sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Como utilizar a bola de pilates durante o trabalho de parto


O primeiro exercício mostrado no vídeo ensina a fazer movimentos circulares com o quadril sentada na bola. Esse exercício ajuda o bebê a descer, porque durante o trabalho de parto também é importante que o bebê desça enquanto o colo do útero dilata. É recomendado que a parturiente faça esse movimentos durante 15 minutos para um lado e depois 15 minutos para o outro. Depois pode movimentar a pelve pra frente e pra trás, depois de um lado para o outro.Ensina também como seria o período expulsivo em cima da bola, com a ajuda de um acompanhante.
Depois ensina duas posições para relaxamento no intervalo das contrações no trabalho de parto, também com a ajuda de um acompanhante. Ajoelhada no chão a parturiente se apoia no acompanhante. E depois uma posição de cócoras, recebendo massagem nos ombros.
A última posição mostrada consiste em ajoelhar-se no chão, e se apoiar na bola com os braços cruzados para um melhor apoio e se movimentar. A posição de quatro apoios é ótima para a evolução do trabalho de parto.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Marcha pela Humanização do Parto - 05 de agosto

Acho que finalmente as manifestação de apoio à mulher estão sendo ouvidas!!!

Juntas estamos caminhando e conseguindo manifestar nossos desejos!!!


Se você é mulher...ou também se não é...mas se acredita na Humanização, Bora lá marchar????????

A marcha acontecerá no dia 05 de agosto.



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A primeira vez a gente NUNCA esquece...

Quando uma mulher tem seu bebê, ela geralmente demora um tempo para conseguir fazer o relato desse parto...precisa digerir todas as situações, pensar sobre o que aconteceu, como as coisas progrediram...enfim...sentir!!
Sentir o seu momento, o que todo aquele misto de sensações realmente quis dizer pra ela...só pra ela...

E para uma doula também é assim...algumas vezes ( MUITAS vezes na verdade! ), antes de doular uma gestante, eu idealizei...sonhei, imaginei como seria, o que eu poderia fazer, como agir ...

Hoje, depois de um tempinho (que pra mim foi um tempão!!) eu pude sentir o que uma doula sente de verdade!!!

E foi MUITO bom!! Na verdade, um pouco indescritível até...



Mas depois de passar por esse dia, eu consegui perceber, que mesmo tendo em alguns momentos me sentido um pouco impotente, ou talvez um pouco insegura dentro daquela situação, o fato da mulher poder ter uma doula ao seu lado, principalmente no trabalho de parto, REALMENTE faz muita diferença pra ela!!!

Eu senti que consegui fazer o meu papel, que consegui fazer essa diferença...e quando menos percebi, estava me sentindo segura!

O que acontece é que talvez, enquanto a doula se sente um pouco impotente, ou um pouco insegura, a mulher que tem uma doula NÃO sente isso, e não tem que sentir...pelo contrário, ela se sente amparada, empoderada, segura.

E mesmo que em algum momento, a doula principiante aqui, tenha questionado o seu papel dentro de um contexto, logo em seguida vem uma vovó babona te agradecendo imensamente por estar ali, um pai mais babão ainda, achando o máximo a mulher dele ter tido uma doula...kkkkk
E o melhor de tudo...vem uma nova mãe, uma nova mulher, FELIZ consigo mesma, se sentindo uma leoa e tendo a certeza que fez de tudo, até onde pode, e com o bebê mamando lindamente que te olha nos olhos e te diz: Muito Obrigada!! Você ficou ao meu lado o tempo todo!!! :)

E aí eu me senti SUPER PODEROSA!!! kkkk
Me senti fazendo a diferença mesmo!!! Lutando por uma assistência à mulher que eu realmente acredito, por respeito, por cuidado, atenção...tenho certeza que nunca vou esquecer a carinha dessa mãe...e tenho certeza que essa família também vai lembrar de mim com carinho...e logo me peguei novamente idealizando...idealizando o futuro...


02 de agosto de 2012, a minha primeira vez... :)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Dia mundial da Amamentação

Hoje é um dia de grande importância...e não poderia passar em branco por aqui né!! :)


Então resolvi que esse dia passaria em preto-e-branco! kkkkkkk

Muito leite!! Muito amor!! Espero que gostem!!















terça-feira, 31 de julho de 2012

Encontro Nacional de Parteria Urbana 2012 - FOI SENSACIONAL!!!

Quem não foi perdeu!! Isso é FATO!!!



O evento estava lindo, cheio de gente que luta e acredita nos mesmo propósitos e ainda por cima muito bem organizado, clima agradável, comidinhas gostosas, enfim...eu não consigo muito bem definir todas as emoções que vivi lá...acho que somente quem foi entende bem o que estou falando!

E entre todas as emoções e regalias que recebemos e pudemos viver por lá, estava entre elas a exibição em primeira mão do filme: "O Renascimento do Parto", foi indescritível...
Eu tenho ABSOLUTA certeza que esse filme vem para contribuir e ser um marco na história da assistência obstétrica no Brasil.


Carta de Sorocaba
NuPar – Núcleo de Parteria Urbana da ReHuNa

“Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças”.
(Fernando Pessoa)

Nós, ativistas da humanização do nascimento, reunidos na cidade de Sorocaba nos dias 27 a 29 de julho de 2012, no I ENAPARTU - Encontro Nacional de Parteria Urbana, vimos por meio desta manifestação tecer considerações e propostas sobre o atual estado da assistência ao parto no Brasil.

Desta forma consideramos:

1. A necessidade da proteção do parto normal como evento biológico, fisiológico e culturalmente construído, diante da ameaça a que está submetido pelo alto índice de nascimentos cirúrgicos nas cidades brasileiras. O Brasil já atingiu a vexatória marca de 52% de cesarianas no ano de 2011, e a Agencia Nacional de Saude Suplementar (ANS) aponta que 84,5% dos nascimentos da classe média ocorrem pela via cirúrgica, o que por si só pode ser considerado uma violência contra a integridade física das mulheres.
2. A importância de oferecer uma assistência humanizada em face dos altos índices de violência institucional às mulheres como recentemente comprovada por pesquisa da Fundação Perseu Abramo demonstrando que 25% das mulheres relatam algum tipo de violência durante sua permanecia no hospital. Essa violência é caracterizada como violência de gênero que atenta contra dignidade humana em um momento de vulnerabilidade e alto significado cultural.
3. Os recentes episódios envolvendo o constrangimento para o trabalho e autonomia de obstetrizes e doulas na assistência à gestante limitam a visão transdisciplinar da assistência ao parto, o que configura um desrespeito à liberdade de escolha da mulher enquanto cidadã.
4. O estabelecimento artificial do momento do parto por interesses outros que não da fisiologia do processo desencadeiam malefícios para o binômio mãebebê com consequências a curto médio e longo prazos.
5. A deficiência dos órgãos formadores de profissionais, em nível de graduação e pós-graduação, que atendem o nascimento e recém-nascido podem afastar estes profissionais de uma vivencia respeitosa com a fisiologia do processo.
6. A adoção acrítica do modelo tecnocrático que despreza as visões integrativas da parturição despersonaliza e objetualiza as gestantes, limita a abrangência cultural, psicológica, afetiva, emocional e espiritual do nascimento.
7. A visão contemporânea do nascimento é marcada pelo signo do medo necessitando que essa visão seja transformada em uma visão positiva, com base na confiança.
8. A negativa de cumprimento, pelos hospitais públicos e privados, da lei do acompanhante de 2005, assim como o bloqueio da presença de doulas, agridem o trabalho desses profissionais assim como a liberdade de escolha das parturientes.
9. A deficiência de registros e a inexistência de divulgação de práticas hospitalares que nos possibilitem uma avaliação de projetos que visem à humanização.
10. A falta de preparo técnico e profissional para uma ação conjunta que ofereça suporte ao atendimento do parto no ambiente extra-hospitalar
11. A desvalorização dos profissionais envolvidos no parto tanto quanto a sua baixa remuneração, no setor púbico e no setor privado, levam à qualidade inadequada da assistência ao parto e nascimento.

Diante dessa situação, propomos:

1. Ressaltar o protagonismo da mulher como preceito fundamental na assistência ao parto.
2. Resgatar o nascimento como um evento integral respeitando as culturas onde ele esta inserido.
3. Reforçar a visão transdisciplinar na atenção ao parto estimulando um esforço colaborativo, com ênfase na horizontalidade, respeitando as especificidades e estabelecendo como foco primordial a atenção integral à mulher, bebê e família.
4. Estimular que os órgãos formadores, de graduação e pós-graduação, incluam nos currículos aspectos da humanização e nascimento, baseados nas evidências cientificas atuais. Recomendamos a criação de sistemas nacionais de avaliação curriculares sobre esse tema, assim como estímulo à criação de grupos de pesquisa sobre práticas baseadas em evidencias na atenção à gestação e ao parto e nos cuidados com recém-nascido.
5. Conscientizar as mulheres e sociedade sobre o risco associado ao excesso de intervenções no ciclo grávido-puerperal.
6. Incentivar a criação, manutenção e proteção dos cursos de formação de obstetrizes e na pós-graduação em enfermagem obstétrica, para preencher a lacuna de assistência existente nas grandes cidades. Estimular a adoção de políticas de inclusão de obstetrizes, enfermeiras obstétricas e doulas no sistema público e suplementar, através de legislação e política de inclusão na atenção direta ao parto, devendo essa assistência ser coberta e remunerada inclusive pelo sistema suplementar.
7. Ressaltar a importância do parceiro(a) no processo de nascimento, pois esta presença se correlaciona positivamente com o fortalecimento dos laços familiares, o que contribui para a diminuição da violência doméstica.
8. Investir na formação e capacitação dos profissionais habilitados e reconhecidos pela OMS: o obstetra, médico de família, enfermeira obstetra e a obstetriz.
9. Estimular programas e publicações governamentais de educação continuada, voltados à humanização do nascimento.
10. Estimular a criação de novos espaços de atenção ao parto extra-hospitalar assim como a proteção dos já existentes, dentro de um programa nacional de humanização do nascimento pelo Ministério da Saúde. Regulamentar e fiscalizar a atuação de parteiros urbanos, dentro de parâmetros de segurança, garantindo a ampla escolha do local de parto pelas mulheres e suas famílias.
11. Estimular uma visão colaborativa e fraterna entre todos os espaços de atenção ao parto, visando uma abordagem integrativa do ato do nascimento e oferecendo uma ampla gama de alternativas para as mulheres.
12. Incluir o ciclo gravídico puerperal nos currículos escolares dentro da disciplina de “Educação Sexual”, reforçando os aspectos sociais, culturais e psicológicos, além dos aspectos biológicos e reprodutivos.
13. Estimular a capacitação, formação e educação continuada de doulas para complementar a assistência integral à gestante, oferecendo apoio nos aspectos emocionais e físicos para ela e sua família.
14. Fazer valer a RDC 36/2008, que regulamenta qualquer estabelecimento de atenção obstétrica, assim como realizar a sua fiscalização efetiva.

Sorocaba, 29 de julho de 2012.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Eles estão contra NÓS!!

Eu andei meio sumida aqui do Blog, por ser férias e por algumas questões de reflexão também...
Mas hoje não poderia deixar de POR A BOCA NO TROMBONEEEEE!!




Gente, o CREMERJ pirou? É isso????

É uma PA-LHA-ÇA-DA!!! Está tudo bem aqui!

Eles são contra partos domiciliares, eles são contra doulas, obstetrizes e parteiras no acompanhamento das parturientes, eles agora se recusam a atenderem partos que tiveram início em casa...

Esse joguinho de "quem pode mais" que o CREMERJ está fazendo já passou dos limites...Eles estão indo contra tudo que o Governo, junto com o Ministério da Saúde, vem buscando para melhorar no atendimento às gestantes e contra o DIREITO da mulher, o direito de escolha.

E em relação as doulas, eles se acham no direito de impedir o livre exercício do trabalho...por que SIM, ser doula é também uma profissão, inclusive já reconhecida pelo Ministério do Trabalho.

Já não se trata só da luta para garantir melhores atendimentos e o direito a um parto Humanizado, trata-se de um orgão que representa toda uma classe ter a pretensão de ir contra o governo, contra as evidências e principalmente contra as mulheres!!

Denunciem!!!
Qualquer cidadão pode ir contra esse abuso de poder!
Divulguem!! Faça aqui sua denúncia!!!  Ouvidoria
Isso não pode ficar assim...

Petição pública: Solicitação de posicionamento frente as resoluções 265 e 266/12 do CREMERJ


terça-feira, 26 de junho de 2012

A Partolândia

Vi esse texto no facebook da Renata Olah e achei SENSACIONAL!!!
Fala sobre o que é a tão falada partolândia e como chegar lá!


A Partolândia




 

Existe um lugar secreto pra onde podemos ir. É um lugar pouco divulgado, antes mais pessoas visitavam, hoje apenas uma minoria tem a oportunidade de ir até lá. Mas todas as pessoas que já foram costumam descrever-lo como um lugar mágico.

Eu mesma nunca tinha ouvido falar. Depois que comecei a freqüentar grupos de mulheres que relatavam seus partos passei a ouvir a tal frase misteriosa: “então entrei na partolândia” e eu me perguntava: “que raio é esse de partolândia? Como se faz pra ir até lá? Pra quê ir até lá? O que tem lá?”.

Pra variar, fui estudar o assunto e descobri um mundo à parte. A verdade é que a partolândia tem vários endereços. Ela está dentro de cada fêmea deste mundo. Não é feita de conceito, não tem forma definida, não é construída através de cultura ou criação. Ela simplesmente está lá. E não requer exercícios específicos, treinamentos pra saber entrar nela. Nem se trata de um privilégio pra poucas. Sendo uma mulher prestes a parir, já é suficiente pra se ter o ingresso nas mãos.

O problema é que hoje em dia há trombadinhas especialistas em roubar tal ingresso das mãos de mulheres em trabalho de parto. Nem sempre esses trombadinhas são pessoas necessariamente. Algumas mulheres chegam a entrar na partolândia e são arrancadas de lá. Outras nem chegam a conhecer esse maravilhoso lugar e nem ficam sabendo de sua existência. Na verdade, alguns trombadinhas são bem intencionados, mas por não saberem da existência da partolândia e suas maravilhas, num ato que acreditam ser benéfico acabam tirando essa oportunidade da parturiente.

Hoje em dia o maior medo de uma gestante é o de sentir muita dor no trabalho de parto. É um pavor que vem sendo cultivado pela nossa sociedade através de uma catequização constante de que o parto é sofrido e doloroso. Vemos mulheres sofrendo horrores no parto em novelas, filmes e até programas de TV que prometem mostrar um parto real. Quantas vezes assisti a partos Frank (frankstein) no Discovery Home & Health com mulheres urrando de dor em posição frango assado suplicando pela anestesia com médicos e enfermeiras ao seu redor fazendo toque a todo momento pra saber a quantas anda a dilatação e falando o tempo todo com essa mulher: “vamos, faça força! Respira! Vamos! De novo! No 3 hein! 1-2-3, forçaaa!”. A coitada lá, suando, fazendo respiração cachorrinho quando de repente vem um anestesista e acaba com o sofrimento. Ela continua fazendo força, mas agora não se sabe por que o bebê não sai. Gritam com ela: “você não está fazendo força o suficiente! Vamos, força!”. O bebê então entra em sofrimento fetal visto através dos batimentos cardíacos no cardiotoco ligado desde o momento em que a mãe chegou na maternidade. O médico apela pro fórceps de alívio. Algumas vezes dá certo, outras não e a cesariana finalmente salva a vida do bebê. Em novelas da Globo é comum ver mulheres com um pano na boca pra morder de tanta dor, gritando e uma parteira molhando uma compressa (que até hoje não sei pra que serve) numa bacia de água. Essas verdadeiras visões do inferno contribuem pra que se propague cada vez mais uma visão negativa e aterrorizante de um evento natural, fisiológico e cheio de significado na vida de um ser-humano.

O medo da dor é reforçado através de relatos tenebrosos de parto normal que sempre culminam em tragédias. Depois de muito sofrimento materno, a maioria deles termina em crianças com retardo mental por falta de oxigenação, morte por enforcamento pelo cordão umbilical, morte por decapitação pelo fórceps e outras atrocidades. Geralmente as explicações são associadas ao corpo da mãe que não se comportou como deveria ou por ser defeituoso (falta de abertura, falta de dilatação, força insuficiente) ou como se fosse traiçoeiro (o bebê passou do tempo e começou a sofrer dentro da mãe, por exemplo). Mas tudo isso eu já falei em posts anteriores. O problema é que essa dor horrenda e esses episódios de sofrimento materno e fetal têm em 99% dos casos alguns fatores em comum que são ignorados pela maioria: ocorrem em maternidades, são explicados e registrados em prontuários por médicos e a mulher encontra-se em uma situação sempre semelhante: rodeada de pessoas (em sua maioria desconhecidas), num ambiente frio com luz forte, posição frango assado, restringida, etc. E a grande maioria não conhece a partolândia.

Seria o caso de perguntar: o que o hospital/maternidade tem a ver com o sofrimento, com a dor com o fato dessas mulheres não conhecerem a partolândia? O que a falta da partolândia tem a ver com o sofrimento? Afinal de contas...o que é essa partolândia?!? Então vamos nos aprofundar mais nisso.

O ser humano tem o cérebro mais avançado do reino animal. Isso se deve à formação do neocórtex, uma camada fina encontrada em volta do cérebro. O neocortex é responsável pelos pensamentos, pelo raciocínio. Abaixo do cérebro temos uma glândula famosa chamada hipotálamo. Ele é responsável pelo comportamento instintivo de todos os animais, inclusive nós humanos. Controla o sistema involuntário que mantém a temperatura, produz a fome quando precisamos nos alimentar secretando hormônios que atuam nas glândulas supra-renais. As supra-renais liberam outros hormônios que atuam diretamente no nosso comportamento em diferentes situações. Portanto, é o Hipotálamos que desencadeia processos primordiais para a continuação da espécie.

Para preservar a espécie, somos levados a dormir, acordar, caçar (na antiguidade), comer, beber, fazer necessidades, fazer sexo, gestar, parir, cuidar das crias, defender-se, fugir do perigo, etc. Cada comportamento é regido por uma cascata de hormônios e neurotransmissores (substâncias cerebrais) que em algumas circunstâncias podem ter sua secreção prejudicada pela ativação inadequada do neocortex.
O neocortex é ativado através de estímulos externos que levam o individuo à situação de alerta, como a necessidade de raciocinar. Perguntas, luz forte, ser observado, etc. Quando o neocortex é ativado, o hipotálamo pode sofrer um rebaixamento de sua atividade. Outras vezes, a ativação do neocortex leva a uma interpretação da situação que exige que o hipotálamo secrete uma substância contrária à que estava sendo secretada anteriormente. Por exemplo: uma substância secretada no estado de relaxamento que pode levar ao êxtase ou ao sono pode ser interrompida por um barulho que é interpretado como perigo levando o individuo a secretar adrenalina. O mesmo ocorre quando se é tocado repentinamente ou quando algo nos estressa. Pode ser o apito de uma máquina que verifica os batimentos cardíacos, a cara de preocupação do médico, uma enfermeira irritante, o marido nervoso, a sogra apavorada.

Então imaginemos uma pessoa adormecendo. Ela repousa num ambiente tranqüilo, com pouca ou nenhuma luz, silencioso ou com um som de fundo quase que hipnótico, ela vai se desligando dos problemas, dos pensamentos, entrando num estado de consciência completamente diferente como se mergulhasse em si mesma e finalmente dorme. A partir daí passa por vários estágios do sono a começar por alpha, que serão repetidos algumas vezes durante esse período de descanso. Com certeza se ocorrer um barulho, se acenderem uma luz forte na cara dessa pessoa, se tocarem nela principalmente de forma abrupta, se começar a fazer muito frio, se começarem a fazer perguntas ou se ela se sentir observada, seu estado muda automaticamente para a vigília e o sono é interrompido. E assim é um trabalho de parto (TP).

O TP deve ser comparado às necessidades básicas (principalmente dormir e fazer sexo) porque é igualmente regido pelo hipotálamo. Quando nos deixamos levar pelo TP em si sem nenhuma interrupção externa, sem nenhuma intervenção, somos automaticamente levadas á partolândia. Portanto, a partolândia nada mais é do que um estado de consciência que permite à mulher se comportar de maneira instintiva. A introspecção é o primeiro sintoma e isso pode começar dias antes quando a mulher começa a não querer participar de eventos coletivos e prefere ficar em um ambiente que julga seguro (na maioria das vezes sua própria casa) esperando a hora chegar. Quando o TP se inicia, a introspecção começa a ficar mais evidente mostrando a necessidade de fazer uma viagem para dentro de si.

Em muitos relatos de parto natural (sem intervenções) observo que as mulheres começam contando detalhadamente cada acontecimento e conforme o relato é desenvolvido, os detalhes vão se perdendo. Isso se deve à mudança de estado de consciência dessas mulheres que acabam por se desligar do mundo externo e entrar na partolândia onde apenas sensações são registradas e os pensamentos são quase inexistentes. Muitas vezes não se lembram quem estava presente, o que falaram. Apenas as sensações são descritas e eu nunca li ou ouvi nada parecido com sofrimento. Assim como quando dormimos ou temos um sexo satisfatório que nos leva a um orgasmo.

Há tempos já se sabe as principais substâncias secretadas durante a estadia na partolândia. No entanto, sabia-se apenas suas funções fisiológicas e que suas quantidades se modificam em cada estágio do TP. A ocitocina é responsável pela contração e a dilatação uterina. É a primeira a ser secretada no TP. As endorfinas atuam como analgésicos naturais relaxando a musculatura esquelética e diminuindo as sensações dolorosas. A adrenalina torna a atividade de expulsão do feto, no final do TP, mais eficaz. Hoje já se sabe que a atuação dessas substâncias vai além do físico alterando o comportamento, o que pode facilitar o entendimento das necessidades da parturiente e inclusive saber quanto seu útero está dilatado apenas observando como ela se comporta evitando, assim, toques desnecessários que podem tirar a mãe da partolândia.

Nota-se que nos partos naturais, logo após o nascimento, a mulher tende a posicionar-se de joelhos ou a sentar-se. Esta liberação de adrenalina é favorável aos mamíferos em geral, pois coloca a fêmea em situação de alerta. O bebê recebe parte desses hormônios do parto e, ao nascimento, está com as pupilas dilatadas. Ambos, o bebê e a mãe, possuem então condições fisiológicas para o contato olho no olho, fundamental na espécie humana.

A ocitocina é chamada de hormônio do amor por estar presente durante o orgasmo. Assim como no parto, a mulher não consegue chegar às vias de fato se não se entregar e se desligar do mundo externo. E só há entrega se ela estiver se sentindo à vontade e segura, num ambiente que propicia a concentração. Durante o orgasmo, assim como no TP, a ocitocina promove a contração uterina e é por todas essas semelhanças que dizemos que o parto faz parte da vida sexual dessa mulher. Portanto, o ambiente adequado pra ela parir é semelhante ao que ela considera ideal para fazer sexo. Um ambiente inadequado pode gerar inibição, medo, irritação e outras sensações desagradáveis que a fazem liberar adrenalina. Nesta fase do TP, a adrenalina compete receptores sensoriais com a ocitocina, o que quer dizer que a adrenalina inibe o efeito da ocitocina retardando o TP e aumentando a dor. A partir do momento em que o bebê nasce, a taxa de ocitocina na mulher chega ao seu ápice e é passada para o bebê através do cordão umbilical. Desse modo, ao se olharem, mãe e filho criam um vínculo forte que acelera o estabelecimento de uma interdependência que mais tarde culmina no amor entre os dois.

A ação das endorfinas é potente. Até a mulher atingir 8cm de dilatação a dor vai aumentando, porém continua suportável. A função da dor é estimular a secreção das endorfinas que trarão uma sensação prazerosa e concomitantemente a diminuição da dor. Principalmente se a secreção e propagação de endorfinas forem aceleradas através do relaxamento muscular e da dilatação dos vasos sanguíneos. Pra isso, existem métodos como massagem e água quente na região lombar.Se um estímulo externo tirar a parturiente da partolândia causando susto, constrangimento ou medo, ela liberará adrenalina que tem ação vaso-constritora dificultando a chegada das endorfinas, o que aumenta consideravelmente a dor. A partir da dilatação total (10cm), a maioria dos relatos revela que a dor diminui, isso comprova que a secreção de endorfinas já está a todo vapor. São opiáceos da família da morfina que não só tiram a dor mas ajudam a mulher a entrar nesse estado de consciência alterado e prazeroso. Hoje é sabido que o bebê também já secreta suas endorfinas e experimenta sensação semelhante durante o parto.

Com dilatação total, a ação da adrenalina se torna importante para a fase expulsiva do TP. Sua secreção nesse momento permite a ejeção. No sexo é responsável pela ejaculação, na amamentação é responsável pela ejeção do leite e no parto é responsável pela expulsão do bebê. A mulher se torna atenta, algumas vezes agressiva na medida exata para finalizar o TP e para cuidar de seu bebê assim que ele nasce. É comum ainda um estado de euforia devido às endorfinas combinado com a sensação de extrema energia e alerta importantes nesse momento. A dor simplesmente não existe mais. Os relatos são unânimes.

Durante a gestação, a mulher secreta prolactina que é responsável pela fabricação do leite. Este leite (chamado de colostro num primeiro momento) é armazenado nos alvéolos das mamas. Ao redor desses alvéolos existem células musculares que ao se contraírem, fazem com que os alvéolos secretem o leite. No momento do parto, o alto nível de ocitocina promove essa contração culminando na ejeção do leite por conta da adrenalina. Esse é o motivo pelo qual o leite desce mais rápido num parto natural.

Infelizmente, muitos médicos ignoram a partolândia criando protocolos infundados nas maternidades cheios de intervenções invasivas e desnecessárias. O fato da mulher ter de responder a uma série de perguntas faz com que ela ative o neocortex por ter de raciocinar o lado primitivo do cérebro e, portanto, dificultando o ingresso á partolândia. A sala fria desconcentra. Muitas pessoas observando inibe. Toques vaginais freqüentes também. A luz forte ativa o estado de alerta e o ambiente estranho gera insegurança. O fato da mulher ficar restringida numa maca desconfortável sem poder mudar de posição é uma das coisas que mais dificulta (se não impedir) o ingresso á partolândia. Além de desconfortável e inibitória, a posição de frango assado (proibida durante toda a gestação) faz com que o peso do útero e do bebê comprimam a artéria que leva oxigenação para o bebê, além de impedir a ação da gravidade (utilizada no parto de cócoras), o que dificulta a saída do bebê. Esta posição é a campeã de TPs demorados regados a dor materna e sofrimento fetal por falta de oxigenação adequada, culminando em intervenções que se não fosse tal posição seriam desnecessárias.

Isto não quer dizer que uma mulher que não ingressa na partolândia não ame seu filho ou não consiga amamentá-lo. Mas sem dúvida entrar em TP e realizar um parto natural propicia uma experiência única para mãe e filho. Geralmente, ao entrar na partolândia, a mulher vivencia um mergulho em si mesma que modifica seu modo de ver o mundo e a si mesma. É uma experiência que permite o auto-conhecimento num nível que de outra forma seria impossível. Ela experimenta de forma intensa do que seu corpo é capaz e do que ela é capaz, mudando sua auto-estima. Relatos constantemente descrevem que após o parto sentem-se capazes de absolutamente tudo. Muitas inseguranças vão embora. É comum mulheres que foram à partolândia mudarem seu comportamento com relação ao que a sociedade preconiza. Segura de si, a mulher da partolândia dificilmente sucumbe aos padrões estéticos, profissionais e morais ditados e acredita mais nas suas vontades. Desse modo, desenvolve menos depressão pós-parto, menos problemas com amamentação e vivencia um amadurecimento mais precoce.

Tal amadurecimento é vivenciado a partir do momento em que o vinculo mãe-filho fortificado pela ação da ocitocina é, posteriormente, sedimentado pela prolactina. A prolactina também tem um efeito comportamental. Ao passar pela partolândia e ter altos níveis de ocitocina, esta felizarda mãe também experimenta altos níveis de prolactina (níveis esses impossíveis de serem alcançados por quem não foi à partolândia). A prolactina tende a provocar estados mentais de subordinação e submissão às leis da natureza. Isto vem sendo amplamente estudado e comprovado na Suécia. Esta subordinação aumenta a adaptabilidade às necessidades do bebê. Este vem sendo apontado como um dos motivos para que mães visitantes da partolândia terem maior sucesso na amamentação.

A amamentação não é inata e nem fácil. Mas os altos níveis de prolactina permitem uma melhor adaptação e uma maior força de vontade para driblar os problemas e conseguir amamentar o bebê. Além disso, é comum que mães da partolândia (como as índias e de mulheres de outros países também) amamentem durante anos. Isto porque a modernização do parto juntamente com a necessidade de trabalhar fora faça com que a prolactina seja liberada em menor quantidade e por um período curto de tempo, provocando um desmame precoce.

São comuns as queixas de uma amamentação sofrida, cheia de frustrações e sensações ruins que levam algumas mães e verem esse período com sofrimento e sucumbirem a explicações sem fundamento do tipo: “tenho pouco leite” ou “meu leite não sustenta” para justificarem um comportamento repulsivo á amamentação que nem elas sabem explicar, mas que gera culpa. Já as mães que passaram pela partolândia costumam relatar experiências felizes com a amamentação e chegam a lastimar quando o filho dá o grito de independência não pedindo mais o peito. É nesse momento que nota-se uma tendência maior de se doar nas mães da partolândia.


Fonte original: Mariana Passaglia - Enfermeira

terça-feira, 19 de junho de 2012

Uma imagem vale mais que 1000 palavras!

Bem...para não sair do foco "Parto Humanizado Domiciliar", kkkk.
As imagens são de partos domiciliares lindos de se ver...eu não consegui escolher somente uma imagem...

Então me digam, vale a pena ou não lutar pelo direito de escolher aonde parir???????










Fotos: Lynsey Stone Photography

Parto Humanizado Domiciliar

Bom, se a idéia era chamar a atenção CONSEGUIMOS!!!!!!

E digo "conseguimos", porque eu infelizmente não fui à marcha :(
Mas militei virtualmente como nunca! kkk... Postei, gritei, me emocionei...enfim, eu fico MESMO muito emocionada e orgulhosa de ver todas essas mulheres lutando juntas por um direito, e por isso digo, CONSEGUIMOS!

Mas uma coisa me deixa muito intrigada em relação a tudo isso... Essa visibilidade toda é ótima em relação a esclarecer e divulgar os fatos como eles realmente são.
Só que existe também o lado ruim da história...a maioria das pessoas, e principalmente aquelas que não sabem o que estão dizendo, insistem em falar de parto humanizado domiciliar como se estivessem falando de um ritual indígena, ou algo terrivelmente absurdo. Parece que a mulher que decide por ter o seu filho em casa é maluca, ou bruxa, sei lá... Parece que a parteira, é uma senhorinha beeeeem velhinha e de bigodes, com um maço de ervas na mão, um paninho e uma tesoura velha enferrujada... FALA SÉRIOOOO!!!

Isso definitivamente ME IRRITA! Tô cansada  de escutar pessoas falarem absurdos e hipocrisias, e pior...fazerem isso com uma credibilidade tamanha, capaz de convencer de que sabem o que estão dizendo!!!!!!

Quer dizer então, que a pessoa que "ACHA" que todo mundo que decidir parir em casa, consequentemente vai acabar no hospital em uma emergência e morrer... NÃO precisa provar que está certa do que está dizendo...NÃO precisa provar em que estudos viu isso, ou baseada em quais evidências concluiu essa opinião...
Agora eu, uma simples mortal... que diz que as EVIDÊNCIAS MOSTRAM que a mortalidade relacionada a partos hospitalares, e a mortalidade relacionada a partos domiciliares não são diferentes, que o local não influencia nas taxas de mortalidade...nem do bebê e nem da mãe...precisa provar o que está dizendo, e mesmo assim parece estar falando um monte de baboseiras... @#$%&*!!!



Bom...aqui vai o link de um dos mais recentes estudos feitos com  529.688 gestantes (Acho que tá bom né... deve dar pra ter uma idéia não acham???), e publicado no British Journal of Obstetrics and Gynecology. Esse estudo analisou a morbimortalidade perinatal de partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo-risco.

Não houve diferenças significativas entre partos domiciliares e hospitalares planejados em relação ao risco de morte intraparto (0,69% domiciliares contra 1,37% hospitalares), percebam que na verdade...em casa morre-se MENOS...
morte neonatal precoce (0,78% domiciliares contra 1,27% hospitalares), e
admissão em unidade de cuidados intensivos (0,86% domiciliares contra 1,16% hospitalares).

O estudo conclui que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade perinatal e morbidade perinatal grave entre mulheres de baixo-risco, desde que se tenham recursos e treinamento adequado para que isso aconteça.

Enfim...estudem minha geeente!! Estudem, e saibam o que estão falando antes de soltar uma moooonte de baboseiras fundamentadas pelo "achismo"!!





domingo, 17 de junho de 2012

Marcha do parto em casa

Esse final de semana COM CERTEZA vai entrar para a história! Foram mais de 20 cidades, uma infinidade de pessoas e uma causa nobre...



O importante é conseguir dar as mulheres o DIREITO DE ESCOLHER!
Essa é a idéia!
Essa é a conquista que buscamos!