Foto do livro: Parto com amor
Quando o assunto é parto, você diz “quero parto normal” ou “vou
tentar normal” (e não se fala mais nisso)?
Você acredita que, para ter
parto normal, basta querer e torcer para que tudo dê certo?
Você
escolheu um médico do plano que se diz favorável ao parto normal, mas
que diz “não se preocupe com isso, do parto cuido eu”?
Se você respondeu “sim” a qualquer uma dessas perguntas,
você precisa ler este post. Se você conhece alguém que se encaixa nesse perfil, por favor,
repasse o link para ela.
Eis os FATOS: se você vai ter seu filho na rede privada, a
probabilidade de acabar numa cesárea se aproxima de 90%. Pense bem:
quantas amigas suas começaram naquele quadro acima (“quero normal, meu
médico diz que faz”) e terminaram numa cesárea? Não quero te desapontar
(pelo contrário, quero ajudar!), mas a verdade é que parto normal não é
para qualquer uma. É para quem pode – para quem pode correr atrás de
informações confiáveis, pode encontrar a coragem para mudar de médico se
o dela for cesarista, pode pagar um obstetra fora do plano ou optar
pela rede pública se necessário, pode olhar para dentro e enfrentar seus
demônios, pode peitar o marido, a mãe e o escambau. A boa notícia é que
você pode ser uma mulher dessas.
Se você quer
MESMO parto normal, seguem abaixo 7 dicas para aumentar as chances de ter o parto que você deseja e merece:
1. Informe-se
Parto normal no Brasil é exceção. Especialmente se você tem plano de
saúde. Isso significa que você precisa estar ciente das possíveis
armadilhas que fazem as mulheres caírem na cesárea, mesmo sem querer.
Que armadilhas? Entre elas: os mitos sobre o parto, as falsas indicações
de cesáreas, a realidade sociocultural e econômica (em que o normal é o
parto cirúrgico), o sistema tecnocrático e voltado para lucros e a
formação e a atitude da equipe que vai te acompanhar. Você não precisa
mudar nada disso – se quiser tentar, ótimo! – mas não pode fingir que
vive num mundo cor de rosa em que o médico vai deixar a natureza seguir
seu curso, a equipe do hospital está lá pra te ajudar e o que quer que
aconteça estava “escrito nas estrelas”. Acorde e deixe seus olhinhos bem
abertos. Ou volte a acreditar em duendes (quer dizer, médicos
bonzinhos) e depois não se surpreenda se acordar com uma bela de uma
cicatriz na barriga.
2. Escolha um obstetra realmente favorável
A melhor forma de saber se o seu GO “faz” parto normal mesmo (quem
faz é a mulher, mas já que essa é a expressão, estou adotando-a aqui,
entre aspas) é através da indicação de mulheres que pariram com ele. Se
isso não for possível, dê uma de detetive e procure pistas de que ele
possa te induzir à cesárea. Fique atenta aos seguintes sinais: ele nunca
desmarcou uma consulta (parto normal não tem hora marcada); no
consultório, tem várias pacientes chegando para tirar pontos e meia
dúzia de grávidas com a barriga do tamanho da sua (ou seja, não vai dar
para esperar o trabalho de parto de todas elas); ele não gosta de falar
sobre o parto e diz coisas como “deixa isso comigo”; ele é fã das
táticas do medo (“o importante é a saúde do bebê”) e vive procurando
pêlo em ovo (“temos que ficar de olho nesse líquido…”). Mesmo que ele
seja muito querido, muito fofo e te conheça há anos, não se iluda: se
ele faz cesárea em 90% dos casos, a sua chance de parir com ele é 1/10.
3. Procure apoio virtual e local
Quem nada contra a maré requer muito apoio e incentivo. Nada melhor
que se juntar a pessoas que te entendem, já passaram por isso, e se
empenham para ajudá-la a conseguir atingir o seu objetivo. Para isso,
sugiro que você participe de listas virtuais como a PartoNosso do Yahoo
Grupos, comunidades como a GPM – Gestação, Parto e Maternagem no
Facebook e que procure também um grupo de apoio local, onde possa olhar
nos olhos de outras mães, ouvir suas experiências e trocar
recomendações. Aqui no Rio tem o
Ishtar,
grupo incrível, coordenado por gente maravilhosa e frequentado por
mulheres de todos os tipos (inclusive euzinha). Também tem Ishtar em
Belém, Sorocaba e Recife, e sei que São Paulo tem o Gama, BH tem o Bem
Nascer e Curitiba tem o Espaço Aobä. E não devem ser os únicos. Procure
por esses grupos, vá a um encontro (são gratuitos) e saiba que você não
está sozinha.
4. Prepare sua cabeça (e o corpo também)
É preciso muito preparo psicológico para se manter firme num desejo
que, lastimavelmente, é tão difícil de se realizar na atual conjuntura. É
preciso coragem para dizer tchau para seu médico de anos na 37a semana e
procurar um novo profissional; força (e paciência) para não ceder aos
protestos da família e dos amigos que não entendem porque você não marca
a cesárea como todo mundo; convicção para usar suas economias para
bancar uma equipe realmente alinhada com seu plano de parir; fé para se
permitir parir como manda a natureza. Minhas dicas: leia livros e
relatos de parto positivos (fuja de programas de TV, de maneira geral) e
faça terapia. Além da força psicológica e emocional, também é legal
preparar o corpo para as posições e as sensações do parto (yoga para
gestantes e massagem perineal são duas opções que vêm à mente). Mas não
se iluda: a cabeça é muito mais importante que o corpo nesse processo de
parir.
5. Seja sujeito
É muito cômodo (e perigoso) entrar no papel da “mãezinha” ou
“gravidinha” (primas-irmãs da “princesinha”) e deixar que todas as
decisões sejam tomadas por você: pelo médico, por sua mãe, pelo marido…
Se você tem a intenção de parir, você precisa se recusar a ocupar esse
lugar. Porque uma mulher que dá a luz é protagonista, e não um objeto ou
um coadjuvante do processo. Ser sujeito significa, entre outras coisas,
questionar, se examinar, refletir, sentir, escolher, rebolar (em ambos
os sentidos), viajar para a partolândia e dar um belo de um FODA-SE pra
todas aquelas pessoas que teimam em te julgar. Ser sujeito significa
viver de acordo com a sua verdade e sentir na pele as suas escolhas, e
não ser vítima das decisões de terceiros.
6. Contrate uma doula
Para quem não sabe o que é uma doula e qual a importância dela no
parto, prometo um post longo e detalhado em breve. Por enquanto, vou ser
econômica e dizer que a doula acompanha a gestante antes, durante e
após o parto; sua função é servir de apoio e conforto. A doula não é
profissional de saúde e nem faz parte da equipe médica: ela acompanha a
mulher, oferecendo palavras de incentivo, um toque carinhoso e um porto
seguro para a parturiente (e, muitas vezes, também para seu
companheiro). Em suma, a doula é uma amiga que já viu muitas mulheres
parindo. Por isso, é importante conversar muito com ela antes do parto,
sentir-se bem com ela e criar um laço de afeto e confiança. Você pode
achar que doula é modismo ou frescura, mas a história e as
evidências
mostram o contrário: doulas existem há milênios e sua presença na sala
de parto diminui o índice de cesárea, analgesia e depressão pós-parto e
aumenta a satisfação materna e o índice de amamentação (entre outros
benefícios). Se você é carioca, visite a página do
Núcleo Carioca de Doulas no Facebook para se conectar com profissionais da área.
7. Não saia correndo para o hospital
Pensei se deveria mesmo incluir esta última dica – obviamente, não
quero ser culpada depois por uma leitora que teve seu filho no táxi! -,
mas como não tem como negar que um dos fatores de cesárea é a
impaciência dos médicos (a famosa desculpa “não teve dilatação”) optei
por colocá-la. A não ser que esteja com uma equipe de parto humanizado, a
melhor maneira de se proteger da cesárea intraparto é chegar ao
hospital em trabalho de parto ativo, com mais de 7 cm de dilatação e, de
preferência, dilatação total. Eu sei que é difícil se imaginar fazendo
isso – “correndo esse risco” – mas é mais comum chegar cedo demais e
sofrer um parto cheio de intervenções desagradáveis ou até mesmo uma
cesárea do que acabar parindo a caminho da maternidade (apesar desses
casos saírem mais na mídia!). Se você não tem plena confiança na equipe
médica e sente que o médico pode acabar fazendo uma cesárea de última
hora, essa é a dica que eu deixo para você (de preferência, siga também a
dica número 6).
Fonte:
aqui!