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domingo, 18 de maio de 2014

Ministério da Saúde determina que bebê deve ir direto para o colo da mãe.

Mais uma da série..E agora pediatria? ;)

Agora é lei!! Está documentado! Saiu no diário oficial da união!!
Neste link bem AQUI encontra-se a portaria na íntegra. Não tem desculpas, argumentos ou blá blá blá...



Nada de exames de rotina nos primeiros minutos de vida nem ir direto para o berçário.
A PORTARIA Nº 371, DE 7 DE MAIO DE 2014 publicada pelo Ministério da Saúde determina que, se o bebê estiver em boas condições de saúde, deve ir direto para o colo da mãe ao nascer nos hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde).

Pelo texto, o bebê deve ser colocado sobre o abdômen ou tórax da mãe de acordo com a vontade da parturiente. O bebê deve ser “colocado de bruços e receber uma coberta seca e aquecida”, diz a Saúde.

A portaria segue as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) que prevê ainda que o recém-nascido seja amamentado na primeira hora de vida. A portaria publicada no “Diário Oficial da União” assegura o chamado contato ‘pele a pele’ de mãe com o filho independente se o parto é normal ou cesárea. O texto faz parte da atualização das diretrizes do SUS para permitir um atendimento mais humanizado para mãe e o recém-nascido.

Outra medida proposta é que os exames de rotina do recém-nascido  – pesagem, exame físico e vacinação – ocorram somente depois da sua primeira hora de vida.
A portaria diz ainda que o clampeamento do cordão umbilical do recém-nascido deve ser feito apenas após o cordão parar de pulsar (aproximadamente de 1 a 3 minutos), exceto em casos de mães isoimunizadas ou HIV / HTLV positivas, em que o clampeamento deve continuar sendo feito de imediato.

Ainda de acordo com a portaria, para o recém-nascido com respiração ausente ou irregular, deverá ser seguido o fluxograma do programa de reanimação da Sociedade Brasileira de Pediatria. A publicação diz ainda que o  estabelecimento de saúde que mantiver profissional de enfermagem habilitado em reanimação neonatal na sala de parto deverá possuir em sua equipe, durante 24 horas, ao menos um médico que também seja capacitado.

O ministério não detalhou ainda como será feita a fiscalização para que as medidas entrem em vigor e se haverá alguma punição aos profissionais de saúde que não seguirem as recomendações.

fonte: Folha de São Paulo

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Testando seu médico

 



Essa é uma lista bem humorada de perguntas a se fazer ao seu obstetra. Na verdade é um teste para verificar que tipo de médico ele é: do mais intervencionista ao mais liberal. Apesar do tom informal, as “respostas certas” foram inspiradas nas evidências científicas e nas recomendações da Organização Mundial da Saúde.


1) Qual a sua postura em relação à “cesárea x parto normal”?
a) O parto normal é o melhor, mas só dá para saber na hora.
b) Hoje em dia não faz sentido ter bebê por parto normal, com as técnicas de cirurgia tão avançadas e seguras. A recuperação é rápida e graças aos novos antibióticos, antinflamatórios, antitérmicos e analgésicos, você pode ter uma vida quase normal em menos de 2 meses.
c) O parto normal é melhor, mas na sua idade (ou com o seu peso, ou nessa época do ano, ou para uma pessoa sensível como você) a cesárea é mais garantida.
d) O parto normal é melhor e pelo menos 90% das mulheres podem dar à luz naturalmente. Você também tem tudo para ter um parto normal e nós vamos nos preparar para isso!

2) Quais intervenções no parto você considera essenciais?
a) O que eu uso nos partos é o soro com ocitocina (hormônio) para acelerar as contrações, episiotomia (corte no períneo) e rompimento da bolsa aos 5 cm de dilatação. Mas às vezes tenho outras idéias durante o parto. Depende do dia e dos meus compromissos.
b) Eu uso as intervenções apenas em raros casos, até porque a maioria delas podem ter efeitos colaterais indesejáveis. A natureza pensou em tudo, para a grande maioria das mulheres.
c) Só a anestesia, porque acho que a mulher não deve sentir dor. O resto varia de mulher para mulher.
d) Só a episiotomia, porque o parto pode destruir a vagina da mulher e provocar incontinência urinária.

3) Em que posição posso dar à luz? Posso ter um parto de cócoras?
a) Ra ra ra ra…. Parto de cócoras? Você não é índia, é? A mulher de hoje não tem musculatura para ficar de cócoras. Você quer ser partida ao meio, minha filha?
b) Semi-reclinada, pois no centro obstétrico da maternidade onde atendo, tem uma mesa de parto que permite que a paciente eleve um pouco as costas.
c) Da forma que você se sentir mais confortável, podendo ser de cócoras, de quatro, de lado ou de outro jeito que você inventar. A única posição que eu procuro não incentivar é deitada, porque o bebê pode ter o suprimento de oxigênio comprometido.
d) Como assim? Existe outra posição para dar à luz que não seja deitada?

4) Qual será sua postura caso eu recuse alguns procedimentos que você esteja recomendando?
a) O parto é seu. Você decide o que é melhor. Se eu indicar um procedimento, vou te explicar porque, vantagens e desvantagens, mas quem tem que resolver é você.
b) Eu não recomendo procedimentos. Eu faço. Na hora do parto você não tem condições de discutir o que é bom para você. Aliás, desde o início da gravidez a mulher tem o comportamento alterado, bem como a capacidade de discernimento.
c) Eu terei que abandonar o atendimento e chamar um plantonista, pois não quero me responsabilizar pelas desgraças que podem acontecer ao seu bebê.
d) Você não tem o direito de recusar um procedimento que está sendo prescrito para o bem do seu bebê.

5) Até quanto tempo você espera na gestação, antes de indicar procedimentos por “passar da data”?
a) Eu espero até 40 semanas. Depois disso faço a cesárea. Nem tento a indução, porque é tempo perdido. Ou você prefere arriscar a vida do seu filho e viver com esse peso pro resto dos seus dias?
b) A gestação normal vai de 38 a 42 semanas. O que eu proponho é um cuidado mais intenso depois que passa de 41 semanas. Mas a princípio, enquanto o bebê e a placenta estiverem bem, eu não faço nada. Passadas 42 semanas, podemos começar a pensar em indução do parto.
c) Eu espero até 40 semanas. Depois disso interno para induzir com soro.
d) Eu espero até 41 semanas e depois interno para induzir com citotec.

6) Você tem o hábito de pedir permissão e informar tudo o que você acha necessário fazer durante a gestação e o parto?
a) Como assim, pedir permissão? Eu estudei 10 anos, trabalho há 15 anos com partos e sei o que estou fazendo. Se for pedir permissão para fazer tudo, vou passar o dia nessa lenga-lenga com minhas pacientes.
b) Só peço permissão quando acho que o procedimento vai doer.
c) Não faço nem um exame vaginal sem pedir permissão, pois o corpo é seu, o parto é seu. Meu dever é fazer o melhor, desde que você me permita e entenda o que está acontecendo.
d) Depende do dia, pois às vezes depois de 2 plantões seguidos, eu fico meio impaciente.

7) Qual é a sua taxa de cesáreas?
a) Não sei, não tenho contado ultimamente… Se é alto? Não considero alto, porque hoje em dia as mulheres só querem cesárea. A culpa não é minha. Elas já chegam com uma idéia pré-concebida.
b) Minha taxa de cesárea é baixa, cerca de 40-45%…
c) A taxa é de 20%.. De partos normais..
d) Minha taxa de cesárea está perto de 25%, o que ainda considero alta, mas estou tomando algumas providências para tentar baixar para os 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde

8) Posso levar meu marido e uma acompanhante (doula) para o meu parto?
a) Por mim você pode levar qualquer pessoa que faça você se sentir segura e tranqüila.
b) Porque? Você vai dar uma festinha no centro obstétrico? Quer ver seu marido desmaiando? Eu acho que um acompanhante já é muito.
c) Pode levar só o marido, mas só depois que ele fizer a preparação comigo, porque eu quero um aliado, não um inimigo me vigiando.
d) Não, eu acho que acompanhantes atrapalham, perturbam o ambiente, fazem muita pergunta, deixam a mulher insegura, ficam questionando o médico. Eu não atendo a família, eu atendo a gestante!

9) Você acha possível um parto normal depois de uma cesárea?
a) Você está louca? Quem andou falando uma bobagem dessas para você? Deixa disso, minha filha, isso é coisa de natureba inconseqüente.
b) É possível, mas tem que usar fórceps para não ter um período expulsivo prolongado.
c) É possível se o trabalho de parto não passar de 4 horas.
d) É possível e é uma ótima opção, com grandes chances de dar certo.

10) Você acha que tendo uma gestação de baixo risco posso ter meu bebê em casa?
a) Sim, o local do parto deve ser escolhido por você e seu marido. Se essa f or sua opção, devemos tomar algumas precauções, como ter um hospital relativamente perto para o caso de precisarmos de remoção. Mas geralmente não há necessidade.
b) Sim, mas eu não atendo partos domiciliares. Posso tentar te indicar um médico que faça.
c) Você enlouqueceu? Quer matar seu bebê? Quer se matar? Já pensou como é agradável sangrar até a morte com sua família te olhando sem ter o que fazer?
d) Sim, mas é muito arriscado. Muito mesmo. Você está com idéias muito românticas sobre o parto. Deveria fincar os pés no chão.

11) Devo fazer um curso de preparação para o parto?
a) É bom, não porque você não sabe o que é certo, mas o curso vai te dar dicas preciosas, vai te dar boas sugestões para um parto agradável, vai te dar dicas de amamentação. No mais, você vai entrar em contato com outras gestantes, o que pode ser uma experiência bastante enriquecedora.
b) Bobagem. Na hora eu te digo o que é certo ou errado. Eu estudei 10 anos, pratiquei mais 15 e te garanto que sei fazer um parto. É só você ficar deitada quietinha que tudo vai dar certo.
c) Faça apenas o curso do hospital, para saber onde é a entrada, como são as rotinas do hospital, como se comportar e o que esperar.
d) Tanto faz. Você também pode ler essas revistas para mãezinhas que tem todas as dicas que você precisa de enxoval, decoração, exames médicos e tal.

12) Quantos exames de ultrassom eu devo fazer ao longo da gestação?
a) O ideal é fazer em todas as consultas e por isso eu já tenho um aparelho aqui no consultório. A gente já vai vendo a carinha do bebê, como ele se mexe, todas as partes do corpo e tudo o mais.
b) Você deve fazer pelo menos 4 para ver se o crescimento do bebê está bom.
c) Eu recomendo fazer o menor número possível de exames, pois ainda não foi totalmente provado que o ultrassom é inóquo. Algumas pesquisas apontam para uma posssível alteraçao no cérebro em bebês que passam por muitos exames na gestação. Só vou pedir esses exames se tivermos que confirmar algum diagnóstico.
d) O máximo que o seu plano de saúde permitir antes de vir aqui me atazanar a paciência.

Resultados – some os pontos:
1- a(2) / b(1) / c(2) / d(3)
2- a(1) / b(3) / c(2) / d(2)
3- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
4- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
5- a(1) / b(4) / c(2) / d(3)
6- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
7- a(1) / b(2) / c(1) / d(3)
8- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
9- a(1) / b(2) / c(2) / d(3)
10- a(3) / b(2) / c(1) / d(2)
11- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
12- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)


Se seu médico fez entre 12 e 20 pontos: Fuja, saia correndo, ligue dizendo que você não está grávida, era um engano, foi apenas má digestão. Você tem certeza que ele tem um diploma válido em território nacional? Ter um parto com esse médico e sair ilesa é tão garantido quanto acertar na Megasena, sem ter comprado um bilhete.

Se seu médico fez entre 21 e 30 pontos: É melhor você trocar de médico e procurar alguém mais antenado com as novas tendências em atendimento obstétrico. Seu médico pode até ser bem intencionado, mas definitivamente é mal informado. Pode ser que dê um bom ginecologista, mas como parteiro deixa muito a desejar!

Se seu médico fez entre 31 e 37 pontos: O cara é fera, conhece e aplica as recomendações da Organização da Saúde e as evidências científicas. Aparentemente evita procedimentos médicos que podem atrapalhar o trabalho de parto. É respeitoso e honesto. Parece um cara do bem, um bom partido. Me arruma o telefone dele?

Por Ana Cristina Duarte - Obstetriz

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Caros cesaristas de plantão: elas pedem ajuda e não cesárea!!" — com Braulio Zorzella

E enquanto isso em Jaú (interior de São Paulo)... no SUS...

"Ela chegou gritando e esperneando como se estivesse sendo torturada... A conheci hoje, no plantão de retaguarda da maternidade que tem 98% de cesáreas pelo SUS, restanto os 2% de Parto Normal dos dias que estou de plantão, isso mesmo
que ouviram 98% de cesáreas pelo SUS! 
 

Ela com 23 anos, terceira gestação, 2 cesáreas anteriores, 38 semanas, bolsa rota e 5cm de dilatação, colo finíssimo, apresentação baixa. A mãe chorando e as duas juntas pedindo "PELO AMOR DE DEU DOUTOR, FAÇA UMA CESÁREA". Sentei ao seu lado no pré-parto, apaguei as luzes, pedi pra enfermagem sair (nesse hospital elas não tem a mínima prática com PN). Entre as contrações ela acalmou-se porém durante elas virava bicho e não ouvia nada, se contorcendo e gritando que o médico do pré-natal falou que ela não podia ter parto normal de jeito nenhum pois no caso dela era impossível! Perguntei se ela já quis algum dia ter PN e ela disse que sempre quis mas os médicos sempre falaram que ela não podia. No primeiro bacia estreita, no segundo não dilatou e agora pois já tinha 2 cesáreas.

Insisti mais um pouco em tentar acalmá-la e explicar os possíveis benefícios do bebê nascer natural, mas foi em vão naquele momento. A enfermagem e a pediatra me olhando com olhos de "oque vc está esperando pra chamar o anestesista pra cesárea?". Falei em voz baixa PARA O BEBÊ NÃO OUVIR: "Liga pro anestesista e diga que teremos uma cesárea!" Percebi que contentei a todos nesse momento. A paciente, a mãe, a enfermagem e a pediatra. Chegou o anestesista que não viria para uma analgesia de parto se eu chamasse, mas... pedi que fizesse uma dose menor apenas para tirar a dor mas que não seria cesárea!

Todos se assustaram..."Como assim? Com 2 cesáreas anteriores? Aquele olhar de "ele deve estar louco!". Anestesia feita, a dor passa, suficiente pra EU CONSEGUIR CONVERSAR COM ELA: "E agora, está bom pra vc assim? A dor melhorou? Seu problema está resolvido? Vamos resolver o do bebê agora. O bebê está super bem, e me disse que está querendo muito nascer de parto normal. Ele não sabe ainda que vai ser cesárea. Ele está na posição e quase saindo e vc tem a passagem ótima pra ele, vamos tentar ou se preferir ainda posso fazer a cesárea". Ela me olhou, arregalou os olhos ao mesmo tempo que veio um puxo e começou a fazer força...Ela sorriu e percebeu que podia... Fez mais força e se empolgou! Na terceira ele nasceu perfeito e com nota 10 do pediatra. Foi ao colo da mãe que o beijou muito dizendo: Sempre me falaram que eu não ia conseguir! Não acredito que consegui fazer isso!... Caros cesaristas de plantão: elas pedem ajuda e não cesárea!!"

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Eles estão contra NÓS!!

Eu andei meio sumida aqui do Blog, por ser férias e por algumas questões de reflexão também...
Mas hoje não poderia deixar de POR A BOCA NO TROMBONEEEEE!!




Gente, o CREMERJ pirou? É isso????

É uma PA-LHA-ÇA-DA!!! Está tudo bem aqui!

Eles são contra partos domiciliares, eles são contra doulas, obstetrizes e parteiras no acompanhamento das parturientes, eles agora se recusam a atenderem partos que tiveram início em casa...

Esse joguinho de "quem pode mais" que o CREMERJ está fazendo já passou dos limites...Eles estão indo contra tudo que o Governo, junto com o Ministério da Saúde, vem buscando para melhorar no atendimento às gestantes e contra o DIREITO da mulher, o direito de escolha.

E em relação as doulas, eles se acham no direito de impedir o livre exercício do trabalho...por que SIM, ser doula é também uma profissão, inclusive já reconhecida pelo Ministério do Trabalho.

Já não se trata só da luta para garantir melhores atendimentos e o direito a um parto Humanizado, trata-se de um orgão que representa toda uma classe ter a pretensão de ir contra o governo, contra as evidências e principalmente contra as mulheres!!

Denunciem!!!
Qualquer cidadão pode ir contra esse abuso de poder!
Divulguem!! Faça aqui sua denúncia!!!  Ouvidoria
Isso não pode ficar assim...

Petição pública: Solicitação de posicionamento frente as resoluções 265 e 266/12 do CREMERJ


sábado, 16 de junho de 2012

“Muitos médicos se sentem ameaçados pelo fato das enfermeiras poderem atender partos”




O médico Jorge Kuhn diz que prestígio e interesses financeiros de médicos são afetados pelo parto humanizado domiciliar.


Da Revista Fórum.

Jorge Kuhn, coordenador do Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo, falou com a reportagem de Fórum sobre sua posição em relação ao parto humanizado domiciliar e as condições para que ele seja realizado. O Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) encaminhou denúncia ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo), por conta de uma entrevista concedida por ele no último domingo, 10, ao Fantástico, o que pode valer a cassação do seu registro profissional. Confira trechos da entrevista abaixo.

Condições para o parto domiciliar humanizado
Como afirmei ao Fantástico, apoio a iniciativa do parto humanizado desde que tenha três condições básicas. A primeira condição é que o desejo parta da mulher e do marido. Essa é a condição fundamental. O parto domiciliar não é uma sugestão do profissional de saúde, ou seja, médico, enfermeira ou parteira. A iniciativa tem que partir sempre da mulher, ela vai dizer “doutor, eu quero fazer o meu parto na minha casa”, aí eu aprofundo a conversa perguntando para ela o quanto ela quer este parto domiciliar e o motivo deste desejo. Vou aprofundando as perguntas como se fosse uma árvore, que você começa com uma pergunta e, a partir da resposta, tem os galhos que vão se ramificando.
A segunda condição é uma gestação de absoluta normalidade. Ela não pode ter nenhuma intercorrência, nenhum problema de saúde, nem ela e nem o bebê. Qualquer intercorrência durante a gestação deve levar o parto a ser hospitalar. É a chamada gestação de risco.
O terceiro ponto é que, por ser uma gestação de baixo risco e haver a possibilidade de se transformar em uma gestação de alto risco durante o parto, pode haver uma necessidade de remoção, do transporte materno ou do bebê para um hospital, então é fundamental que ela tenha um plano B. Ou seja, um hospital de referência que fique a menos de 20 minutos da sua residência. Para isso, costumo dizer assim: faça o trajeto da sua residência ao hospital X num domingo de manhã, de trânsito livre, para você ver o percurso mais rápido, e faça esse mesmo trajeto numa sexta-feira no começo da noite, para ver o tempo do percurso mais lento. Assim, ela pode achar um hospital que tenha toda a infraestrutura necessária para uma operação cesariana de emergência ou para uma necessidade de uma UTI, tanto para a mãe quanto para o bebê.

Denúncia do Cremerj
Acho que existem muitas variáveis que podem estar envolvidas. Veja bem, “podem” estar. Quem sou eu para analisar isso, afinal, não participo dos conselhos, já participei do Cremesp e de uma entidade chamada Câmara Técnica da Saúde da Mulher, mas não posso saber sobre a atual legislatura . Ainda não recebi a denúncia, então não sei no que eles se baseiam para me denunciar. Mas, de qualquer forma, nós sabemos que de uma maneira geral médicos não querem que enfermeiras atendam partos. De uma maneira geral, lógico que existem exceções, como eu e muitos outros.
Mas eu não estou sozinho. Não invento nada, não sou nenhum criador ou gênio. O que falo é produto de muita leitura, baseado em evidências científicas de primeira qualidade e também na minha experiência pessoal. A OMS já preconiza desde 1985 que o parto é um evento natural na imensa maioria das vezes, digamos, 90% das vezes, e a mulher não precisa do médico para parir. É um ato fisiológico, é um ato natural. Quando você tem duas ou mais profissões que podem fazer a mesma tarefa, no caso, médicos, enfermeiras e parteiras, vai haver conflitos de interesses. Não só de prestígio, como interesses financeiros. Acredito sim que muitos médicos se sentem ameaçados pelo fato das enfermeiras poderem fazer partos.

Doulas, médicos e enfermeiras
Para dar um exemplo, existe a figura da doula, que é uma acompanhante. Não é uma profissão, e sim uma ocupação, reconhecida pelo Ministério do Trabalho. Não tem sindicato nem lei do exercício profissional. Existem doulas que estão tão bem na sua ocupação que ganham quatro vezes mais que um médico para atender um parto. Isso causa no mínimo uma estranheza na classe médica. Uma profissão que não é profissão, uma ocupação, que exige evidentemente muita dedicação, não tem hora, dia ou lugar para a mulher entrar em trabalho de parto.
É uma ocupação muito difícil. É preciso gostar muito do que faz, mas ela pode ser melhor remunerada que o médico. Da mesma forma que os médicos não aceitam enfermeiras para realizarem partos, muitas enfermeiras não aceitam doulas para atender partos. Não estou dizendo que a doula vai realizar o parto, e sim apoiar. Quem pode atender uma mulher em trabalho de parto, no hospital ou em casa, é o médico, a enfermeira ou a parteira. Mas a doula é uma figura fundamental, ela fica ao lado da mulher o tempo todo dando o apoio afetivo e emocional. Acho que sim, há interesses mercantilistas, porque muitos médicos se sentem muito incomodados com essa situação, assim como muitas enfermeiras se sentem muito incomodadas com o fato de doulas acompanharem partos, porque vão ganhar por isso.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Passos de formiguinha...

Há dias eu ando com borboletas no estômago...ansiosa, na espera pelo dia de hoje! Quem ler isso vai pensar um monte de bobagens...kkk, mas eu explico!



Desde que comecei a me interessar pela idéia de Humanização, estou estudando, lendo bastante, fiz alguns cursos, fui conhecendo as pessoas, que assim como eu estão se engajando nesse mundo, ou já entraram nele de cabeça. Em Janeiro desse ano fiz meu curso de doula no GAMA e voltei com sede de colocar as idéias em prática. Mas logo me frustrei...fui fazer estágio curricular da faculdade e a idéia de ser doula aos poucos estava se apagando na minha cabeça, porque achava que aqui em Botucatu as pessoas ainda não estavam abertas o suficiente para a idéia de humanização! Me enganei...

Na verdade hoje estou animadíssima, acho que cada coisa tem seu tempo e que na verdade existe SIM a possibilidade de ser doula por aqui! Só me faltava conhecer as pessoas certas. Pessoas envolvidas nessa questão e que lutam e trabalham por isso.



Hoje foi o último dia do curso de Patologia obstétrica que venho fazendo, e contamos com a presença da Dra Melania Amorim, obstetra humanizada que trabalha com medicina baseada em evidências, Profª Dra Roxana Knobel (Universidade Federal de Santa Catarina) e a Parteira mexicana Naoli Vinaver, fiquei extasiada! São mulheres de uma sensibilidade gritante!!! E fora toda minha tietagem...kkk, esse encontro me despertou a esperança...e junto com ela a minha sede de ser doula está de volta.



Conheci várias doulas da região que já eram minhas amigas (de Facebook! rss) e que finalmente conseguimos nos encontrar pessoalmente... E surgiu até a idéia de (emfim!!!) formamos um grupo juntas. Como costumamos dizer, lutar pela humanização é dar passos de formiguinha, mas hoje lá no curso...com todas nós doulas juntas, me senti em um verdadeiro formigueiro! kkkk

Bjos meninas, espero que a gente se encontre mais vezes! :) ADOREI conhecer vcs!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Mãezinha é a vovózinha!

 A gente aprende na faculdade (ou pelo menos deveria aprender!) a respeitar a individualidade de cada paciente. E pra quem já esteve grávida um dia, sabe bem do que eu estou falando...muitas vezes a gestante ("deixa de existir"...vira apenas uma casinha ambulante, afinal...ali dentro daquela liiiiiinda barriga existe um bebê que todos não vêem a hora de olhar pra carinha e muitas vezes as gestantes se sentem um pouco deixadas de lado em um momento em que na verdade elas precisariam de MUITO mais atenção. Enfim...falando do respeito e da individualidade que a gestante merece e espera, li um pequeno texto da Dra Melania Amorim - Obstertra, sobre o modo como muitas vezes os profissionais tratam as gestantes e achei ótimo, veja se não EXATAMENTE oque acontece!




"Mamãe", "mãe", "mãezinha", "gravidinha": Por que não tratar gestantes dessa maneira?

Apelidos aparentemente carinhosos apontam para dois problemas, quando analisamos o seu uso por profissionais de saúde: a desqualificação da mulher enquanto protagonista, "reduzindo-a" a um ser infantilizado, alienado e incapaz de tomar as rédeas de sua gravidez e do parto e a sua despersonalização e "coisificação" dentro da instituição, o que também pode ser considerado, por trás de uma fachada de gentileza e carinho, como violência institucional.

Gestantes e parturientes devem ser tratadas por seus nomes, e fazer questão disso. Eu, particularmente, sempre odiei ser tratada por "mãezinha" nas poucas vezes em que levei os meus bebês em médicos que eu não conhecia pessoalmente. Não sou mãezinha! Sou uma mulher forte, empoderada, que tem dois filhos e cuida deles, além de ter uma carreira, como médica, parteira, professora e pesquisadora.

Da próxima vez em que receberem esses apelidos, experimentem tratar os profissionais de saúde por "doutorzinho" ou "mediquinho" ou "enfermeirinha". Qual deles irá atender sem se sentir ofendido? E vamos, todos, profissionais de saúde e usuárias, nos policiar para evitar a verbose, que é a "doença da palavra". Não é somente uma questão semântica, é que a forma de tratamento reflete exatamente o modelo tecnocrático, medicalocêntrico, no qual estamos inserindo. "Coisificar" e "despersonalizar" o paciente reforça uma relação hierárquica e contribui para centrar a tomada de decisão exclusivamente nas mãos dos médicos (mas isso vale para outros profissionais de saúde).

Por uma relação simétrica e pelo respeito à individualidade de cada um, não poderemos continuar "pacientes" com esse tipo de tratamento.


quarta-feira, 21 de março de 2012

Falando de Parto Humanizado - Jogando limpo!!


Quando o assunto é parir logo se cria uma grande polêmica ...infelizmente as coisas se inverteram. O que deveria ser natural virou a exceção, e o que deveriam ser exceções acabaram se tornando a coisa maaaaais natural do mundo. A cultura da cesárea fincou raízes, e as pessoas acabaram se convencendo ( na verdade se deixando convencer...) de que o curso natural de um parto é no final de tudo, fazer uma cesárea. Vai lá, escolhe um dia, o que for melhor para a mãe, ou (principalmente!) para o médico, interna, abre, corta, tira o bebê e pronto...tá feito. Pra que sentir dor, não é mesmo? Ninguém é menos mãe por fazer uma cesárea...

Outra dia vi uma pessoa compartilhando o vídeo do nascimento do Lucas, da Sabrina Ferigato e comentando: "Pra mim uma mulher dessa é louca!! Pra que passar por isso?" , coisas assim me deixam INDIGNADA! Não é possível, alguém assistir uma parto daquele e não se emocionar...ou não desejar uma experiência de parto assim...

Tenho tido a chance de observar na prática, o quanto uma cesárea sem indicação pode ser perigosa, tanto para a mãe, quanto para o bebê...e MESMO ASSIM as pessoas NÃO ACORDAM!!!!
Tenho visto que nada se sabe do real significado de "Humanização" e que na maioria das vezes, nem se têem o interesse em saber...médicos dizendo que humanização é ridículo, e que um acompanhante junto com a gestante "só enche o saco!"

Partos feitos pelos SUS, infelizmente, ainda são verdadeiras carnificinas, com episiotomias de rotina e nenhum envolvimento emocional, nenhum respeito pelo sentimento da gestante e menos ainda com o bebê.

Não gosto de radicalismos, (apesar de em alguns aspectos ainda ser um pouco radical!) Mas as pessoas precisam se informar! E se empoderar mesmo, de suas escolhas, de suas opniões, de seu próprio corpo! Não dá pra sair falando AMÉM pra tudo que te dizem, principalmente quando se trata da SUA vida, do SEU corpo e do SEU bebê!!

Chegamos num ponto TÃO absurdo, em que nós, seres humanos, precisamos de um orgão governamental, como o Ministério da Saúde, chegar e dizer que: "de agora em diante, é legal nos tornarmos um pouco mais HUMANOS." ...Enfim...tá tudo errado!