segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
E por que tanta cesárea? - Por Ana Cristina Duarte
Mais um maravilhoso texto escrito por Ana Cris...
O problema das cesarianas no Brasil tem quase infinitas bases. Vamos a algumas.
Pagamento por produtividade: muitos plantões médicos são remunerados por produtividade, ou seja, se nascer no plantão, a grana vai para aquele plantão. Se não nascer antes de terminar o plantão, se passar para o plantão seguinte, quem ganha o valor do parto é a equipe do plantão seguinte. O médico que passou o dia ali aguardando o parto e resolveu não operar, não ganha nada.
"Limpeza do plantão": prática que ocorre em muitos hospitais, onde o obstetra opera todas as mulheres antes de terminar o plantão, para terminar o dia com tudo "limpo", sem mulheres em trabalho de parto para a equipe que assume em seguida. Também acontece muitas vezes perto das 23h-0h, para que a equipe possa ir dormir sem ser incomodada durante a noite.
Falta de anestesista ou de obstetra: em muitas cidades pequenas não há equipes morando no local. Então, para que não haja risco da mulher entrar em trabalho de parto em um dia que não tem médico na cidade, agendam-se todas as cesarianas para o dia da semana em que os médicos estão de plantão.
Falta de especialistas: em hospitais em que se atendem nascimento de bebês de alto risco, como não há especialistas de plantão 24/7, os médicos preferem marcar as cesarianas para os dias e horários onde os especialistas estão presentes no hospital, assegurando assim que o recém nascido possa ser imediatamente atendido.
Pacotinho cesárea no SUS: alguns médicos ainda têm a prática (ilegal) de vender cesarianas a serem efetuadas dentro do SUS. A mulher paga direto para o médico, em dinheiro, e ele agenda a cesárea.
Ausência de analgesia de parto: apesar do direito legal à analgesia, na prática as mulheres não têm direito. E diante da ameaça de um parto torturante, com todo tipo de intervenção, e sem o direito a alívio da dor, as mulheres preferem fugir do parto normal oferecido no SUS.
Falta de experiência: muitos hospitais escolas, como o Hospital das Clínicas de São Paulo, por exemplo, ostentam taxas de cesáreas próximas de 65%, ou até mais. Em geral isso se dá pela falta de experiência da equipe em lidar com o parto normal em situações diferenciadas como o parto de gêmeos, parto de bebês grandes, de prematuros, de mulheres com cardiopatias ou outras doenças. Sem conseguir aplicar as evidências diretamente, quer por medo, quer por falta de prática, acabam recorrendo à cesariana com muita facilidade. No final os médicos saem sabendo fazer cirurgias, mas não sabem atender um parto fisiológico, sequer conhecem os tempos de um parto natural, sem indução.
Estrutura dos hospitais privados: o que faz o lucro das maternidades privadas é o agendamento prévio das cesarianas. Os hospitais não só recebem mais dos planos de saúde por esses procedimentos como também conseguem maximizar o uso dos leitos. Convém lembrar que a UTI neonatal e o banhos de luz são igualmente muito bem remunerados pelos seguros e planos, de modo que a cesariana acaba sendo, de longe, o mais lucrativo dos procedimentos de maternidade. O parto normal ocupa salas e enfermagem por muito tempo, tem pior remuneração pelos planos de saúde e é necessário que o hospital tenha vários leitos disponíveis, sem ocupação, aguardando mulheres que podem ou não entrar em trabalho de parto.
Medo das mulheres: depois de ouvir depoimentos incontáveis de violência obstétrica sofrida por conhecidas, muitas mulehres preferem juntar um pouco de dinheiro e pagar por uma cesariana agendada. Apesar dos riscos, apesar da dor da recuperação, não ter que passar por humilhação, dor, ocitocina, exposição, vergonha, compensa qualquer sacrifício, inclusive o financeiro. Uma cesariana hoje pode ser comprada por R$ 2.000,00 em várias cidades.
Remuneração (falta de): os planos de saúde pagam por volta de R$ 300 reais por um parto. Não compensa financeiramente para o médico conveniado. A solução é marcar mais de uma cesárea num só dia, sem comprometer o consultório e a vida privada. Alguns são honestos e já falam logo de cara. Outros vão seguindo o pré natal com frases vagas sobre o parto e no ultrasom de 37 semanas acabam "descobrindo" uma boa razão para marcar a cesariana para a semana seguinte. O parto normal pode até ter uma melhor remuneração, mas não é um prêmio de R$ 100 reais que fará um médico abdicar de sua agenda, vida familiar, consultório, plantão, para trocar três cesarianas marcadas, por três fins de semana dentro de um centro obstétrico.
Medo do parto: muitos obstetras tem medo do parto normal e acham a cesariana mais "controlável". Apesar de todas as evidências científicas, acabam sendo contaminados e às vezes congelados por experiências traumatizantes do passado. Não só não conseguem mais aguardar o parto, como recomendam a cirurgia cesariana para amigas, partentes, esposa, etc..
Litigância (medo de processo): historicamente no Brasil não se processa um médico por um mau resultado em uma cesariana, afinal ele fez todo o possível, usou a máxima tecnologia. No entanto qualquer resultado ruim de um parto normal é visto imediatamente como erro médico e os processos encaminhados ao CRM. Se um médico tira um bebê de 38 semanas e este vai para a UTI por desconforto respiratório, a sociedade em geral acha que ele salvou o bebê. Se um médico aguarda um parto normal e o bebê tem paralisia cerebral, não podendo (e não há como) provar que o evento foi anterior ao parto, a culpa certamente recairá sobre o parto.
Cultura da cesariana: na sociedade em geral, mesmo entre pessoas de grau educacional elevado, a cesariana é vista como algo melhor, mais seguro, normalizado, banalizado. Nas camadas menos favorecidas, ela é vista como bem de consumo, algo que só as mulheres ricas possuem, e que portanto deve ser melhor, mais desejável. A cesariana está nas TVs, novelas, nas resistas para mães (Sem Culpa). O parto normal é retratado como a opção nobre porém sofrida. Coisa de personagem que se perde na tempestade e vai parar numa choupana. As atrizes e famosas fazem cesariana.
Desinformação gerando medo: as mulheres tem pouca informação sobre o processo de gravidez e muitas ficam imersas no medo de algo acontecer. Esse medo inominável e incomensurável também é congelante e não permite que as mulheres duvidem de seus médicos, quando esses indicam a cesariana por "cordão enrolado", ou que enfrentem a família/marido e escolham outro obstetra no final da gestação. O medo é tão grande que basta a promessa de salvação feita por seu médico para que ela entregue seu corpo e todo o seu poder a essas mãos alheias.
Inoperância da ANS: a Agência Nacional de Saúde Suplementar, que deveria regular as práticas erradas no setor privado simplesmente ignora o problema, ou promove medidas tão inefetivas, que o resultado tem sido, nos últimos anos, contrário ao desejado, ou seja, aumento das taxas de cesariana. Com programas que dão pontos positivos, mas não encontram soluções efetivas, o fato é que os planos de saúde não vêem qualquer razão para saírem da zona de conforto dos 90% de cesarianas.
Conivência do Ministério da Saúde: a força com que o M.S. lutou pela amamentação no Brasil, e que poderia ter sido utilizada também na luta pelo direito a um parto digno para todas as mulheres, simplesmente esmorece ou nem chega a ser recrutada. É como se não fosse conveniente entrar em confronto com determinados setores. Por isso as medidas são sempre amenas, de "sedução", promessas de verba para reformas de centros obstétricos. Apesar de que essas medidas também são bem-vindas, o fato é que não haverá mudança significativa nas práticas sem medidas radicais do Ministério da Saúde.
Entre outras medidas precisamos (em ordem aleatória):
1) Segunda opinião na indicação da cesariana
2) Plantões nos hospitais privados que permitam um parto humanizado e digno a uma mulher que opte por usar o médico plantonista ao invés de seu obstetra do plano (mal remunerado)
3) Fiscalização de prontuários por comissões específicas (existem indícios de que a indicação da cesariana muitas vezes não casa com o que foi dito à gestante para justificar a cirurgia)
4) Planos de saúde começarem a glosar as cesarianas sem indicação
5) Fiscalização pelos planos de saúde das UTIs neonatais (onde parte razoável dos bebês está internada por desconforto respiratório advindos de cesarianas eletivas não necessárias)
6) Programas dos planos de saúde para partos humanizados, com direito a analgesia peridural a pedido materno.
7) Remuneração dos planos de saúde para partos normais atendidos por enfermeiras obstetras e obstetrizes
8) Direito de internação de gestante para parto com enfermeiras obstetras/obstetrizes
9) Direito à informação clara sobre as taxas de cesariana de cada hospital e cada médico credenciado dos planos de saúde
10) Humanização DE FATO dos partos no SUS, aumento dos Centros de Parto Normal geridos e atendidos por enfermeiras obstetras/obstetrizes, no paradigmas do parto humanizado, natural, com o menor número possível de intervenções, com a presença de acompanhante e doula (se desejado).
11) Direito à analgesia peridural no SUS
12) Treinamento médico adequado para o parto natural, fisiológico
13) A ANS deve estabelecer metas para redução de cesarianas, e prazos para o cumprimento das metas. Se os prazos não forem cumpridos, cabem multas aos planos de saúde. A agência pode até fornecer um estudo específico para a aplicabilidade de medidas de redução de cesariana, e propor a redução gradual: de 92% para 70% no primeiro ano, 50% no segundo, etc. EXIGÊNCIA do plantão presencial multiprofissional (obstetra, neonatologista, anestesiologista) e multidisciplinar (EOs e obstetrizes) que devem ser disponibilizados em todos os planos de saúde.
14) Ministério da Saúde precisa se posicionar claramente a respeito do serviço privado. A ANS gerencia planos, não prestadores privados. É preciso gerenciamento do setor privado, tanto quanto do público. Há que se exigir resultados.
15) A ANVISA precisa rever a RDC 36, que regulamenta funcionamento de serviços obstétricos. A imensa maioria dos hospitais brasileiros não segue as diretrizes. E a complexidade para os serviços de baixo risco acabam inviabilizando que se faça uma casa de parto privada nos moldes das européias. O custo básico inviabiliza.
Neste exato momento, sem medidas drásticas por nenhum setor, as taxas de cesariana no Brasil continuarão subindo, assegurando ao nosso país o título eterno de Campeão Mundial.
Fonte: Texto publicado no Facebook da Ana Cris
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Testando seu médico
Essa é uma lista bem humorada de perguntas a se fazer ao seu obstetra. Na verdade é um teste para verificar que tipo de médico ele é: do mais intervencionista ao mais liberal. Apesar do tom informal, as “respostas certas” foram inspiradas nas evidências científicas e nas recomendações da Organização Mundial da Saúde.
1) Qual a sua postura em relação à “cesárea x parto normal”?
a) O parto normal é o melhor, mas só dá para saber na hora.
b) Hoje em dia não faz sentido ter bebê por parto normal, com as técnicas de cirurgia tão avançadas e seguras. A recuperação é rápida e graças aos novos antibióticos, antinflamatórios, antitérmicos e analgésicos, você pode ter uma vida quase normal em menos de 2 meses.
c) O parto normal é melhor, mas na sua idade (ou com o seu peso, ou nessa época do ano, ou para uma pessoa sensível como você) a cesárea é mais garantida.
d) O parto normal é melhor e pelo menos 90% das mulheres podem dar à luz naturalmente. Você também tem tudo para ter um parto normal e nós vamos nos preparar para isso!
2) Quais intervenções no parto você considera essenciais?
a) O que eu uso nos partos é o soro com ocitocina (hormônio) para acelerar as contrações, episiotomia (corte no períneo) e rompimento da bolsa aos 5 cm de dilatação. Mas às vezes tenho outras idéias durante o parto. Depende do dia e dos meus compromissos.
b) Eu uso as intervenções apenas em raros casos, até porque a maioria delas podem ter efeitos colaterais indesejáveis. A natureza pensou em tudo, para a grande maioria das mulheres.
c) Só a anestesia, porque acho que a mulher não deve sentir dor. O resto varia de mulher para mulher.
d) Só a episiotomia, porque o parto pode destruir a vagina da mulher e provocar incontinência urinária.
3) Em que posição posso dar à luz? Posso ter um parto de cócoras?
a) Ra ra ra ra…. Parto de cócoras? Você não é índia, é? A mulher de hoje não tem musculatura para ficar de cócoras. Você quer ser partida ao meio, minha filha?
b) Semi-reclinada, pois no centro obstétrico da maternidade onde atendo, tem uma mesa de parto que permite que a paciente eleve um pouco as costas.
c) Da forma que você se sentir mais confortável, podendo ser de cócoras, de quatro, de lado ou de outro jeito que você inventar. A única posição que eu procuro não incentivar é deitada, porque o bebê pode ter o suprimento de oxigênio comprometido.
d) Como assim? Existe outra posição para dar à luz que não seja deitada?
4) Qual será sua postura caso eu recuse alguns procedimentos que você esteja recomendando?
a) O parto é seu. Você decide o que é melhor. Se eu indicar um procedimento, vou te explicar porque, vantagens e desvantagens, mas quem tem que resolver é você.
b) Eu não recomendo procedimentos. Eu faço. Na hora do parto você não tem condições de discutir o que é bom para você. Aliás, desde o início da gravidez a mulher tem o comportamento alterado, bem como a capacidade de discernimento.
c) Eu terei que abandonar o atendimento e chamar um plantonista, pois não quero me responsabilizar pelas desgraças que podem acontecer ao seu bebê.
d) Você não tem o direito de recusar um procedimento que está sendo prescrito para o bem do seu bebê.
5) Até quanto tempo você espera na gestação, antes de indicar procedimentos por “passar da data”?
a) Eu espero até 40 semanas. Depois disso faço a cesárea. Nem tento a indução, porque é tempo perdido. Ou você prefere arriscar a vida do seu filho e viver com esse peso pro resto dos seus dias?
b) A gestação normal vai de 38 a 42 semanas. O que eu proponho é um cuidado mais intenso depois que passa de 41 semanas. Mas a princípio, enquanto o bebê e a placenta estiverem bem, eu não faço nada. Passadas 42 semanas, podemos começar a pensar em indução do parto.
c) Eu espero até 40 semanas. Depois disso interno para induzir com soro.
d) Eu espero até 41 semanas e depois interno para induzir com citotec.
6) Você tem o hábito de pedir permissão e informar tudo o que você acha necessário fazer durante a gestação e o parto?
a) Como assim, pedir permissão? Eu estudei 10 anos, trabalho há 15 anos com partos e sei o que estou fazendo. Se for pedir permissão para fazer tudo, vou passar o dia nessa lenga-lenga com minhas pacientes.
b) Só peço permissão quando acho que o procedimento vai doer.
c) Não faço nem um exame vaginal sem pedir permissão, pois o corpo é seu, o parto é seu. Meu dever é fazer o melhor, desde que você me permita e entenda o que está acontecendo.
d) Depende do dia, pois às vezes depois de 2 plantões seguidos, eu fico meio impaciente.
7) Qual é a sua taxa de cesáreas?
a) Não sei, não tenho contado ultimamente… Se é alto? Não considero alto, porque hoje em dia as mulheres só querem cesárea. A culpa não é minha. Elas já chegam com uma idéia pré-concebida.
b) Minha taxa de cesárea é baixa, cerca de 40-45%…
c) A taxa é de 20%.. De partos normais..
d) Minha taxa de cesárea está perto de 25%, o que ainda considero alta, mas estou tomando algumas providências para tentar baixar para os 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde
8) Posso levar meu marido e uma acompanhante (doula) para o meu parto?
a) Por mim você pode levar qualquer pessoa que faça você se sentir segura e tranqüila.
b) Porque? Você vai dar uma festinha no centro obstétrico? Quer ver seu marido desmaiando? Eu acho que um acompanhante já é muito.
c) Pode levar só o marido, mas só depois que ele fizer a preparação comigo, porque eu quero um aliado, não um inimigo me vigiando.
d) Não, eu acho que acompanhantes atrapalham, perturbam o ambiente, fazem muita pergunta, deixam a mulher insegura, ficam questionando o médico. Eu não atendo a família, eu atendo a gestante!
9) Você acha possível um parto normal depois de uma cesárea?
a) Você está louca? Quem andou falando uma bobagem dessas para você? Deixa disso, minha filha, isso é coisa de natureba inconseqüente.
b) É possível, mas tem que usar fórceps para não ter um período expulsivo prolongado.
c) É possível se o trabalho de parto não passar de 4 horas.
d) É possível e é uma ótima opção, com grandes chances de dar certo.
10) Você acha que tendo uma gestação de baixo risco posso ter meu bebê em casa?
a) Sim, o local do parto deve ser escolhido por você e seu marido. Se essa f or sua opção, devemos tomar algumas precauções, como ter um hospital relativamente perto para o caso de precisarmos de remoção. Mas geralmente não há necessidade.
b) Sim, mas eu não atendo partos domiciliares. Posso tentar te indicar um médico que faça.
c) Você enlouqueceu? Quer matar seu bebê? Quer se matar? Já pensou como é agradável sangrar até a morte com sua família te olhando sem ter o que fazer?
d) Sim, mas é muito arriscado. Muito mesmo. Você está com idéias muito românticas sobre o parto. Deveria fincar os pés no chão.
11) Devo fazer um curso de preparação para o parto?
a) É bom, não porque você não sabe o que é certo, mas o curso vai te dar dicas preciosas, vai te dar boas sugestões para um parto agradável, vai te dar dicas de amamentação. No mais, você vai entrar em contato com outras gestantes, o que pode ser uma experiência bastante enriquecedora.
b) Bobagem. Na hora eu te digo o que é certo ou errado. Eu estudei 10 anos, pratiquei mais 15 e te garanto que sei fazer um parto. É só você ficar deitada quietinha que tudo vai dar certo.
c) Faça apenas o curso do hospital, para saber onde é a entrada, como são as rotinas do hospital, como se comportar e o que esperar.
d) Tanto faz. Você também pode ler essas revistas para mãezinhas que tem todas as dicas que você precisa de enxoval, decoração, exames médicos e tal.
12) Quantos exames de ultrassom eu devo fazer ao longo da gestação?
a) O ideal é fazer em todas as consultas e por isso eu já tenho um aparelho aqui no consultório. A gente já vai vendo a carinha do bebê, como ele se mexe, todas as partes do corpo e tudo o mais.
b) Você deve fazer pelo menos 4 para ver se o crescimento do bebê está bom.
c) Eu recomendo fazer o menor número possível de exames, pois ainda não foi totalmente provado que o ultrassom é inóquo. Algumas pesquisas apontam para uma posssível alteraçao no cérebro em bebês que passam por muitos exames na gestação. Só vou pedir esses exames se tivermos que confirmar algum diagnóstico.
d) O máximo que o seu plano de saúde permitir antes de vir aqui me atazanar a paciência.
Resultados – some os pontos:
1- a(2) / b(1) / c(2) / d(3)
2- a(1) / b(3) / c(2) / d(2)
3- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
4- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
5- a(1) / b(4) / c(2) / d(3)
6- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
7- a(1) / b(2) / c(1) / d(3)
8- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
9- a(1) / b(2) / c(2) / d(3)
10- a(3) / b(2) / c(1) / d(2)
11- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
12- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
Se seu médico fez entre 12 e 20 pontos: Fuja, saia correndo, ligue dizendo que você não está grávida, era um engano, foi apenas má digestão. Você tem certeza que ele tem um diploma válido em território nacional? Ter um parto com esse médico e sair ilesa é tão garantido quanto acertar na Megasena, sem ter comprado um bilhete.
Se seu médico fez entre 21 e 30 pontos: É melhor você trocar de médico e procurar alguém mais antenado com as novas tendências em atendimento obstétrico. Seu médico pode até ser bem intencionado, mas definitivamente é mal informado. Pode ser que dê um bom ginecologista, mas como parteiro deixa muito a desejar!
Se seu médico fez entre 31 e 37 pontos: O cara é fera, conhece e aplica as recomendações da Organização da Saúde e as evidências científicas. Aparentemente evita procedimentos médicos que podem atrapalhar o trabalho de parto. É respeitoso e honesto. Parece um cara do bem, um bom partido. Me arruma o telefone dele?
Por Ana Cristina Duarte - Obstetriz
Seu bebê tem cólica...será? - por Carlos González
Os bebês ocidentais costumam chorar
bastante durante os primeiros meses, o que se conhece como cólica do
lactente ou cólica do primeiro trimestre. Cólica é a contração
espasmódica e dolorosa de uma víscera oca; há cólicas dos rins, da
vesícula e do intestino. Como o lactente não é uma vesícula oca e o
primeiro trimestre muito menos, o nome logo de cara não é muito feliz.
Chamavam de cólica porque se acreditava que doía a barriga dos bebês;
mas isso é impossível saber. A dor não se vê, tem de ser explicada pelo
paciente. Quando perguntam a eles: “por que você está chorando?”, os
bebês insistem em não responder; quando perguntam novamente anos depois,
sempre dizem que não se lembram. Então ninguém sabe se está doendo a
barriga, ou a cabeça, ou as costas, ou se é coceira na sola dos pés, ou
se o barulho está incomodando, ou simplesmente se estão preocupados com
alguma notícia que ouviram no rádio. Por isso, os livros modernos
frequentemente evitam a palavra cólica e preferem chamar de choro
excessivo na infância. É lógico pensar que nem todos os bebês choram
pelo mesmo motivo; alguns talvez sintam dor na barriga, mas outro pode
estar com fome, ou frio, ou calor, e outros (provavelmente a maioria)
simplesmente precisam de colo.
Tipicamente, o choro acontece sobretudo à
tarde, de seis às dez, a hora crítica. Às vezes de oito à meia-noite,
às vezes de meia-noite às quatro, e alguns parecem que estão a postos
vinte e quatro horas por dia. Costuma começar depois de duas ou três
semanas de vida e costuma melhorar por volta dos três meses (mas nem
sempre).
Quando a mãe amamenta e o bebê chora de
tarde, sempre há alguma alma caridosa que diz: “Claro! De tarde seu
leite acaba!”. Mas então, por que os bebês que tomam mamadeira têm
cólicas? (a incidência de cólica parece ser a mesma entre os bebês
amamentados e os que tomam mamadeira). Por acaso há alguma mãe que
prepare uma mamadeira de 150 ml pela manhã e de tarde uma de 90 ml
somente para incomodar e para fazer o bebê chorar? Claro que não! As
mamadeiras são exatamente iguais, mas o bebê que de manhã dormia mais ou
menos tranquilo, à tarde chora sem parar. Não é por fome.
“Então, por que minha filha passa a tarde
toda pendurada no peito e por que vejo que meus peitos estão murchos?”
Quando um bebê está chorando, a mãe que dá mamadeira pode fazer várias
coisas: pegar no colo, embalar, cantar, fazer carinho, colocar a
chupeta, dar a mamadeira, deixar chorar (não estou dizendo que seja
conveniente ou recomendável deixar chorar, só digo que é uma das coisas
que a mãe poderia fazer). A mãe que amamenta pode fazer todas essas
coisas (incluindo dar uma mamadeira e deixar chorar), mas, além disso,
pode fazer uma exclusiva: dar o peito. A maioria das mães descobrem que
dar de mamar é a maneira mais fácil e rápida de acalmar o bebê (em casa
chamamos o peito de anestesia), então dão de mamar várias vezes ao longo
da tarde. Claro que o peito fica murcho, mas não por falta de leite,
mas sim porque todo o leite está na barriga do bebê. O bebê não tem fome
alguma, pelo contrário, está entupido de leite.
Se a mãe está feliz em dar de mamar o
tempo todo e não sente dor no mamilo (se o bebê pede toda hora e doem os
mamilos, é provável que a pega esteja errada), e se o bebê se acalma
assim, não há inconveniente. Pode dar de mamar todas as vezes e todo o
tempo que quiser. Pode deitar na cama e descansar enquanto o filho mama.
Mas claro, se a mãe está cansada, desesperada, farta de tanto
amamentar, e se o bebê está engordando bem, não há inconveniente que
diga ao pai, à avó ou ao primeiro voluntário que aparecer: “pegue este
bebê, leve para passear em outro cômodo ou na rua e volte daqui a duas
horas”. Porque se um bebê que mama bem e engorda normalmente mama cinco
vezes em duas horas e continua chorando, podemos ter razoavelmente a
certeza de que não chora de fome (outra coisa seria um bebê que engorda
muito pouco ou que não estava engordando nada até dois dias atrás e
agora começa a se recuperar: talvez esse bebê necessite mamar
muitíssimas vezes seguidas). E sim, se pedir para alguém levar o bebê
para passear, aproveite para descansar e, se possível, dormir. Nada de
lavar a louça ou colocar em dia a roupa para passar, pois não adiantaria
nada.
Às vezes, acontece de a mãe estar
desesperada por passar horas dando de mamar, colo, peito, colo e tudo de
novo. Recebe seu marido como se fosse uma cavalaria: “por favor, faça
algo com essa menina, pois estou ao ponto de ficar doida”. O papai pega o
bebê no colo (não sem certa apreensão, devido às circunstâncias) , a
menina apoia a cabecinha sobre seu ombro e “plim” pega no sono. Há
várias explicações possíveis para esse fenômeno. Dizem que nós homens
temos os ombros mais largos, e que se pode dormir melhor neles. Como
estava há duas horas dançando, é lógico que a bebê esteja bastante
cansada. Talvez precisasse de uma mudança de ares, quer dizer, de colo
(e muitas vezes acontece o contrário: o pai não sabe o que fazer e a mãe
consegue tranquilizar o bebê em segundos).
Tenho a impressão (mas é somente uma
teoria minha, não tenho nenhuma prova) de que em alguns casos o que
ocorre é que o bebê também está farto de mamar. Não tem fome, mas não é
capaz de repousar a cabeça sobre o ombro de sua mãe e dormir tranqüilo. É
como se não conhecesse outra forma de se relacionar com sua mãe a não
ser mamando. Talvez se sinta como nós quando nos oferecem nossa
sobremesa favorita depois de uma opípara refeição. Não temos como
recusar, mas passamos a tarde com indigestão. No colo da mamãe é uma
dúvida permanente entre querer e poder; por outro lado, com papai, não
há dúvida possível: não tem mamá, então é só dormir.
Minha teoria tem muitos pontos fracos,
claro. Para começar, a maior parte dos bebês do mundo estão o dia todo
no colo (ou carregados nas costas) de sua mãe e, em geral, descansam
tranquilos e quase não choram. Mas talvez esses bebês conheçam uma outra
forma de se relacionar com suas mães, sem necessidade de mamar. Em
nossa cultura fazemos de tudo para deixar o bebê no berço várias horas
por dia; talvez assim lhes passemos a idéia de que só podem estar com a
mãe se for para mamar.
Porque o certo é que a cólica do lactente
parece ser quase exclusiva da nossa cultura. Alguns a consideram uma
doença da nossa civilização, a consequência de dar aos bebês menos
contato físico do que necessitam. Em outras sociedades o conceito de
cólica é desconhecido. Na Coreia, o Dr. Lee não encontrou nenhum caso de
cólica entre 160 lactentes. Com um mês de idade, os bebês coreanos só
passavam duas horas por dia sozinhos contra as dezesseis horas dos
norteamericanos. Os bebês coreanos passavam o dobro do tempo no colo que
os norteamericanos e suas mães atendiam praticamente sempre que
choravam. As mães norteamericanas ignoravam deliberadamente o choro de
seus filhos em quase a metade das vezes.
No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram
que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que
pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia
levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo.
Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês
nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não
corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de
estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo. Não espere que o bebê
comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo;
pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar.
Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o
nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito
menos sozinhos em outro cômodo. Durante o dia, se o deixar dormindo um
pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim
ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor.
A nossa sociedade custa muito a
reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam
da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do
intestino, o sistema nervoso… Prefere-se pensar que o bebê está doente,
que precisa de remédios. Há algumas décadas, as farmácias espanholas
vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia
efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os
remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho
notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo. O bebê está
no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala.
Teria seacalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo.
Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar
camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que
filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e
controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca…
Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o
remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica.
Taubman, um pediatra americano,
demonstrou que umas simples instruções para a mãe (tabela 1) faziam
desaparecer a cólica em menos de duas semanas. Os bebês cujas mães os
atendiam, passaram de uma média de 2,6 horas ao dia de choro para
somente 0,8 horas. Enquanto isso, os do grupo de controle, que eram
deixados chorando, choravam cada vez mais: de 3,1 horas passaram a 3,8
horas. Quer dizer, os bebês não choram por gosto, mas porque alguma
coisa está acontecendo. Se são deixados chorando, choram mais, se tentam
consolá-los, choram menos (uma coisa tão lógica! Por que tanta gente se
esforça em nos fazer acreditar justo no contrário?).
Tabela 1 – Instruções para tratar a cólica, segundo Taubman (Pediatrics 1984;74:998)
1- Tente não deixar nunca o bebê chorando.
2- Para descobrir por que seu filho está chorando, tenha em conta as seguintes possibilidades:
a- O bebê tem fome e quer mamar.
b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.
c- O bebê quer colo.
d- O bebê está entediado e quer distração.
e- O bebê está cansado e quer dormir.
a- O bebê tem fome e quer mamar.
b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.
c- O bebê quer colo.
d- O bebê está entediado e quer distração.
e- O bebê está cansado e quer dormir.
3- Se continuar chorando durante mais de cinco minutos com uma opção, tente com outra.
4- Decida você mesma em qual ordem testará as opções anteriores.
5- Não tenha medo de superalimentar seu filho. Isso não vai acontecer.
6- Não tenha medo de estragar seu filho. Isso também não vai acontecer.
No grupo de controle, as instruções eram:
quando o bebê chorar e você não souber o que está acontecendo, deixe-o
no berço e saia do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando,
torne a entrar, verifique (um minuto) que não há nada, e volte a sair
do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando etc. Se após
três horas ele continuar chorando, alimente-o e recomece.
As duas últimas instruções do Dr. Taubman
me parecem especialmente importantes: é impossível superalimentar um
bebê por oferecer-lhe muita comida (que o digam as mães que tentam
enfiar a papinha em um bebê que não quer comer); e é impossível estragar
um bebê dando-lhe muita atenção. Estragar significa prejudicá-lo.
Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá- la, ignorar
seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la,
consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram
uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la.
Não existe nenhuma doença mental causada
por um excesso de colo, de carinho, de afagos… Não há ninguém na prisão,
ou no hospício, porque recebeu colo demais , ou porque cantaram canções
de ninar demais para ele, ou porque os pais deixaram que dormisse com
eles. Por outro lado, há, sim, pessoas na prisão ou no hospício porque
não tiveram pais, ou porque foram maltratados, abandonados ou
desprezados pelos pais. E, contudo, a prevenção dessa doença mental
imaginária, o estrago infantil crônico , parece ser a maior preocupação
de nossa sociedade. E se não, amiga leitora, relembre e compare: quantas
pessoas, desde que você ficou grávida, avisaram da importância de
colocar protetores de tomada, de guardar em lugar seguro os produtos
tóxicos, de usar uma cadeirinha de segurança no carro ou de vacinar seu
filho contra o tétano? Quantas pessoas, por outro lado, avisaram para
você não dar muito colo, não colocar para dormir na sua cama, não
acostumar mal o bebê?
Bibliografia:
Lee K. The crying pattern of Korean infants and related factors. Dev Med Child Neurol. 1994; 36:601-7
Hunziker UA, Barr RG. Increased carrying reduces infant crying: a randomized controlled trial. Pediatrics 1986;77:641-8
Taubnan B. Clinical trial of treatment of colic by modification of parent-infant interaction. Pediatrics 1984;74:998-1003
Fonte:Bibliografia da doula
Lee K. The crying pattern of Korean infants and related factors. Dev Med Child Neurol. 1994; 36:601-7
Hunziker UA, Barr RG. Increased carrying reduces infant crying: a randomized controlled trial. Pediatrics 1986;77:641-8
Taubnan B. Clinical trial of treatment of colic by modification of parent-infant interaction. Pediatrics 1984;74:998-1003
Fonte:Bibliografia da doula
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Um grande passo!
As doulas estão mesmo ganhando espaço! :) Acabamos de entrar oficialmente para a CBO (Cadastro Brasileiro de Ocupações). É uma grande conquista para que logo logo tenhamos a regulamentação da Doula como profissão!
Estamos quase lá!
O que é CBO?
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Marchando juntas pela liberdade de escolha!
Agora não tem volta! As mulheres tomaram frente, se libertaram! E devagar, devagarinho estão re-conquistando suas vozes, suas escolhas, seus partos roubados...
Quando buscamos o direito da mulher de poder ter uma doula, estamos buscando humanização...respeito, informações com embasamento científico e principalmente um parto respeitoso e com amor.
Aí então...surge mais um golpe contra as mulheres e contra o movimento de humanização do parto.
Na última semana, as maternidades Santa Joana e Pró-Matre, em São Paulo, divulgaram a (
Depois voltaram atrás, dizendo que estavam refazendo o cadastro de doulas, desde que se tratem de psicólogas, fisioterapeutas, enfermeiras... Genteeeeeeeeeee, tá difícil!
Doula é doula! Não é psicóloga! Não é fisioterapeuta! Não é enfermeira!
Doula é SIM uma profissional pertencente a uma equipe multidisciplinar de atendimento ao parto.
Enfim...a ciência já reconhece os benefícios trazidos pelas doulas às parturientes, mas alguns hospitais temem que suas altas taxas de cesáreas (90%) possam com isso diminuir né... já pensou que problemão!
Mas AZativistas não deixam barato! E lá foram elas...mais uma vez...UNIDAS! LINDAS e de VERMELHO sanguenoZóio para a avenida Paulista! e o resultado foi assim...EMOCIONANTE!
Por Ana Cris: " Começou com a concentração na frente da Gazeta. Carro de som nos esperando, e 1000 balões coloridos. As pessoas começaram a se juntar, e começamos o aquecimento. Anna Gallafrio soltou a voz, vamos lá meu povo, quais são as notas?? DÔ-LA DÔ-LAAAA
Atravessamos a Av Paulista escoltados pelo CET e pela PM, gente finíssima! No carro de som o microfone passando de mão em mão, com as frases todas, as músicas, as falas. Uma menina que era representante do Santa Joana ficou lá espalhando que o cadastro estava aberto às doulas psicólogas, fisioterapeutas e enfermeiras. Explicamos a diferença para a imprensa. Fomos seguindo pela Paulista até o Shopping. O carro de som foi embora e fomos só na voz, dobramos à esquerda, depois à direita na R. Dr Eduardo Amaro, que é o dono do Santa Joana. Entramos à esquerda na Apeninos e depois entramos na Rua do Santa Joana. Quando entramos, uma onda de silêncio: shhhhhhh hospital, pessoal, vamos fazer silêncio! Shhhhhhhhhh. Em silêncio ocupamos toda a calçada do hospital, que estava bloqueado com uma faixa para não entrarmos além da calçada.
Então as pessoas foram se sentando em silêncio no chão, com suas crianças, carrinhos, bexigas flutuando.
Kiara Terra então contou a história da D. Certeza, que decidiu atravessar o rio junto com sua doula. Em seguida, eu li a carta que iríamos entregar no Santa Joana.
Após a leitura da carta, pedi um minuto de silêncio por cada mulher que teve seu parto roubado, isso foi tãããão emocionante, porque daí as mulheres também começaram a levantar suas mãos e eu falei alguns nomes ali presentes.
O povo no hospital apinhado na porta tirando fotos das faixas e das pessoas. Os seguranças com cara de malvados, ui que medo...
Após o nosso minuto de silêncio, Gisele Leal encabeçou uma comissão de entrega da carta e do abaixo assinado de 5200 assinaturas, que foi recebida por uma representante do hospital.
Agradecemos à presença de todos e nos dispersamos em paz."
Leia abaixo a carta entrega à direção do Grupo Santa Joana:
São Paulo, 03 de fevereiro de 2013.
Aos Dirigentes do Grupo Santa Joana.
Nós, do Movimento de Humanização do Parto., uma rede de mulheres, homens e profissionais da saúde, que em uma semana compôs o Movimento de Mulheres e Homens pelo Direito a uma Doula, para lutar contra as arbitrariedades impostas pelo Grupo, vimos por meio desta informar nossos pedidos.
1) Que as Doulas sejam recebidas, e bem recebidas como membros da equipe multidisciplinar de atenção ao parto, independentemente da presença dos acompanhantes famíliares;
2) Que o trabalho das Doulas seja facilitado, e não dificultado;
3) Que o cadastro, se houver, seja aberto a qualquer Doula que tenha sido certificada e capacitada como tal, independente de ser ou não Psicóloga, Fisioterapeuta, Enfermeira ou ter qualquer outra profissão específica;
4) Que fotógrafos de fora do hospital, contratados pelas famílias, sejam admitidos nos ambientes tanto quanto os fotógrafos que vendem seus serviços no saguão dos hospitais;
5) Que as mulheres saudáveis sejam tratadas como mulheres saudáveis, com liberdade, sem restrições, com acesso fácil a alimentação, hidratação natural, espaço para caminhada, banheira, chuveiro, etc.;
6) Que as equipes que trabalham com partos naturais sejam bem recebidas, mesmo atendendo partos longos, que ocupem a sala de parto por muitas horas;
7) Que o plano de parto dos casais seja reconhecido como documento, respeitado e integrado ao prontuário;
8) Que as mulheres possam ter seus bebês na água, se assim lhes convier e os seus médicos julgarem seguro;
9) Que bebês saudáveis sejam imediatamente entregues ao colo de suas mães, antes de passar por procedimentos e mantidos com suas mães, sem passar por berçário de observação;
10) Que o alojamento conjunto e o apoio irrestrito ao aleitamento materno seja a regra para bebês e mães saudáveis
Segue Petição Pública em forma de Abaixo Assinado, que solicita o reconhecimento das Doulas.
Atenciosamente,
Movimento de Humanização do Parto.
ASSINE A PETIÇÃO
Uma petição pública “Pelo direito da Gestante ser acompanhada por uma doula durante o trabalho de parto, parto e pós parto em qualquer hospital brasileiro” também está a espera de sua assinatura:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=doulabra
Fotografias www.carlaraiter.com.br
Movimento das Mulheres e Homens Pelo Direito a uma Doula (Em qualquer hospital brasileiro durante o pré parto, parto e pós parto).
Doula a quem doer!
Quando em 2001 o primeiro curso de formação de doulas teve lugar no
Brasil, por iniciativa de um médico obstetra, ninguém poderia imaginar a
importância que essas profissionais teriam num futuro tão próximo.
Naquela época raras pessoas sabiam o que era uma doula e sua função.
Apesar de ainda hoje se fazer muita confusão, muita gente já conhece as
funções a elas atribuídas, sua importância e seu papel no cenário da
assistência ao parto.
Doulas são mulheres treinadas para dar suporte durante o parto.
Embora elas não possam executar a parte técnica da assistência, têm
papel importante durante o processo, o que faz a maior diferença nos
resultados. Em outras palavras, pensando num mesmo público, mesma
maternidade, mesma equipe de médicos e enfermeiras, são as mulheres
acompanhadas por doulas as que serão mais beneficiadas. Os estudos
mostram redução de 20% nas taxas de cesariana e de 30% nos nascimentos
de bebê com baixa nota nos primeiros minutos de vida, para citar alguns
parâmetros, tudo isso sem nenhum efeito deletério.
Os dois modelos de atuação são as doulas do setor privado, remuneradas por seu trabalho de atendimento a clientes que as contratam, e as doulas voluntárias, que trabalham no sistema público sem conhecer anteriormente as gestantes que vão atender. Nos países do primeiro mundo, como Estados Unidos por exemplo, as doulas já estão ativas na assistência há mais de 30 anos.
No Brasil existem entre 2 mil e 4 mil doulas atuantes entre os dois setores, embora não haja um número oficial ou um cadastro único. Neste 31 de janeiro, o Ministério do Trabalho lançou a nova versão da Classificação Brasileira de Ocupações onde figura, pela primeira vez, a ocupação de doula. Não existe uma profissionalização oficial, tal qual ocorre em outras ocupações em que não há execução de procedimentos de risco para a população. Tal qual fotógrafos e cinegrafistas que adentram o recinto do parto, as doulas não executam procedimentos médicos ou de enfermagem, não oferecendo, portanto, riscos à população. As funções básicas da doula são: acompanhar, acalmar, oferecer suporte emocional e físico, realizar massagem localizada, sugerir movimentos, respirações, atitudes, enfim, uma miríade de ferramentas que ajudam a mulher a atravessar o intenso processo que é dar à luz um bebê.
Uma grande polêmica ocorreu essa semana quando dois grandes hospitais privados da capital paulista proibiram a presença de doulas nos partos, alegando risco de infecção, e recuaram após imensa repercussão na mídia e nas redes sociais. A questão, no entanto, passa longe dos alegados riscos.
Estamos falando de relações de poder, de interesses econômicos, de falta de gerenciamento do setor privado.
Uma boa parte dos hospitais privados do Brasil apresenta taxas de cesarianas superiores a 90%. As cesarianas marcadas são o pilar de sustentação financeira das maternidades privadas. Partos normais, apesar de mais seguros, causam prejuízo, ocupam imprevisivelmente o leito por muito tempo, dão trabalho à enfermagem, não têm hora para ocorrer e não podem ser controlados. Doulas, acompanhando mulheres em trabalho de parto que querem muito um parto natural, perturbam a ordem natural de um centro cirúrgico estruturado para cesarianas pré-agendadas. Doulas pedem água, alimentos e explicações. Mulheres acompanhadas de doulas desobedecem às regras da instituição, questionam, desafiam. Pais acompanhados de doulas são mais protetores e questionadores. Doulas incomodam, partos normais incomodam.
Enquanto todos os setores do nosso país não assumirem que as mulheres estão sendo roubadas em seus partos, tanto no setor privado, com suas cesarianas agendadas, quanto no setor público, com seus partos altamente medicalizados e violentos, não poderemos avançar de fato nas crises profissionais. O problema não são as doulas e sua regulamentação. O problema não são as alegadas infecções provocadas pela presença de mais um acompanhante. Estamos falando de um processo de violência coletiva que vem se perpetuando há décadas em nosso país, sob os olhos semicerrados do governo, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, do Ministério da Saúde, das secretarias.
Se nem a Lei do Acompanhante é obedecida em mais da metade das instituições paulistas, o que se dirá de uma iniciativa que deve ser tomada de livre e espontânea vontade pelas instituições para melhorar a assistência às mulheres que desejam um parto suave, prazeroso, positivo, acolhedor? Ainda temos um longo caminho a percorrer, e as doulas continuarão a ter um papel fundamental nesse processo.
ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA) E AUTORA DE PARTO NORMAL OU CESÁREA? O QUE TODA MULHER DEVE SABER - E TODO HOMEM TAMBÉM (UNESP)
Fonte: Estadão
Fotografia: www.carlaraiter.com
Na foto, a doula Maíra Duarte ajuda a mãe Alcione Agnes uma hora após o nascimento de Giulia.
Os dois modelos de atuação são as doulas do setor privado, remuneradas por seu trabalho de atendimento a clientes que as contratam, e as doulas voluntárias, que trabalham no sistema público sem conhecer anteriormente as gestantes que vão atender. Nos países do primeiro mundo, como Estados Unidos por exemplo, as doulas já estão ativas na assistência há mais de 30 anos.
No Brasil existem entre 2 mil e 4 mil doulas atuantes entre os dois setores, embora não haja um número oficial ou um cadastro único. Neste 31 de janeiro, o Ministério do Trabalho lançou a nova versão da Classificação Brasileira de Ocupações onde figura, pela primeira vez, a ocupação de doula. Não existe uma profissionalização oficial, tal qual ocorre em outras ocupações em que não há execução de procedimentos de risco para a população. Tal qual fotógrafos e cinegrafistas que adentram o recinto do parto, as doulas não executam procedimentos médicos ou de enfermagem, não oferecendo, portanto, riscos à população. As funções básicas da doula são: acompanhar, acalmar, oferecer suporte emocional e físico, realizar massagem localizada, sugerir movimentos, respirações, atitudes, enfim, uma miríade de ferramentas que ajudam a mulher a atravessar o intenso processo que é dar à luz um bebê.
Uma grande polêmica ocorreu essa semana quando dois grandes hospitais privados da capital paulista proibiram a presença de doulas nos partos, alegando risco de infecção, e recuaram após imensa repercussão na mídia e nas redes sociais. A questão, no entanto, passa longe dos alegados riscos.
Estamos falando de relações de poder, de interesses econômicos, de falta de gerenciamento do setor privado.
Uma boa parte dos hospitais privados do Brasil apresenta taxas de cesarianas superiores a 90%. As cesarianas marcadas são o pilar de sustentação financeira das maternidades privadas. Partos normais, apesar de mais seguros, causam prejuízo, ocupam imprevisivelmente o leito por muito tempo, dão trabalho à enfermagem, não têm hora para ocorrer e não podem ser controlados. Doulas, acompanhando mulheres em trabalho de parto que querem muito um parto natural, perturbam a ordem natural de um centro cirúrgico estruturado para cesarianas pré-agendadas. Doulas pedem água, alimentos e explicações. Mulheres acompanhadas de doulas desobedecem às regras da instituição, questionam, desafiam. Pais acompanhados de doulas são mais protetores e questionadores. Doulas incomodam, partos normais incomodam.
Enquanto todos os setores do nosso país não assumirem que as mulheres estão sendo roubadas em seus partos, tanto no setor privado, com suas cesarianas agendadas, quanto no setor público, com seus partos altamente medicalizados e violentos, não poderemos avançar de fato nas crises profissionais. O problema não são as doulas e sua regulamentação. O problema não são as alegadas infecções provocadas pela presença de mais um acompanhante. Estamos falando de um processo de violência coletiva que vem se perpetuando há décadas em nosso país, sob os olhos semicerrados do governo, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, do Ministério da Saúde, das secretarias.
Se nem a Lei do Acompanhante é obedecida em mais da metade das instituições paulistas, o que se dirá de uma iniciativa que deve ser tomada de livre e espontânea vontade pelas instituições para melhorar a assistência às mulheres que desejam um parto suave, prazeroso, positivo, acolhedor? Ainda temos um longo caminho a percorrer, e as doulas continuarão a ter um papel fundamental nesse processo.
ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA) E AUTORA DE PARTO NORMAL OU CESÁREA? O QUE TODA MULHER DEVE SABER - E TODO HOMEM TAMBÉM (UNESP)
Fonte: Estadão
domingo, 25 de novembro de 2012
VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA - A VOZ DAS BRASILEIRAS
Neste 25 de novembro de 2012, completamos um ano de ações coletivas nas mídias sociais, sempre com objetivo de dar mais visibilidade ao tema da violência obstétrica e de desnaturalizar as infrações aos direitos das mulheres, cometidas pelos profissionais de saúde, que muitas vezes passam desapercebidas.
São ações coletivas organizadas por usuárias, pesquisadoras e profissionais da saúde com o objetivode promover o debate, sensibilizar, denunciar e ir adiante, até que se consiga que políticas públicas efetivas sejam promovidas no sentido de erradicar a violação dos direitos humanos das mulheres no parto.Embora estejamos mobilizando centenas de pessoas e falando com cada vez mais frequência sobre oassunto, é importante que as pessoas saibam o histórico do movimento contra a violência no parto - a violência obstétrica, nome que as próprias mulheres cunharam para tais práticas.
Em agosto de 2010, a Fundação Perseu Abramo, em parceria com o SESC, realizou a pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, onde apresenta a
evolução do pensamento e do papel das mulheres em nossa sociedade. Foram
entrevistados centenas de homens e mulheres em mais de 170 municípios
brasileiros.Os resultados sobre o tema da violência contra as mulheres chamaram muito a atenção e, neste
contexto, surgiu um dado alarmante sobre a violência institucional sofrida pelas brasileiras: uma em cada quatro mulheres (25%) relatou ter sofrido algum tipo de violência na hora do parto. Dentre as diversas formas possíveis de abusos e maus-tratos, tiveram destaque: exame de toque doloroso, recusa para alívio da dor, não explicação de procedimentos adotados, gritos de profissionais ao ser atendida, negativa de atendimento, xingamentos e humilhações. Além disso, 23% das entrevistadas ouviu de algum profissional algo como: “não chora que ano que vem você está aqui de novo”; “na hora de fazer não chorou, não chamou a mamãe”; “se gritar eu paro e não vou te atender”; “se ficar gritando vai fazer mal pro neném, vai nascer surdo”.
Esses dados chocantes começaram a ganhar repercussão na mídia, com matérias em jornais de grande circulação, publicadas em fevereiro de 2011.
Em abril do mesmo ano, a Comissão Permanente de Saúde, Promoção Social, Trabalho, Idoso e Mulher realizou um debate com o tema “Maltrato no atendimento em maternidade e no pré-natal”, na Câmara Municipal de São Paulo, reunindo cerca de 70 pessoas, entre elas o coordenador da pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, o sociólogo e professor da USP Gustavo Venturi, a médica Anke Riedel, coordenadora da Casa Ângela, casa de parto considerada modelo no Brasil, a enfermeira e coordenadora do curso de Obstetrícia da USP Nádia Zanon Narchi, a representante do Programa Mãe Paulistana, Maria Aparecida Orsini e a bióloga Ligia Moreiras Sena, uma das autoras da ação coletiva que apresentamos hoje.
Neste evento, o professor Gustavo Venturi apresentou os dados sobre violência no parto acima mencionados e, em entrevista para a jornalista da Câmara, afirmou: “São três os principais problemas que ocorrem e acabam gerando a violência no parto. A primeira é a questão da formação dos profissionais, em segundo vem a superlotação das instituições e, em terceiro, as mulheres não são adequadamente preparadas para o momento do parto”.
A partir de então, os coletivos femininos começaram a se mobilizar em termos de circulação de informação, denúncia da situação da assistência obstétrica brasileira, reivindicação de direitos, discussão sobre o assunto. E as mídias sociais apareceram como fator catalisador crucial para todas as ações que se seguiram.
Em 24 de novembro de 2011, no contexto de uma grande ação das Blogueiras Feministas, realizamos a primeira Blogagem Coletiva sobre o tema - “Violência Obstétrica é Violência Contra a Mulher”. Dezenas de blogueiras participaram com textos autorais livres publicados no dia 25 de novembro e, desde então, muitos relatos foram produzidos, mulheres que usaram o texto para organizar a experiência vivida - e que talvez possam ter sido beneficiadas de alguma forma com tal escrita, e beneficiado outras mulheres por meio da leitura. Neste dia, a pesquisadora Ligia Moreiras Sena também lançou nas mídias sociais o convite à participação em sua pesquisa de doutorado, sobre a violência obstétrica na percepção das mulheres que a viveram e, por meio do Facebook, dos blogs e do Twitter, centenas de mulheres se inscreveram para serem entrevistadas. Em um esforço de divulgação, foi aproveitado o Twittaço que ocorreu utilizando a hashtag #FimDaViolenciaContraMulher para contactar pessoas que pudessem ajudar na disseminação do convite à pesquisa.
Em nossa segunda ação de ciberativismo, coordenada para o Dia Internacional da Mulher - 8 de Março de 2012, alcançamos certamente mais de duas mil mulheres, com a força de divulgação coletiva de 75 blogs.
Foi o Teste da Violência Obstétrica. Promovido pelos blogs Parto no Brasil, Cientista
Que Virou Mãe e Mamíferas o instrumento foi idealizado a partir de documento original da associação civil argentina Dando a Luz, e o Coletivo Maternidade Libertária, disponível em algumas publicações na Internet, em blogs e sites, datadas de 2010. Para a divulgação no Brasil, o documento foi revisado e adaptado à proposta desta Blogagem Coletiva. As questões abertas foram transformadas em um questionário com múltiplas escolhas, onde incluímos uma importante caracterização sociodemográfica, e contamos com a força de divulgação das mulheres conectadas em suas redes virtuais. Em apenas três dias compilamos mais de mil resultados. E seguimos com o recebimento de novas respostas durante 38 dias. Ao final do prazo, 1966 nascimentos foram avaliados
Conseguimos atingir nosso principal objetivo, que era dar grande visibilidade a esta questão nas mídias sociais, entre as mães editoras de blogs e demais usuárias da Internet. E os resultados não poderiam deixar de ser surpreendentes. A expressiva participação no Teste da Violência Obstétrica era apenas um indicativo da força que as mulheres, juntas, têm para denunciar um grave problema de cidadania, de falta de oportunidades, de nenhum direito de escolha.
Então em 1o. de agosto de 2012,
um grupo de mulheres ativistas mineiras avançam mais um pouco no
contexto da luta contra a violência no parto. Em um marco histórico,
conseguiram levar a cabo a Audiência Pública “Violência no Parto” na
Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa
de Minas Gerais. Estiveram presentes usuárias do sistema de saúde,
obstetrizes, doulas, ativistas, políticos e estudantes, em um evento que
acionou entidades médicas do estado e o Ministério Público para abrir o
debate.
Em outubro de 2012, uma terceira Postagem Coletiva reuniu os esforços necessários para que o vídeodocumentário "Violência Obstétrica - A Voz das Brasileiras" pudesse ser produzido. Em menos de dois meses, fizemos um roteiro para os depoimentos individuais, convidamos as mulheres a nos enviarem suas histórias de vida, com consetimento, para participação. As participantes gravaram vídeos caseiros com seus depoimentos, suas histórias de violência, intolerância, ignorância e racismo que marcaram seus corpos e suas vidas, e nos enviaram. As chamadas podem ser vistas nos blogs Cientista Que Virou Mãe e Parto no Brasil. Em poucos dias, conseguimos editar, com a ajuda do fotógrafo e videomaker Armando Rapchan, os vídeos recebidos e mais dezenas de fotografias, em um vídeo final de 52 minutos. Escolhemos por manter o caráter de produção caseira dos depoimentos. O documentário foi então lançado no dia 17 de novembro último, como parte das comunicações científicas coordenadas do Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, ocorrido em Porto Alegre.
Assim, decorrido 1 ano após o início de nossas ações de ciberativismo, divulgamos hoje, 25 de novembro de 2012, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, o vídeodocumentario “VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA - A VOZ DAS BRASILEIRAS”. Ele representa o trabalho de dezenas de mulheres na luta contra a violência obstétrica. Com a voz de algumas delas, simbolizamos o coro de milhares de brasileiras que vivem desrespeitos aos seus direitos reprodutivos cotidianamente, em um processo tornado banal e rotineiro. Queremos ser representadas, queremos que nossas vozes sejam ouvidas e que, de alguma forma, impulsionem medidas que visem a erradicação da violenta assistência ao parto no Brasil.
Queremos agradecer, em primeiro lugar, às mulheres que muito corajosamente se dispuseram a tocar em suas próprias feridas, em suas próprias dores, a fim de problematizar a questão e formar um coro de vozes. Queremos agradecer também às dezenas de mulheres que nos enviaram fotografias dos partos/nascimentos de seus filhos e que, por limitação de tempo, não puderam ser utilizadas. Queremos agradecer a todos que, direta ou indiretamente, nos ajudaram e incentivaram na produção desta ação.
Esse vídeo foi realizado de maneira espontânea e voluntária por:
Em outubro de 2012, uma terceira Postagem Coletiva reuniu os esforços necessários para que o vídeodocumentário "Violência Obstétrica - A Voz das Brasileiras" pudesse ser produzido. Em menos de dois meses, fizemos um roteiro para os depoimentos individuais, convidamos as mulheres a nos enviarem suas histórias de vida, com consetimento, para participação. As participantes gravaram vídeos caseiros com seus depoimentos, suas histórias de violência, intolerância, ignorância e racismo que marcaram seus corpos e suas vidas, e nos enviaram. As chamadas podem ser vistas nos blogs Cientista Que Virou Mãe e Parto no Brasil. Em poucos dias, conseguimos editar, com a ajuda do fotógrafo e videomaker Armando Rapchan, os vídeos recebidos e mais dezenas de fotografias, em um vídeo final de 52 minutos. Escolhemos por manter o caráter de produção caseira dos depoimentos. O documentário foi então lançado no dia 17 de novembro último, como parte das comunicações científicas coordenadas do Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, ocorrido em Porto Alegre.
Assim, decorrido 1 ano após o início de nossas ações de ciberativismo, divulgamos hoje, 25 de novembro de 2012, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, o vídeodocumentario “VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA - A VOZ DAS BRASILEIRAS”. Ele representa o trabalho de dezenas de mulheres na luta contra a violência obstétrica. Com a voz de algumas delas, simbolizamos o coro de milhares de brasileiras que vivem desrespeitos aos seus direitos reprodutivos cotidianamente, em um processo tornado banal e rotineiro. Queremos ser representadas, queremos que nossas vozes sejam ouvidas e que, de alguma forma, impulsionem medidas que visem a erradicação da violenta assistência ao parto no Brasil.
Queremos agradecer, em primeiro lugar, às mulheres que muito corajosamente se dispuseram a tocar em suas próprias feridas, em suas próprias dores, a fim de problematizar a questão e formar um coro de vozes. Queremos agradecer também às dezenas de mulheres que nos enviaram fotografias dos partos/nascimentos de seus filhos e que, por limitação de tempo, não puderam ser utilizadas. Queremos agradecer a todos que, direta ou indiretamente, nos ajudaram e incentivaram na produção desta ação.
Esse vídeo foi realizado de maneira espontânea e voluntária por:
- Bianca Zorzam, obstetriz, aluna de mestrado do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Universidade de São Paulo;Melhorar a qualidade da atenção ao parto e nascimento é um desafio complexo, que deve contar com a colaboração multi-setorial de vários agentes: profissionais de saúde, gestores, pesquisadores e docentes, e ainda, as mulheres, por meio do controle social.
- Ligia MoreirasSena, bióloga, aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina, autora do blog Cientista Que Virou Mãe; - Ana CarolinaArruda Franzon, jornalista, aluna de mestrado do Programa de Pós Graduação em Saúde Pública da Universidade de São paulo e co-editora do blog Parto no Brasil;
- Kalu Brum, jornalista, doula e co-editora do blog Mamíferas.- Armando Rapchan, fotógrafo e videomaker.
Assim, agradecemos cada pessoa envolvida nesta ação e convidamos a todas e todos para contribuírem com o enfrentamento desta forma de violência contra as mulheres, com propostas e encaminhamentos inovadores. Pelo respeito aos direitos humanos femininos. Pela redução das mortes maternas. Pela promoção da saúde das gestantes e dos bebês. Por formas inovadoras de organização dos serviços, e pela adoção massiva das boas práticas na assistência ao parto normal.
“Que nossas vozes sejam ouvidas. Que nossas histórias não sejam ignoradas...”
Texto do Blog Cientista que virou mãe
sábado, 10 de novembro de 2012
A importância do pai na gestação e no parto
Um lindo trabalho realizado pelas doulas de Brasília, DF. - REHUNA
Demonstra a importância e o papel do pai desde a gestação até o parto.
Relatos emocionantes feitos por pais.
Demonstra a importância e o papel do pai desde a gestação até o parto.
Relatos emocionantes feitos por pais.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Vídeo - lapso de tempo!
Para quem gosta de ver as barrigas crescerem! :)
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