoa de hábitos super saudáveis, teria que se submeter a uma cirurgia cardíaca de grande porte.Vencemos, como eu tinha certeza que venceríamos, afinal meu filho não podia nascer sem conviver com o melhor vovô do mundo!!!

Alguns meses mais tarde, já de 28 semanas, a segunda bomba: o atropelamento de uma pedestre na rodovia, sem consequências físicas, mas um susto sem tamanho.

E, por fim, na reta final, já com 38 semanas, uma cólica renal insuportavelmente dolorida, que me fez confundir com os pródromos.

Ah, não posso esquecer de contar que a Claudinha estava indo para congressos/simpósios nessas últimas semanas e que eu sempre conversava com o Davi, pedindo pra ele esperar a “tia Claudinha” voltar! E ele, de fato, obedeceu a mamãe e esperou!!! kkkkkkkkkk

E de fato ele esperou! Com 39 semanas e 5 dias, as contrações vieram pra valer. Por volta das 22h00 do dia 1º de setembro de 2015, comecei a ficar sem posição, sentia um forte incômodo na pelve, irradiando para a lombar.
Decidi ir deitar e, então, as contrações foram ritmando. Pedi para o Thiago ligar pra Mari e pra Claudinha... não sabia o que fazer/esperar. Fomos para o Hospital por volta das 0h30 e a Mari nos encontrou lá. Após ser examinada, com 4 cm de dilatação, decidimos voltar pra casa e esperar lá o TP ativo, onde alternei entre a cama e o chuveiro, devido ao pouco espaço no apto, vocalizando muito, pois isso me ajudava a aliviar a tensão, além de ter a Mari e o Thiago me amparando, massageando, encorajando, apoiando, cuidando e incentivando.




Nessa hora, tenho que dizer, bate uma tremenda insegurança, parece que perdemos a “coragem”, sei lá... perguntei pra Mari se a Claudinha me daria anestesia, caso eu pedisse... hahahaha

Até que, às 7h30 o Thiago disse que eu precisava levantar para irmos ao hospital e chegar junto com a Claudinha. Nesse exato momento, relaxei por completo, especialmente por ter a certeza de que tudo sairia como havíamos planejado...a bolsa rompeu! E foi um aguaceiro só! Hahahahahahahaha

Dei entrada na maternidade por volta das 8h30... a Claudinha me examinou e constatou 9 cm de dilatação (eu acho)... era chegada a hora de conhecer meu pequeno príncipe, já que ao longo de toda a gestação ele nunca quis mostrar seu rostinho no ultrassom.




Perto das 9h00 fomos para a sala de pré-parto, cuidadosamente preparada pela equipe da Claudinha. Bola, colchonete, chuveiro quentinho, banqueta, luzes apagadas, equipe reduzida, enfim... um sonho! Ali fiquei um tempo no chuveiro quentinho enquanto pude... até que pedi a banqueta, onde fiquei até o final.



Nessa hora, já entregue à partolândia, e sempre amparada pelo meu amor, pude ver a querida Alicinha Kiy(pediatra n.º 1 do Davi) e nossa amiga mais que especial, Bianca Cassettari emocionadíssima, vivendo tudo aquilo conosco e nos dando a força necessária para trazer o Davi ao mundo de um jeito todo especial.




E, em meio a tanto amor, sem comandos, apenas com a sugestão da Claudinha para que eu tentasse tocá-lo para sentir que ele estava chegando, sentindo o choro carregado de emoção de um pai espetacular, o meu mundo se tornou mais azul!

Assim, num parto natural humanizado, no dia 02 de setembro de 2015 às 10h02m, Davi chegou de mansinho, calmo, com um chorinho leve que cessou no imediato momento que veio para os meus braços entrelaçados pelos do Thiago.
Lindo, forte, saudável e com o nariz do papai (rsrsrs), com 49,5 cm e 3,280 kg, Davi foi colocado para mamar e esperamos o cordão para de pulsar para clampeá-lo.
Ficamos separados por pouquíssimos minutos, apenas para os procedimentos indispensáveis, porém não padronizados, sempre na presença do papai mais fresco do pedaço. Depois disso, ficamos nós três, inseparáveis, por todo o tempo que estivemos no hospital.
Ah, não posso esquecer de dizer que houve ainda o “nascimento” da placenta, de forma natural, sem qualquer manobra ou tracionamento. E, ao final, a melhor das notícias, períneo íntegro, sem nenhuma laceração importante, desnecessário qualquer ponto.













Quanto à dor... sim, dói, mas tenho comigo que muitas outras coisas doem infinitamente mais. Por exemplo, a cólica renal que me acometeu dias antes do nascimento... foi bem pior que a temida “dor do parto”, principalmente porque a esqueci imediatamente após ter o Davi em meus braços!!! E, sim, penso em sentir e viver essa dor mais uma vez, pelo menos!!!hahaha

Sem dúvida, posso dizer que foi a experiência mais intensa da minha vida, que me transformou e continua me transformando diariamente, há pouco mais de 5 meses.

Pra terminar, digo que todas nós, mulheres, nascemos para parir. Esta é a natureza.
Então, se este é o seu desejo, vá em frente, informe-se, contrate uma doula, corra atrás de um médico que realmente respeite a sua vontade, porque PARIR vale a pena sim.


Palavras nunca expressarão suficientemente minha gratidão, mas deixo aqui o meu “muito obrigada” a todos que participaram desse momento conosco, especialmente a Claudinha, a Mariana e a Alicinha, que nos assistiram de maneira espetacular!

Ana Carolina.












quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Relato de parto da Josy - Nascimento do Henrique.

 

 A chegada do nosso Henrique envolve a participação de muitas pessoas, começando com a concepção, pois devido a uma deficiência hormonal eu não ovulo naturalmente. Foram 4 tentativas (tratamentos) em sete anos para, finalmente, a gestação ocorrer.Durante esse processo conhecemos pessoas muito especiais, a quem somos gratos e com as quais dividimos essa alegria: Dra. Anaglória, Dra. Ana Gabriela, Dra. Anice, Dra. Lucia (FMB da UNESP de Botucatu) e os demais profissionaisda UNESP que nos acompanharam. Neste último tratamento, recebi injeções hormonais diárias durante 2 semanas, acompanhamento ultrassonográfico periódico, uma inseminação artificial e muitas, muitas vibrações positivas e orações de todas elas!

Juntamente a isso, eu vivia um momento especial de terapia,autoconhecimento e empoderamento com a iluminada Lizandra Hachuy e um processo de purificação com alimentação baseada na terapia ayurvédica com o querido Fernando Mansur. Dessa vez, eu sentia que daria certo! Quinze dias após a inseminação fiz a dosagem de beta-HCG e recebemos a grande notícia: gravidíssima!! Pode parecer bobagem, mas eu sempre quis sentir o gostinho de ver as duas barrinhas naqueles testes de farmácia... aí meu marido comprou 2 testes pra que eu vivesse essa alegria!
            Estávamos grávidos!Foi uma gravidez saudável, sem dificuldades, problemas, nem enjoos! Meu filho me acompanhou nas mais diversas atividades e viagens necessárias para que eu finalizasse meu doutorado. E meu amado esposo foi muito paciente, compreensivo e, principalmente, muito participativo desde o início.

            Sempre desejei o parto normal, mas não tinha conhecimento sobre as peculiaridades dos tipos de parto. Começamos uma peregrinação por informação e, quanto mais eu aprendia mais certeza eu tinha: eu merecia vivenciar um parto natural humanizado, sem intervenções, sem anestesia. Meu marido me apoiou após desfazer seus preconceitos e ampliar seu conhecimento no assunto; a maioria das pessoas arregalava os olhos e me achava louca, mas eu sabia o que queria e o porquê. Conhecemos nossa doula Mariana Castello Branco e começamos a participar dos encontros do grupo de apoio ao parto, pós parto e maternidade “Do fundo do ventre”, cujas reuniões só aumentavam a certeza de nossa decisão.

No oitavo mês de gestação as ultrassonografias mostravam que nosso filho estava pélvico (sentado) o que, segundo o meu até então obstetra, não permitiriao parto normal. Estudamos mais, assistimos a vídeos de partos pélvicos e percebemos que sim, era possível. No entanto, a cada visita ao médico, sua insegurança quanto a esse tipo de parto o fazia encontrar os mais diversos motivos para que eu aderisse à cesariana, mas essa não era a minha vontade. Com ajuda da Mariana conhecemos a Dra. Claudia Magalhães que, com seu sorriso e olhar sereno, nos conquistou à primeira vista (Gratidão Mariana!!!). Conversamos a respeito das possibilidades: tentar a versão externa para posicionar o bebê em apresentação cefálica ou o parto natural mesmo estando pélvico (somente ela aceitou nos assistir nesse tipo de parto). 
Diante disso, fiz sessões de acupuntura com a Lizandra, fiz os exercícios da Naoli e uns exercícios de yoga que auxiliam na virada do bebê. Também tentamos a versão com a Dra. Cláudia, mas nosso Henrique continuava pélvico.... ele já havia escolhido nascer assim! As consultas com meu obstetra iam minando minhas esperanças de vivenciar o parto natural. Comecei a me sentir psicologicamente abalada e insegura, além de pressionada por ele a agendar a cesariana antes de entrar em trabalho de parto! Não...não era essa a minha vontade!!!Algumas pessoas começaram a nos desestimular contando histórias de tragédias em nascimentos...Sabemos que não é por mal, mas o problema é que as pessoas projetam seus próprios medos em algo que não é delas. E então as nossas parceiras Lizandra e Mariana nos ajudaram a perceber que éramos nós que devíamos decidir, afinal EU era a protagonista do MEU parto! Não foi fácil, mas nos fortalecemos muito nessa luta. Foi então que nos responsabilizamos pelo parto do Henrique e decidimos abandonar, aos 9 meses de gestação, o primeiro obstetra (que ainda insistia em agendar a cesariana). Nos jogamos de corpo e alma no processo de escrever o plano de parto, tirar as dúvidas com nossa doula Mariana e conversar com Dra. Cláudia para que ela nos acompanhasse no parto. Infelizmente, em nosso país a maioria dos médicos indica a cesariana em nascimentos de bebês pélvicos por desconhecerem ou não possuírem experiência na assistência a esse tipo de parto. Nossa escolha havia nos levado a alguém com essa experiência. Gratidão Dra., por nos receber, acolher e auxiliar no parto.

O dia 24 de fevereiro amanheceu e eu era membro da banca de defesa de mestrado de uma amiga, mas não compareci pois não me sentia bem. Fiquei muito chateada, chorei muito porque seria membro da banca de defesa demestrado de uma amiga muito especial, mas segui minha intuição e fiquei em casa, repousando. Sentia umas pontadas embaixo da barriga, mas não me preocupei. À noite, fui à UNESP dizer para a Dra. Cláudia que nossa decisão sobre o parto natural estava tomada e firmar nosso pedido para que ela nos assistisse no parto. Eu e o Henrique (ainda na barriga) ouvimos tudo com muita atenção, especialmente quando ela disse: “AhJosy, seria tão bom se ele nascesse hoje, pois estou de plantão... no final de semana estarei fora, em um Congresso”. Voltei para casa, com minhas 39 semanas e 5 dias de gestação, entregando tudo ao Universo e à sua poderosa energia. Meu marido chegou da faculdade onde é professor,trazendo um pedaço de bolo de aniversário da minha cunhada Isabel, afinal grávidas não passam vontade (rs), e contei a ele o que havia conversado com a Dra. Ele sorriu, confiante de que daria tudo certo. Quando me levantei, após devorar o maravilhoso bolo prestígio, senti a bolsa rompendo e o líquido escorrendo por minhas pernas. Meu companheiro veio ver o que estava acontecendo e só consegui dizer “Começou amor... o Henrique está vindo!”.

Terminei de arrumar minhas coisas pra levar à maternidade, avisamos a Mariana e a Dra. Cláudia que o TP havia começado. Era uma mistura de sensações, eu estava feliz, empolgada e ansiosa. Sabíamos o que estava por vir, mas imaginei que a madrugada seria regada a contrações espaçadas e iríamos ao hospital somente pela manhã. Tentei deitar e descansar um pouco mas não consegui; à 1h da manhã as contrações já vinham a cada 10 minutos, mesmo assim optamos por não chamar a Mariana. Fui pro chuveiro tendo meu maridocomo observador, cronometrista e fotógrafo. Sim, curtimos o momento fazendo fotos entre e durante as contrações,que ficavam cada vez mais fortes e já vinham a cada 5 minutos. Quando começaram a ficar mais intensas e eu comecei a ter a sensação de que iria desmaiar (parecia que minha pressão estava baixa) ligamos para a Dra. e seguimos para a UNESP. Ao chegar lá (3:30h), Dra. Claudia me tranquilizou aferindo minha pressão, que estava normal (era só uma sensação de pressão baixa), e me deu uma notícia maravilhosa ao me examinar: “Você já está quase com dilatação total! Marido, liga pra Mariana e diz pra ela pular da cama se quiser assistir ao parto!! (rsrsrs)”. Fomos pra sala de parto, experimentei como deveria ser minha posição no momento da fase expulsiva do TP (quatro apoios, ajoelhada em um colchão com o peito apoiado em uma bola – aquelas de pilates), e nessa posição fiquei. Tive liberdade para caminhar, mas as contrações não me permitiam. Abracei aquela bola com toda a força do mundo e me entreguei totalmente à partolândia e ao nascimento do Henrique. Recebi o carinho nas massagens da Mariana, água, amor e apoio do meu amado esposo João Guilherme, o cuidado e as palavras encorajadoras da Dra. Claudia e as boas energias da Lizandra, que não dormiu esperando notícias!!

Não tive medo em nenhum momento. Havia uma atmosfera de paz, amor e segurança naquela sala. Quando já estava bastante cansada, perguntei se ele estava chegando e a Dra. sugeriu que eu tentasse tocá-lo. Com alegria pude sentir o bumbum muito próximo de sair (bebê pélvico = nasce o bumbum primeiro) e me entreguei novamente ao trabalho de parto. Assim, às 6:48h da manhã do dia 25 de fevereiro de 2015, Henrique veio ao mundo tranquilo, fazendo xixi e, em silêncio, abriu os olhos. Chorou só um tiquinho e se acalmou no meu colo (as “tias” e o papai choraram também). Pude então sentar, abraçada pelo meu marido e com meu filho nos braços. A pediatra de plantão daquela manhã (minhas desculpas à dra cujo nome não me recordo) avaliou os sinais vitais dele sem tirá-lo de mim. Esperamos o cordão umbilical parar de pulsar e o valente papai Gui o cortou dizendo mentalmente ao nosso bebê: “Meu filho, a partir de agora você poderá seguir seu caminho neste mundo. Esse caminho será só seu, mas papai e mamãe sempre estarão aqui para te ajudar, guiar, acudir ou só para te dar colo”. O Henrique começou a sugar o colostro ali mesmo! Tudo o que havíamos escrito no Plano de Parto foi respeitado. Henrique nasceu saudável, com 48cm, 3,135kg, de um parto natural e humanizado. Nasceram também a mãe Josy e o pai João Guilherme. Houve ainda a expulsão da placenta e outra boa notícia: não seria necessária a sutura do períneo, pois a laceração havia sido muito pequena. Fomos pro quarto com nosso filho logo em seguida e, à tarde, eu mesma dei o primeiro banho nele!

Essa experiência foi muito intensa, especial e transformadora pra mim, pra nós. Sou imensamente grata a todos que participaram destes momentos e que nos apoiaram! Foi tudo tão possível que lá mesmo na sala de parto, enquanto esperava a saída da placenta, eu já pensava no próximo... no próximo parto, porque não? Tenho certeza de que será tão maravilhoso quanto este. Se parir dói???Dói, dói muito! Mas vale saborear cada momento, cada contração, por que o que fica vivo na memória não é a dor, mas a satisfação por ser capaz de se permitir realizar e se transformar! Nosso corpo é preparado para isso, e a natureza, assim como as peculiaridades de cada organismo, precisam ser respeitadas.

Se você, que está lendo esse relato, tem vontade de parir de forma natural, não desista! Informe-se, procure e participe de grupos de apoio ao parto humanizado, contrate uma doula e procure assistência médica que possibilite isso de verdade, não só na teoria.
Ah... e se é possível dar à luz a um bebê pélvico de forma natural? Sim, é possível! E me orgulho muito por ter vivenciado isso de forma tão intensa, real, por ter me partido ao meio e renascido totalmente nova deste processo. Estamos há 8 meses vivendo intensamente a maternidade/paternidade real, vencendo desafios, dificuldades e curtindo cada conquista do nosso filho!
Nossa eterna gratidão à você, Mariana, por todo apoio durante essa maravilhosa experiência até os dias de hoje!




sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A chegada de Valentim!! Um relato muito especial

Minha gestação e meu parto, uma experiência transcendental de amor!!! Bom, como prometi para minha querida doula e amiga Mariana Castelo Branco, chegou o momento de relatar o meu parto e partida do nosso amado filho Valentim.No dia 01 de Março de 2014, após 1 dia de atraso de minha menstruação resolvi fazer um teste de gravidez de farmácia e lá estavam os dois risquinhos. Um susto imenso, pois não achávamos que engravidaríamos tão fácil... mas, a gravidez foi bem vinda, pois já estávamos juntos há 4 anos. Para nossa família foi imensa alegria!Então chegou o momento de buscar um obstetra pensando já no parto que eu gostaria de ter, reflexão esta que eu já vinha tendo muito antes de engravidar.Eu tenho plano de saúde e passei por algumas consultas com ginecos e obstetras para tentar discutir possibilidades de partos naturais, muito antes de engravidarmos e me deparei com propostas de partos normais acompanhadas de pagamentos de taxas, que quase pagam um parto domiciliar, só para o obstetra aguardar meu trabalho de parto... é, triste realidade.


Como sempre fui muito ideológica e lutei contra a mercantilização de serviços e processo, seria incompatível aceitar uma cesariana sem que houvesse real indicação. EU QUERIA UM PARTO NATURAL, com tudo o que eu tinha direito!!!Por sorte, ao me consultar com uma nutri, antes mesmo de engravidar, ela me indicou uma obstetra, do SUS, na UNESP de Botucatu. Ao saber do resultado, eu realmente estava grávida, contatei a obstetra, a Claudinha e comecei minha jornada rumo a maternidade!A Claudinha me passou muitas coordenadas e uma delas a importância de uma doula, e assim, cheguei até a Mariana. Conversamos, nos conhecemos e nos gostamos!Os exames começaram e tudo estava normal. Eu não tinha enjoos e nem mal estar...que ótimo, pois muitas mães relatavam coisas horríveis de começo de gestação. Pelos ultrassons víamos que corria tudo bem com o bebê, apesar dele ainda ser bem pequenininho.


Aos 3 meses ao sabermos o sexo do bebe, soubemos também que ele tinha uma pequena onfalocele. Quase aos 4 meses fizemos novo ultrassom, com o bebe já maiorzinho e soubemos que além da onfalocele ele tinha uma má formação incompatível com a vida...Nossa obstetra nos acolheu e pontuou que por se tratar de uma má formação que não possibilitaria a vida de nosso filho após o nascimento, tínhamos direito, caso fosse nosso desejo, de solicitarmos interrupção da gestação judicialmente.
Naquele momento meu mundo e de meu marido desabaram.No caminho para a casa, muitas coisas passavam pela minha mente, inclusive as aulas sobre políticas públicas para pessoas com deficiência, na qual eu apresentava uma peça de teatro sobre uma mãe que descobria que o filho era deficiente, logo após o nascimento... é, de fato, aquilo que eu apresentava nas aulas para outras turmas na faculdade, naquele momento aconteciam comigo. Todos os meus sonhos de mãe começaram a desabar.


Foi ai que tudo virou de ponta cabeça. Meu marido e eu refletimos sobre interromper ou não a gestação, e decidimos juntos que NÃO interromperíamos.Foi um choque, piramos, choramos, brigamos com Deus, quase nos divorciamos, mas o universo nos aproximou de pessoas que poderiam verdadeiramente nos ajudar em nossa decisão já tomada e toda a jornada que havia pela frente: iríamos com nosso bebê até onde ele conseguisse.Surgiu em nossa vida novas pessoas, antigos amigos reapareceram, outros estreitaram vínculos conosco e assim seguimos uma maratona de terapias, psicoterapias, constelação familiar, homeopatias, florais, reikes, conselhos com amigos de notória evolução espiritual, comidinhas especiais trazidas pelas amigas, entre outros mimos.Nossa tristeza maior passou e então conseguimos nos conectar verdadeiramente ao nosso Valentim, que apesar do diagnóstico, quando ainda em gestação estava vivo e bem vivo... rsrsrs. Ele pulava, chutava, cutucava, virava e quando eu achava que algo de “inesperado” poderia estar acontecendo com ele, nos conectávamos e ele logo mexia, como se dissesse... “mamãe, ainda estou aqui”.


Tudo o que eu comia logo pensava... “uhhhhh filho, a mamãe adora essa comida, experimenta...”. Meu esposo desenhava o Valentim em minha barriga de caneta e assim seguíamos, uma hora mais feliz e outras menos.Mariana, nossa doula, soube da situação... nosso filho, ao nascer, morreria... e mesmo assim continuou conosco. Mariana foi um presente para nós, principalmente por aceitar partilhar conosco momento tão delicado. Conversamos bastante, combinamos o que e como faríamos, contei de meus desejos e fizemos um plano de parto, abordando inclusive o que aconteceria com Valentim ao nascer. Todo esse processo foi difícil e lindo ao mesmo tempo, como dizia nossa homeopata, chegava a ser poético. Tivemos inúmeras experiências transcendentais no período, que serão em breve todas relatadas em um livro que escreverei contando detalhadamente toda essa jornada com Valentim.


Com 38 semanas, no dia 24 de outubro de 2014, em casa, após um dia como tantos outros, quando dirigindo fui a algumas lojas, a floricultura... por volta das 19 horas a minha bolsa rompeu. E que incrível... o líquido jorrava pernas à baixo e Valentim ainda se mexia. Imediatamente liguei para a Mariana e disse que eu queria ter contrações... “cadê as tais contrações que falam”... Mariana riu e disse, “calma, você as terá”. Me orientou a banhos quentes, chazinho e cobertores para aumentar a temperatura do meu corpo e então efetivamente entrar em trabalho de parto. Combinamos que eu só iria ao hospital (20 km de distância de onde moro) quando estivesse quase nascendo.


Lá fui eu, feliz e triste ao mesmo tempo, pois realizaria meu sonho de parir naturalmente, já que tudo estava bem comigo, mas perderia meu filho amado. Olhei pra isso e decidi ficar apenas com a felicidade daquele momento.
Meu marido fez um chá, ouvi um mantra debaixo do chuveiro, fiz exercício de agachamento para favorecer o encaixe do bebe, fiz concentração me alinhando às forças da terra e do universo e pedi a força da maternidade de minhas antepassadas.Às 22 horas comecei a sentir as primeiras e pequenas contrações, meu marido e eu rimos, porque eu dizia.... “será que é só isso”.... kakakak. As contrações seguiram até as 00hs. Nesse período eu comi frutas, tive diarreia, queria organizar a casa (meu marido não permitiu) kakaka.Pensávamos...quanta beleza há no organismo que regula as contrações certinhas... que incrível!!! Estávamos animados, não tínhamos medo, pois antes do parto já havíamos construído em nossa imaginação tudo para a nossa “boa hora”, a hora do parto, detalhadamente...e tudo foi perfeito, como havíamos imaginado, do jeitinho que eu desejava.À meia-noite as contrações cessaram e eu dormi até as 3 horas da manhã, quando acordei verdadeiramente com contrações, sequenciadinhas e mais longas. Fui novamente ao chuveiro e lá fiquei... liguei para Mariana que nos aconselhou a ficarmos ainda em casa e no chuveiro e assim fizemos. As 4:00 horas da manhã pedi ao meu marido que ligasse para a Mariana, pois a dores haviam piorado e eu já não suportava... aí então seguimos imediatamente para a UNESP.Durante o caminho eu não conseguia proferir uma só palavra, pois as contrações exigiam de mim muita respiração. Ao chegar ao hospital as contrações eram menos espaçadas e mais longas....sentia que eu já não estava totalmente em mim, não respondia a perguntas que me faziam na recepção... eu estava em outra órbita... a tal partolândia se aproximava J.

As 5:15 horas fui levada ao quarto, onde Mariana e minha obstetra Claudia que também estava lá, prepararam tudo com bola de yoga, cadeira de parto, biombo na porta e máquina fotográfica à posto... kakaka (eu queria fotos, como qualquer mãe, né!).

Já em outro planeta eu andava de um lado para o outro sentindo as contrações. Ainda que todos me aconselhassem a me sentar na bola e fazer exercícios de agachamento eu insistia em ficar de um lado para outro, sentindo as contrações... essa liberdade de fazer o que meu corpo pedia era incrível... eu não queria me deitar, não queria me sentar, eu queria andar... eu e minhas contrações. Meu corpo sabia que isso era necessário naquele momento.


Quando senti que não mais aguentaria tantas contrações senti algo que começava a apontar entre minhas pernas, aí sentei-me na cadeira de parto (com meu marido atrás me segurando) e a médica ao me examinar, em tom firme, chamou a enfermeira, pois eu já estava coroando... a cabecinha de Valentim já estava apontada... então num suspiro e com minha ultima grande contração, Valentim chegou às 6:30 horas da manhã do dia 25.


Valentim chegou já sem vida, como já sabíamos que aconteceria, mas chegou em paz, com toda a beleza de um grande parto natural, veio aos nossos braços para nos conhecermos e nos reconhecermos. Ficou conosco tempo suficiente para estreitarmos nossos laços de amor. Éramos só gratidão e sentimento de dever cumprido. Após um tempo entregamos nosso filho para Mariana e Claudia, que com todo amor, o levaram para iniciar a coleta de materiais para exames. Duas horas após o parto estávamos de alta médica, fisicamente inteira e emocionalmente equilibrada e conectada ao universo. Antes de sair do hospital ainda tomei um café da manhã reforçado!


Assim ficamos por todo o dia, mesmo durante o enterro dele, que foi no mesmo dia, equilibrados e gratos por termos tido a oportunidade de conhecê-lo.
Outras coisas lindas e intrigantes aconteceram, mas estas farão parte do material que escreveremos em breve.


Aproveito esse relato, para agradecer a todos que estiveram ao nosso lado durante essa gestação, nos dando curas, terapias, alegrias, confortos, conselhos e amor,a nós e ao nosso Valentim. Já pedimos ao universo que acolha cada uma destas pessoas que nos ajudaram, dando-lhes o mesmo amor e gratidão que sentimos pela experiência vivida.

Tudo o que vivemos nos transformou e o parto natural foi a experiência mais transcendental que nos aconteceu até agora na vida. Parir vale muitooooooooo a pena, é realmente uma relação de amor e um sentimento de existência!NOSSO MUITO OBRIGADO!  

Miriam MalacizeFantazia e Fagner Sanches Javara

sábado, 20 de setembro de 2014

Relato de Parto da Cris - Nascimento da Arielly


"Eu não poderia começar esse relato sem falar sobre o nascimento da minha primeira filha Camilly, em 2006. Com 42 semanas de gestação, após 12 hs de trabalho de parto, normal de cócoras, porém cheio de intervenções, procedimentos desnecessários comigo no trabalho de parto e com ela assim que nasceu. Eu me sentia realizada ao me tornar mãe, ao pegar no colo um ser tão indefeso, uma bebezinha linda e perfeita, a minha filha! E eu era tão nova, aquilo tudo era novo demais para mim... Porém algo me dizia que poderia ter sido diferente, só não sabia como.
A relação com o pai dela nunca deu certo e logo nos separamos.
Tempo depois o destino colocou em minha vida o Gabriel, um homem com todas as qualidades que eu esperava encontrar em alguém, nos apaixonamos, casamos, e após 4 anos resolvemos ficar grávidos!

Assim que engravidei comecei a pesquisar sobre parto natural, vi muitos e muitos vídeos, li inúmeros relatos, assisti o filme : O Renascimento do Parto e pronto! Decidi que dessa vez seria diferente! Peguei uma cópia de um plano de parto na Internet, mas não fazia ideia de como iria usa-lo. Até que uma amiga me falou de uma doula que ela conhecia.
Encontrei a Mariana, conversamos muito, muito mesmo, amei a forma como ela me encorajava a ficar firme e então eu decidi que iria brigar com o sistema para ter um parto respeitado da forma como eu queria de acordo com as condições e pelo SUS, sem obstetra escolhido, pegaria o plantão e boa!
Montamos um plano de parto com todas as minhas vontades. Tudo certo! Era o empoderamento para que minha segunda filha tivesse um nascimento mais respeitado.

Minha gestação foi longa e para desespero de muita gente ultrapassou as 40 semanas, assim como a primeira. Tive muitos e muitos pródromos, alarmes falsos de deixar a Mari louca, rsss.
No dia 23/05/2014 com 41 semanas e 1 dia, acordei com um pequeno sangramento. A tarde fui ao médico que estava acompanhando minha gravidez, ele examinou, e estava tudo bem, o sangue era o meu colo começando a dilatar. O parto se aproximava. Fui para casa ansiosa, mas tranquila pois eu sabia que ainda poderia demorar mais alguns dias.

O Gabriel (meu marido) trabalha no período noturno e nas últimas semanas antes de sair, ele sempre dizia: "me liga se sentir qualquer coisa", e nesse dia ele não disse nada! Fui me deitar e fiz o que fazia quase todos os dias antes de dormir, peguei o celular e filmei minha barriga mexendo, fazendo ondas, adorava ficar olhando e sentindo os movimentos da minha pequena em meu ventre. Mas nesse dia ela estava muito agitada, mais do que o normal.

Fiquei então curtindo a barriga, fazendo carinho e não conseguia dormir, então as 23:50 hs comecei a sentir cólicas, fiquei deitada, e esperei. Não passavam, resolvi marcar o tempo. Estavam bem regulares. Liguei para o Gabriel e pedi para que ele viesse para casa. As dores foram ficando mais intensas. Avisei a Mari e combinamos de nos encontrar no hospital, assim que as dores aumentassem mais, enquanto isso eu iria avisando ela como as coisas estavam.

Fiquei umas 2 horas no chuveiro, me arrumei, acordei minha filha, , e me despedi longamente dela, emocionada, e ela sonolenta sem saber direito se era verdade que a irmâzinha tão esperada iria nascer, e então o Gabriel a levou para a casa dos meus pais.
As contrações estavam vindo a cada 5 minutos. Comi chocolate, e fiquei deitada no colo do Gabriel, recebendo carinho. Quando as dores ficaram mais fortes, eu já não conseguia mais ficar parada, andava de um lado para o outro.
As 5:30 hs achamos que era melhor ir para o hospital, pois tínhamos que pegar estrada até lá, por ficar em Botucatu e nós moramos em São Manuel.
Encontramos com a Mari na recepção, e eu ja estava tendo que parar a cada contração e abaixar para buscar algum alívio.
As 07:30 o exame de toque revelou que meu colo tinha dilatado quase 5 cm, fizemos a internação e eu imaginei que meu parto seria rápido.


No quarto muita conversa, risos, chocolate, chuveiro, exercícios na bola, anda, senta, levanta, massagem, mimos e carinhos da doula e do marido. E as 14 hs após uma nova avaliação, a dilatação ainda era a mesma. Meu trabalho de parto estava travado, porém fiquei firme e forte. Eu sabia que podia aguentar!
No chuveiro eu viajava para outra dimensão, ter a Mari ao meu lado me encorajando era fundamental para esquecer do mundo e mergulhar nas sensações.


Ver a forma carinhosa com que o Gabriel me olhava, me trazia calma, tê-lo ao meu lado o tempo todo me deixava tranquila para me entregar de corpo e alma à cada contração. Seus abraços me davam força para aguentar a dor. Sim, dói! Dói muito, mas não é uma dor que se possa explicar, dar exemplos, definir. É uma dor louca, muito forte e intensa, mas que desaparece por completo entre uma contração e outra. Uma dor que traz a vida, a cada contração eu estava mais perto de pegar minha filha nos braços.


Essa menininha foi teimosa pra nascer, não queria encaixar de jeito nenhum, estava quentinha e feliz, porque iria querer sair? Já fazia muitas horas que eu estava em trabalho de parto e ela ainda estava alta, nada de encaixar. Fomos até a sala de pré parto para que eu tentasse outros exercícios e posições para ajudar a dilatar mais.




No ápice da dor, creio que fui para a partolândia, me lembro de poucas coisas desse momento, chorava igual criança, rezava e pedia para que ela nascesse logo, abraçava o Gabriel, abraçava a Mari, apertava as mãos deles, não sabia mais que mão era de quem. Trocava de posição a cada contração. E enfim a bolsa se rompeu.
E logo veio uma imensa vontade de fazer força, sentei no banquinho, a Mari na minha frente, o Gabriel me abraçando por trás dizendo que nossa filha estava chegando, um momento de total entrega, em que a mulher não manda em seu corpo.

Muita emoção, a mesma emoção que senti ao ver a Camilly nascendo eu sentia naquele momento vendo a Arielly nascer.
Acredito que para a mãe, ver o filho pela primeira vez é mágico, seja qual for a forma que ele nasceu. Mas parir, sim PARIR! Essa é a palavra! É algo divino, é entrega, é realização, é sentir-se mais mulher! Não é dizer que sou "mais mãe", mas sim, que sou mais MULHER! Já me sentia assim depois que a Camilly nasceu, e agora me sentia ainda mais forte ao passar pelo que passei até estar com a Arielly nos braços.


Arielly nasceu as 19:13 hs, do dia 24/05/2014 após 41 semanas e 2 dias de gestação com 3.640 kg, linda, enorme e perfeita! Após 19 horas de um trabalho de parto em que minhas vontades foram respeitadas, não fui privada de comer nem beber, tive liberdade de movimentos, e a Arielly teve seu nascimento respeitado e sem procedimentos desnecessários.
Veio para o meu colo e abocanhou meu seio e mamou tranquila e calma, como se já tivesse feito isso antes. A Mari disse que ela "nasceu criada." E nasceu mesmo, enfrentou o sistema comigo!"


Agradecimentos:
A Deus pelas bênçãos.
A minha família e amigos pelas vibrações positivas. A Camilly que rezou pela mamãe e pela "Tata".
A equipe da Unesp por respeitar o nosso momento.
E em especial à Mariana Castello Branco, por todo apoio, dedicação, paciência, carinho, incentivo e amor.
E ao amor da vida Gabriel Silva, por segurar minhas mãos, pela paciência e carinho, e principalmente por permanecer ao meu lado o tempo todo me encorajando e mostrando que o nosso amor é lindo!!!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Relato da Livia - O Nascimento de Pedro 26/10/2013.

O parto do Pedro teve inicio muito tempo antes que as contrações começassem, foi no ano de 2009 que uma pessoa muito querida me falou da experiência incrível que tinha tido ao parir na água, naquela época eu não pensava em filhos, mas aquele relato me tocou profundamente, e dentro de mim ficou a vontade de parir na água.


Alguns anos depois, no final de 2012 veio a vontade de engravidar, comecei a pesquisar na internet sobre o tal parto da água, e que surpresa! Descobri que parir, algo que eu considerava simples e natural, havia se transformado em uma linha de produção, frio, calculado, bem ao estilo fordista. Logo eu e meu marido percebemos a necessidade de encontrar profissionais que partilhassem dos mesmos ideais que a gente, o parto humanizado!

E com muita procura, um pouco de angustia pela demora, muitos telefonemas os anjos disseram amem! Veio a dupla perfeita, a médica mais incrível que já conheci e a doula mais amorosa do mundo, que alivio! Foi empatia a primeira vista.


A gravidez foi tranqüila, filhote crescendo, a mãe comendo hehehe a data do parto foi chegando. Numa sexta feira de manhã tive minha consulta semanal, tudo normal, 40 semanas e 5 dias, filhote poderia vir a qualquer momento, a gente fica numa ansiedade danada, ainda mais porque não tinha ideia de como seria a tal da contração, uma coisa tão particular de cada mulher. 

Lua mudando para minguante e as duas da madrugada senti uma cólica bem forte, logo veio outra, levanto e vou andar pela casa, a noite esta linda, estrelada, as cólicas não param, depois de uma hora ligo pra Claudinha pedindo orientações, acordo o marido que fica super assustado de já fazer uma hora que estou tendo cólicas, hora de ir pro hospital.

Chegando lá, vimos que realmente era o trabalho de parto, sentia muitas cólicas, meio sem saber o que fazer fui encaminhada para o quarto, nossa foi o pior momento, sozinha, cheia de dores. Quando a Claudinha abriu a porta e entrou sorrindo com um copo de suco, parecia um raio de sol! Logo veio meu marido, fui pro chuveiro, bola, a partolândia tinha começado.


Depois de um tempo fomos pra sala de parto, a Mari chegou. Ficamos eu, marido, Claudinha, Mari e Pedrão ali se preparando pra nascer. 

É difícil definir a dor neste momento, dói muito, senti medo, o apoio de todos foi fundamental, cada um me animava de um jeito, mantinham o clima leve, eu pensava “já vim ate aqui, vamos em frente”, e fomos indo. 

Deitava, levantava, andava, urrava, ganhava massagem, entrei e sai da banheira, no final me encontrei sentada na banqueta.

Hoje vejo como foi importante estar bem acompanhada ali neste momento, o marido completamente envolvido com o parto, praticamente pariu comigo, a Claudinha me deixando segura que tudo estava bem, a Mari me incentivando e encorajando, nossa! 

Obrigada gente, vocês foram demais!!

Com toda essa força, chegou o momento em que eu vi pelo espelhinho uma cabecinha cabeluda querendo vir ao mundo, nossa, a emoção é indescritível, é um misto da dor mais dolorida do mundo com o amor mais incrível do mundo! 


Acho que a dor é um rito de passagem, é como um transe onde quem eu era ficou pra trás e uma nova eu surgiu, mãe! Mais uma força e lá vem ele, direto nas mãos do pai e depois para mim, para o seio, para o mundo com seus olhinhos curiosos, desbravador do universo!


Depois já no quarto com ele ali no colo aprendendo a mamar já não existe dor, só um amor infinito! Muitas palavras de incentivo da Mari, juntas vimos a primeira mamada do Pedro... primeira de muitas, o seio logo se tornou seu lugar preferido aqui fora.


Hoje recordando esses momentos sinto essas duas mulheres como parte da minha vida, elas são parte de um momento impar, me deram força e coragem. 

Fiquei tão corajosa que o próximo parto espero elas em casa!!! <3