terça-feira, 21 de outubro de 2014

Semana Nacional de incentivo ao Sling

De 05 a 11 de Outubro foi a semana nacional de incentivo ao uso do Sling.

E convidada pela Tati, da Mamy Mamy, fui dar uma mãozinha na organização das coisas, ela queria mesmo fazer barulho por aqui...e fez!!
E então nasceu uma parceria maravilhosa...todas mulheres, todas com sede de mudança, de viver a maternidade intensamente, de cuidar de suas crias, mas também de mostrar suas vozes...seus trabalhos!

Enfim...mulheres que se uniram para mostrar a importância da maternidade com apego e que juntas, e partilhando dúvidas, vivências e informações conseguimos realizar um evento divertido e que levou informação para quem tem sede dela! :) Foi muito legal!
Foi um prazer trabalhar com todas vocês! Trabalhar não né...afinal dizem que "Quem faz o que gosta não trabalha" kkk e foi pura diversão!!

Começamos com um piquenique...foi lindo!! Particularmente, meu dia preferido! E mais uma vez minha fotógrafa preferida, a Drika esteve por lá (kkk Ela sabe mesmo que é!).
Participou de todos os dias, tirou fotos lindas e no final fez uma exposição com algumas delas!
Tivemos também aula de Shantala com a Carol do "Mamastê", foi maravilhoso, todo mundo se divertiu muito, mães e bebês adoraram!

A Samantha da "Cereja caramelada" esteve com a gente, e expôs suas criações, uma mais linda que a outra como SEMPRE!! Depois contamos com a participação da Bianca, nutricionista do "Nutrindo a vida", com uma palestra sobre "Alimentação saudável para bebês e crianças pequenas", aprendemos bastante...e estou começando (devagar devagarinho, rss) a colocar em prática!

Para mim foi uma oportunidade deliciosa!! Obrigada pela parceria e convite meninas! E aqui estão algumas fotos! Beijokas!!



















O parto mais científico costuma ser o menos tecnológico (parte 2)

(c) 2012 Alice Dreger, conforme publicado originalmente em TheAtlantic.com
Então por que será que, passada mais de uma década, em que as evidências continuam favorecendo um tipo de assistência baixo em intervenções durante gestações e partos de baixo risco, nós praticamente não avançamos na busca por partos mais científicos nos Estados Unidos?
Fiz essa pergunta a alguns acadêmicos que se debruçam sobre essa questão. Uma delas, Libby Bogdan-Lovis, do Centro de Ética e Humanas nas Ciências da Vida da Universidade Michigan State, por acaso também foi minha doula. (Dei sorte.) Libby comentou que uma grande parte do problema é a forma como o parto é concebido nos Estados Unidos – como “perigoso, arriscado, e que precisa ser controlado para garantir um bom desfecho”.
Libby acrescenta que limitações institucionais contribuem para o problema: “As seguradoras geralmente cobrem parto hospitalar, não domiciliar, elas estão mais inclinadas a remunerar médicos do que parteiras, bonificam médicos e enfermeiras obstétricas hospitalares quando fazem algo (e não quando deixam de fazer algo), e a abordagem do sistema de saúde com relação ao gerenciamento de risco apoia aqueles que demostraram fazer todo o possível em se tratando de intervenções”. Tudo isso apesar do fato que “tentativas de controlar o parto estão sujeitas a riscos iatrogênicos reais e comumente resultam em uma cascata de intervenções”, comenta Libby.
Raymond De Vries, um sociólogo do Centro de Bioética e Ciências Sociais em Medicina da Universidade de Michigan, comparou o parto nos EUA com o parto na Holanda, onde atua atualmente como professor visitante na Universidade de Maastricht. Ele percebe que, nos EUA, “os obstetras são os especialistas e os especialistas passaram a enxergar o parto como perigoso e assustador”. De Vries sugere que a organização dos cuidados maternos em seu país – “as escolhas limitadas que as mulheres americanas têm para dar à luz a seus bebês, o que não lhes é dito sobre o perigo de intervir no parto, e o mau uso da ciência para defender as novas tecnologias no parto” – na verdade constitui um problema ético, embora não o reconheçamos como tal. Especialistas em ética médica “preferem estudar os problemas [relativamente raros] da fertilização in vitro e do diagnóstico genético pré-implantação a olhar para as questões cotidianas referentes à organização do parto aqui nos EUA; eles preferem falar sobre a preservação das ‘escolhas’ das mulheres ao invés de explorar como essas escolhas são dobradas pela cultura”.
Quanta verdade. Especialistas em ética adoram falar sobre as escolhas das mulheres com relação ao parto como se as escolhas fossem informadas e autônomas, mas não sou capaz de contar quantas mulheres me disseram que “escolheram” analgesia durante o parto mesmo quando nunca foram informadas sobre os riscos da analgesia, nunca ouviram ninguém expressar confiança em sua habilidade de parir sem medicamentos, e  nunca foram oferecidas uma doula para orientá-las e apoiá-las no momento da dor. Que tipo de “escolha” é essa? Como me disse a Libby Bogdan-Lovis: “A típica gestante de hoje acha que a noção de um parto sem medicamentos [analgesia] equivale a sugerir que as mulheres deveriam ficar felizes em aceitar a tortura”.
De todas as escolhas que eu fiz, acho que a que mais chocou os meus contemporâneos foi a decisão de não fazer uma ultra. Acontece que apenas alguns anos antes de eu engravidar,  um importante estudo norte-americano – envolvendo mais de 15 mil gestações – publicado no New England Journal of Medicine demonstrou que ultrassonografias de rotina não contribuíam para melhorar a saúde dos bebês. O trabalho foi conduzido por Bernard Ewigman, atual chefe do departamento de medicina de família do Sistema de Saúde Universitária de NorthShore e da Universidade de Chicago.
Recentemente liguei para o dr. Ewigman e lhe perguntei por que tantas gestações de baixo risco hoje incluem ultrassonografias de rotina. Ele acredita que, em parte, é emocional – as pessoas gostam de “ver” seus bebês – e em parte tem a ver com a crença infundada de que saber algo necessariamente resulta em desfechos melhores comparado a não saber. Mas ele concordou que ultrassonografias de rotina no pré-natal, para gestações de baixo risco (ou seja, em gestações em que não surgiram problemas), não aparentam ser fundamentadas pela ciência, se o desfecho desejado é reduzir doenças e morte em mães e crianças. Ultrassonografias de rotina não parecem ser perigosas, mas também não propiciam a saúde.
O dr. Ewigman me disse o seguinte: “A abordagem que você escolheu dar à sua gravidez foi racional e bem informada. Mas grande parte das decisões de cunho médico envolvendo a gestante ou o bebê não é bem informada nem baseada em pensamentos racionais”. E ainda acrescentou: “Todos estamos muito interessados em ter bebês saudáveis e é bastante fácil cometer o tipo de erro cognitivo que as pessoas cometem, e atribuir à tecnologia benefícios que não existem. Ao mesmo tempo, quando surgem problemas durante a gravidez, aquela mesma tecnologia pode salvar vidas. É fácil fazer o [problemático] salto [mental] de que a tecnologia sempre será necessária para um bom desfecho”.
Nós conversamos também sobre como algumas pessoas auferem uma falsa sensação de certeza com as ultras, achando que o bebê nascerá em perfeita saúde caso o médico não veja nada fora do comum ali. Expliquei que essa foi uma das razões pela qual abri mão das ultrassonografias; com base nas minhas próprias pesquisas sobre anomalias congênitas, eu sabia o quanto as ultras enganam. O dr. Ewigman observou que nossa cultura tem “um verdadeiro fascínio pela tecnologia, e também temos um forte desejo de negar a morte. E os aspectos tecnológicos da medicina se vendem muito bem nesse tipo de cultura”. Ao passo que uma abordagem aos cuidados médicos com poucas intervenções – não importa quão científica ela seja – não.
Em se tratando de escolhas no parto, eu não me oponho a levar em consideração os tipos de desfechos difíceis de mensurar que podem ser de grande valor para algumas gestantes. Eu entendo que há mulheres que não querem um chá de bebê como o meu, em que os presentes em sua maioria eram roupinhas amarelas e verdes, em vez de azuis e cor-de-rosa. Entendo que tem gente que quer aquelas imagens difusas do bebê dentro de seu útero. Eu entendo que algumas podem optar por um aborto caso a ultra revele uma grande anomalia.
E eu entendo que algumas mulheres querem uma experiência particular de parto – quero dizer, eu realmente entendo isso, agora que tive um parto que me fez sentir mais poderosa, mais humilde, mais focada e mais apaixonada pelo meu amado do que eu jamais imaginara.
Mas eu gostaria que as mulheres americanas ouvissem a verdade sobre o parto – a verdade sobre os seus corpos, suas habilidades, e os perigos por trás da tecnologia. Acima de tudo, gostaria que todas as grávidas escutassem o que Libby Bogdan-Lovis, minha doula, disse para mim: “Parir um bebê requer a mesma entrega de controle que o sexo – abandonar-se para a sensação avassaladora e fazê-lo num ambiente em que há proteção e apoio”. Quem dera que mais mulheres soubessem o quão sensual um parto científico pode ser.

O parto mais científico costuma ser o menos tecnológico (parte 1)

Por que tantas mulheres letradas e inteligentes estão escolhendo dar à luz de forma mais natural, defendendo o tal “parto humanizado”? É sensato (ou científico) abrir mão do hospital chique com hotelaria CINCO ESTRELAS e o médico “de confiança” para ser assistida por uma parteira (enfermeira obstétrica ou obstetriz), em casa ou num centro de parto normal, considerando todo o conforto que a tecnologia nos oferece? Afinal, se a medicina e a ciência evoluíram tanto, salvando hoje muito mais vidas do que no passado, por que não usufruir da tecnologia também no parto e nascimento?


Essas são perguntas que permeiam o imaginário das pessoas que deparam com as escolhas não convencionais de amigas ou parentes e também de quem está adentrando o universo do parto humanizado (por gravidez, planos de iniciar uma família ou por mera afinidade com o tema).

É para vocês que resolvi traduzir o maravilhoso artigo da  Alice Dreger, professora do Programa de Bioética e Humanas Médicas [em inglês, Medical Humanities, uma área interdisciplinar que envolve ciências humanas e artes, e como aplicar esses saberes na prática da medicina] da Faculdade de Medicina da Universidade Northwestern, publicado originalmente no The Atlantic, em março de 2012. Através de sua história pessoal e de sua bagagem teórica, ela consegue resumir com franqueza e lucidez as razões por trás de suas escolhas “não ortodoxas” (especialmente considerando o seu cargo de professora de um departamento de medicina!). Recomendo também uma visita a seu site (http://alicedreger.com/home.html), onde ela discute vários outros assuntos relacionados a bioética, gênero e evidências científicas aplicadas à pratica da medicina. Sem mais, o artigo:

O parto mais científico costuma ser o parto menos tecnológico
(c) 2012 Alice Dreger, conforme publicado originalmente em TheAtlantic.com

Quando peço para meus alunos de medicina descreverem como eles imaginam uma mulher que escolhe uma parteira ao invés de uma obstetra para acompanhar seu parto, em geral eles descrevem uma mulher que usa saias compridas de algodão, tem tranças no cabelo, come alimentos orgânicos veganos, pratica yoga e dirige uma kombi. O que não imaginam é a cientista onívora, de calça comprida, bem diante de seus olhos.

Aliás, eles ficam completamente perdidos quando explico que na verdade só existe uma razão pela qual eu e MEU COMPANHEIRO – médico (clínico) e professor universitário – optamos por deixar de lado nosso obstetra e passar a nos consultar com uma parteira: podíamos confiar na capacidade da parteira de ser científica, mas não na do nosso obstetra.

Muitos alunos de medicina, como a maioria dos pacientes americanos, confundem ciência e tecnologia. Acham que ser um médico científico significa fazer uso do máximo de tecnologia em cada paciente. E isso os torna perigosos. De fato, se você for olhar estudos científicos sobre parto, você verá estudo após estudo mostrando que muitas intervenções tecnológicas aumentam os riscos para mães e bebês em vez de diminuí-los.

E no entanto a maioria das parturientes parece desconhecer esse fato, mesmo que os seus obstetras estejam cientes. Paradoxalmente, essas mulheres parecem querer o mesmo que eu queria: um desfecho seguro para mãe e filho. Mas parece que ninguém diz a elas qual o melhor caminho para chegar até isso, segundo o que indicam os dados científicos. A amiga que ousa oferecer meia taça de vinho é tida quase como uma criminosa, uma ameaça ao bem estar do outro, enquanto o obstetra que oferece procedimentos desnecessários e arriscados é considerado um herói.

Quando engravidei em 2000, eu e o meu parceiro consultamos a literatura médica científica para descobrir como maximizar a segurança para mim e para nosso filho. Eis o que descobrimos com os estudos disponíveis: eu deveria caminhar bastante durante a gravidez, e também durante o trabalho de parto; caminhar diminuiria a duração e a dor do parto. Durante a gestação, eu deveria fazer check-ups frequentes para checar meu peso, minha urina, minha pressão arterial e o crescimento da minha barriga, mas deveria evitar exames de toque. Não deveria me preocupar em fazer um ultrassom se a minha gravidez continuasse de baixo risco, pois o exame teria pouquíssimas chances de melhorar a minha saúde ou a saúde do bebê, e poderia muito bem acarretar em outros exames e testes que aumentariam os riscos para nós, sem nos trazer benefícios.

De acordo com os melhores estudos disponíveis, em se tratando do momento do parto no fim da minha gravidez de baixo risco, eu não deveria fazer uma indução, nem uma episiotomia, nem receber monitoração contínua dos batimentos cardíacos fetais durante o trabalho de parto, e certamente não deveria fazer uma cesárea. Eu deveria parir numa posição de cócoras e eu deveria ter uma doula – uma profissional que dá apoio durante o parto. (Estudos mostram que as doulas são surpreendentemente eficazes em diminuir riscos; fazem isso tão bem que um obstetra chegou a dizer que se a doula fosse um medicamento, seria ilegal não prescrevê-la para todas as gestantes).

Em outras palavras, se os exames regulares e “low-tech” continuassem a indicar que minha gravidez transcorreria de forma desinteressante do ponto de vista médico, e se eu quisesse cientificamente maximizar a segurança, eu deveria parir basicamente como fizeram as minhas bisavós: com a atenção de duas mulheres experientes, que passariam a maior parte do tempo esperando, enquanto eu fizesse o trabalho. (Há uma razão para chamarem isso de trabalho de parto.) A única diferença realmente notável seria que a minha parteira usaria um monitor cardíaco fetal (ou doppler) de forma intermitente – de vez em quando – para garantir que o bebê estivesse bem.

Meu obstetra e sua equipe deixaram claro que eles ficariam um tanto desconfortáveis com esse tipo de parto “das antigas”. Então nós fomos embora e passamos a tratar com uma parteira que se comprometia a ser muito mais moderna. E o parto que eu tive foi basicamente como descrevi. Sim, foi doloroso, mas minha doula e a parteira haviam me preparado mentalmente para isso, me assegurando que esse tipo particular de dor não precisava resultar em medo ou prejuizo.

Acabou que tivemos uma única intervenção tecnológica: como havia mecônio no líquido (o que significa que meu bebê defecou no útero), a parteira me explicou que logo após o nascimento, os pediatras o pegariam imediatamente para aspirar suas vias aéreas (sua traqueia). O intuito era para prevenir a pneumonia. Foi feito isso. Três meses mais tarde, no café da manhã, meu marido me apresentou os resultados de um estudo controlado randomizado que acabara de sair: mostrava que bebês nessa situação que só tiveram suas bocas aspiradas (e não suas traqueias) apresentaram índices mais baixo de pneumonia comparado a bebês que receberam esse procedimento de aspiração nas traqueias.  Mais uma intervenção que no fim das contas não vale a pena.

Então por que será que, passada mais de uma década, em que as evidências continuam favorecendo um tipo de assistência baixo em intervenções durante gestações e partos de baixo risco, nós praticamente não avançamos na busca por partos mais científicos nos Estados Unidos?

[continua... Veja a Parte 2]

Fonte: Aqui

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

As necessidades básicas da parturiente.

Algumas condições externas que devem ser respeitadas para o bom procedimento de
um parto ativo.

Um parto normal acontece sozinho, guiado pelo próprio corpo. Rompimento da bolsa, dilatações, contrações são ações involuntárias do corpo, que acontecem devido a informações enviadas pelo cérebro. E como o cérebro envia informações ao corpo? Através dos hormônios.

O trabalho, portanto, pode ser compreendido fisiologicamente como uma cadeia sutil de hormônios, que vão acionando um ao outro e conduzindo ao parto/nascimento. Quem comanda todo esse processo é a estrutura primitiva do cérebro, chamada de “sistema límbico” e composta pelo hipotálamo e hipófise. São as estruturas que temos em comum com os cérebros de todos os outros mamíferos. Durante o trabalho de parto, como em qualquer outra experiência sexual, as inibições que podem acontecer no processo provêm da outra parte do cérebro, a mais moderna, denominada córtex ou neo-córtex. Muito desenvolvida nos seres humanos, essa parte do cérebro correspondente a atividade intelectual e racional.

O obstetra Michel Odent identificou fatores que estimulam a atividade do neo-cortex, e que devem ser evitadas para permitir que o cérebro primitivo funcione sem impedimentos e assim favorecer o trabalho de parto. Essas são necessidades básicas muito simples, mas fundamental que sejam respeitadas. São elas:


LUZ: luzes fortes estimulam o neo-cortex, e isso é já bem claro aos técnicos que realizam eletro encefalogramas. Um parto que ocorre na penumbra, portanto, tende a ser facilitado.
LINGUAGEM: A linguagem racional é um processo intelectual comandado pelo neo-córtex. Portanto, perguntar à mulher durante o trabalho de parto qual é o seu número de telefone ou a que horas fez xixi, por exemplo, obriga que ela raciocine, acionando o neo-cortex e consequentemente atrapalhando a ação do cérebro primitivo e o trabalho de parto. Melhor não recorrer à linguagem verbal a uma mulher em trabalho de parto.
PRIVACIDADE: todos sabemos que quando nos sentimos observados temos a tendência de corrigir nossa postura, e isso representa acionar o neo-cortex. Quanto maior privacidade, melhor para que o trabalho de parto proceda bem. Odent inclusive chama atenção para a posição onde a parteira/ doula/ médico se encontra no momento do parto (na frente ou atrás da mulher), e para as fotografias e filmagens nesse momento.
NECESSIDADE DE SENTIR-SE SEGURO: A adrenalina aciona um estado de alerta que inibe a liberação dos hormônios necessários ao parto. Todas as situações em que a mulher se sente em risco liberam adrenalina vão dificultar o parto. A presença de pessoas com quem a mulher se sinta segura, portanto, é fundamental para facilitar o trabalho.
FOME E ADRENALINA: O medo faz aumentar o nível de adrenalina, mas a fome também. Depois de comer todos ficamos mais calmos. A TEMPERATURA também influencia na taxa de adrenalina: um ambiente frio tende a aumentar a taxa de adrenalina. A mulher em trabalho pode comer se sentir necessidade, e os que estão acompanhando o parto devem cuidar para que o ambiente esteja bem aquecido.
Um parto ativo será beneficiado se essas necessidades básicas da parturiente forem respeitadas.
É importante lembrar que o cérebro reconhece apenas os hormônios produzidos pelo próprio corpo. Hormônios sintéticos não produzem os mesmos efeitos, e podem atrapalhar a delicada seqüência entre eles.


Fonte: Aqui  Imagem: Pinterest

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A importância do Vérnix: Proteção ou Sujeira?

A vérnix caseosa é um material gorduroso branco, que é formado pelo acúmulo de secreção das glândulas sebáceas e inclui células epiteliais e lanugem, que recobrem a pele ao nascimento.  
Esse material pode estar presente sob a forma de uma camada muito fina ou muito espessa e que normalmente desaparece sozinho em torno de 24 horas.


Durante a vida intrauterina, o vérnix protege a pele do bebê impermeabilizando e fazendo uma barreira contra ações bacterianas. Após o nascimento ele continua proporcionando proteção ao bebê portanto exceto em situações específicas, ele NÃO deve ser retirado. 

A manutenção da barreira protetora da pele logo após o nascimento é de fundamental importância para uma boa adaptação extra-uterina, como também para uma boa termorregulação. Alguns profissionais tratam o vérnix como se fosse "sujeira" de parto e acreditam que o banho na primeira hora de vida deixam o bebê "mais limpinho e cheiroso" quando na verdade não é isso que acontece! 


Este material protetor já atuava antes mesmo do nascimento, protegendo o feto contra possíveis microrganismos presentes no líquido amniótico. Após o nascimento, ele continua protegendo a pele, porém, após as 24 horas de vida sua remoção é recomendada para evitar infecções e alergias causadas pela alta umidade. Em alguns casos, sua remoção deve ser realizada logo após o nascimento, como é o caso de crianças filhas de mães com HIV, historia de infecções prévias e perinatais, e também 
em casos de líquido amniótico meconial ou fétido. Nestes casos devemos analisar a relação risco x benefício.


Caso contrário o vérnix NÃO precisa ser retirado!!!

Vérnix NÃO é sujeira...é PROTEÇÃO!!!!



Imagens: Pinterest

sábado, 20 de setembro de 2014

Relato de Parto da Cris - Nascimento da Arielly


"Eu não poderia começar esse relato sem falar sobre o nascimento da minha primeira filha Camilly, em 2006. Com 42 semanas de gestação, após 12 hs de trabalho de parto, normal de cócoras, porém cheio de intervenções, procedimentos desnecessários comigo no trabalho de parto e com ela assim que nasceu. Eu me sentia realizada ao me tornar mãe, ao pegar no colo um ser tão indefeso, uma bebezinha linda e perfeita, a minha filha! E eu era tão nova, aquilo tudo era novo demais para mim... Porém algo me dizia que poderia ter sido diferente, só não sabia como.
A relação com o pai dela nunca deu certo e logo nos separamos.
Tempo depois o destino colocou em minha vida o Gabriel, um homem com todas as qualidades que eu esperava encontrar em alguém, nos apaixonamos, casamos, e após 4 anos resolvemos ficar grávidos!

Assim que engravidei comecei a pesquisar sobre parto natural, vi muitos e muitos vídeos, li inúmeros relatos, assisti o filme : O Renascimento do Parto e pronto! Decidi que dessa vez seria diferente! Peguei uma cópia de um plano de parto na Internet, mas não fazia ideia de como iria usa-lo. Até que uma amiga me falou de uma doula que ela conhecia.
Encontrei a Mariana, conversamos muito, muito mesmo, amei a forma como ela me encorajava a ficar firme e então eu decidi que iria brigar com o sistema para ter um parto respeitado da forma como eu queria de acordo com as condições e pelo SUS, sem obstetra escolhido, pegaria o plantão e boa!
Montamos um plano de parto com todas as minhas vontades. Tudo certo! Era o empoderamento para que minha segunda filha tivesse um nascimento mais respeitado.

Minha gestação foi longa e para desespero de muita gente ultrapassou as 40 semanas, assim como a primeira. Tive muitos e muitos pródromos, alarmes falsos de deixar a Mari louca, rsss.
No dia 23/05/2014 com 41 semanas e 1 dia, acordei com um pequeno sangramento. A tarde fui ao médico que estava acompanhando minha gravidez, ele examinou, e estava tudo bem, o sangue era o meu colo começando a dilatar. O parto se aproximava. Fui para casa ansiosa, mas tranquila pois eu sabia que ainda poderia demorar mais alguns dias.

O Gabriel (meu marido) trabalha no período noturno e nas últimas semanas antes de sair, ele sempre dizia: "me liga se sentir qualquer coisa", e nesse dia ele não disse nada! Fui me deitar e fiz o que fazia quase todos os dias antes de dormir, peguei o celular e filmei minha barriga mexendo, fazendo ondas, adorava ficar olhando e sentindo os movimentos da minha pequena em meu ventre. Mas nesse dia ela estava muito agitada, mais do que o normal.

Fiquei então curtindo a barriga, fazendo carinho e não conseguia dormir, então as 23:50 hs comecei a sentir cólicas, fiquei deitada, e esperei. Não passavam, resolvi marcar o tempo. Estavam bem regulares. Liguei para o Gabriel e pedi para que ele viesse para casa. As dores foram ficando mais intensas. Avisei a Mari e combinamos de nos encontrar no hospital, assim que as dores aumentassem mais, enquanto isso eu iria avisando ela como as coisas estavam.

Fiquei umas 2 horas no chuveiro, me arrumei, acordei minha filha, , e me despedi longamente dela, emocionada, e ela sonolenta sem saber direito se era verdade que a irmâzinha tão esperada iria nascer, e então o Gabriel a levou para a casa dos meus pais.
As contrações estavam vindo a cada 5 minutos. Comi chocolate, e fiquei deitada no colo do Gabriel, recebendo carinho. Quando as dores ficaram mais fortes, eu já não conseguia mais ficar parada, andava de um lado para o outro.
As 5:30 hs achamos que era melhor ir para o hospital, pois tínhamos que pegar estrada até lá, por ficar em Botucatu e nós moramos em São Manuel.
Encontramos com a Mari na recepção, e eu ja estava tendo que parar a cada contração e abaixar para buscar algum alívio.
As 07:30 o exame de toque revelou que meu colo tinha dilatado quase 5 cm, fizemos a internação e eu imaginei que meu parto seria rápido.


No quarto muita conversa, risos, chocolate, chuveiro, exercícios na bola, anda, senta, levanta, massagem, mimos e carinhos da doula e do marido. E as 14 hs após uma nova avaliação, a dilatação ainda era a mesma. Meu trabalho de parto estava travado, porém fiquei firme e forte. Eu sabia que podia aguentar!
No chuveiro eu viajava para outra dimensão, ter a Mari ao meu lado me encorajando era fundamental para esquecer do mundo e mergulhar nas sensações.


Ver a forma carinhosa com que o Gabriel me olhava, me trazia calma, tê-lo ao meu lado o tempo todo me deixava tranquila para me entregar de corpo e alma à cada contração. Seus abraços me davam força para aguentar a dor. Sim, dói! Dói muito, mas não é uma dor que se possa explicar, dar exemplos, definir. É uma dor louca, muito forte e intensa, mas que desaparece por completo entre uma contração e outra. Uma dor que traz a vida, a cada contração eu estava mais perto de pegar minha filha nos braços.


Essa menininha foi teimosa pra nascer, não queria encaixar de jeito nenhum, estava quentinha e feliz, porque iria querer sair? Já fazia muitas horas que eu estava em trabalho de parto e ela ainda estava alta, nada de encaixar. Fomos até a sala de pré parto para que eu tentasse outros exercícios e posições para ajudar a dilatar mais.




No ápice da dor, creio que fui para a partolândia, me lembro de poucas coisas desse momento, chorava igual criança, rezava e pedia para que ela nascesse logo, abraçava o Gabriel, abraçava a Mari, apertava as mãos deles, não sabia mais que mão era de quem. Trocava de posição a cada contração. E enfim a bolsa se rompeu.
E logo veio uma imensa vontade de fazer força, sentei no banquinho, a Mari na minha frente, o Gabriel me abraçando por trás dizendo que nossa filha estava chegando, um momento de total entrega, em que a mulher não manda em seu corpo.

Muita emoção, a mesma emoção que senti ao ver a Camilly nascendo eu sentia naquele momento vendo a Arielly nascer.
Acredito que para a mãe, ver o filho pela primeira vez é mágico, seja qual for a forma que ele nasceu. Mas parir, sim PARIR! Essa é a palavra! É algo divino, é entrega, é realização, é sentir-se mais mulher! Não é dizer que sou "mais mãe", mas sim, que sou mais MULHER! Já me sentia assim depois que a Camilly nasceu, e agora me sentia ainda mais forte ao passar pelo que passei até estar com a Arielly nos braços.


Arielly nasceu as 19:13 hs, do dia 24/05/2014 após 41 semanas e 2 dias de gestação com 3.640 kg, linda, enorme e perfeita! Após 19 horas de um trabalho de parto em que minhas vontades foram respeitadas, não fui privada de comer nem beber, tive liberdade de movimentos, e a Arielly teve seu nascimento respeitado e sem procedimentos desnecessários.
Veio para o meu colo e abocanhou meu seio e mamou tranquila e calma, como se já tivesse feito isso antes. A Mari disse que ela "nasceu criada." E nasceu mesmo, enfrentou o sistema comigo!"


Agradecimentos:
A Deus pelas bênçãos.
A minha família e amigos pelas vibrações positivas. A Camilly que rezou pela mamãe e pela "Tata".
A equipe da Unesp por respeitar o nosso momento.
E em especial à Mariana Castello Branco, por todo apoio, dedicação, paciência, carinho, incentivo e amor.
E ao amor da vida Gabriel Silva, por segurar minhas mãos, pela paciência e carinho, e principalmente por permanecer ao meu lado o tempo todo me encorajando e mostrando que o nosso amor é lindo!!!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Relato da Livia - O Nascimento de Pedro 26/10/2013.

O parto do Pedro teve inicio muito tempo antes que as contrações começassem, foi no ano de 2009 que uma pessoa muito querida me falou da experiência incrível que tinha tido ao parir na água, naquela época eu não pensava em filhos, mas aquele relato me tocou profundamente, e dentro de mim ficou a vontade de parir na água.


Alguns anos depois, no final de 2012 veio a vontade de engravidar, comecei a pesquisar na internet sobre o tal parto da água, e que surpresa! Descobri que parir, algo que eu considerava simples e natural, havia se transformado em uma linha de produção, frio, calculado, bem ao estilo fordista. Logo eu e meu marido percebemos a necessidade de encontrar profissionais que partilhassem dos mesmos ideais que a gente, o parto humanizado!

E com muita procura, um pouco de angustia pela demora, muitos telefonemas os anjos disseram amem! Veio a dupla perfeita, a médica mais incrível que já conheci e a doula mais amorosa do mundo, que alivio! Foi empatia a primeira vista.


A gravidez foi tranqüila, filhote crescendo, a mãe comendo hehehe a data do parto foi chegando. Numa sexta feira de manhã tive minha consulta semanal, tudo normal, 40 semanas e 5 dias, filhote poderia vir a qualquer momento, a gente fica numa ansiedade danada, ainda mais porque não tinha ideia de como seria a tal da contração, uma coisa tão particular de cada mulher. 

Lua mudando para minguante e as duas da madrugada senti uma cólica bem forte, logo veio outra, levanto e vou andar pela casa, a noite esta linda, estrelada, as cólicas não param, depois de uma hora ligo pra Claudinha pedindo orientações, acordo o marido que fica super assustado de já fazer uma hora que estou tendo cólicas, hora de ir pro hospital.

Chegando lá, vimos que realmente era o trabalho de parto, sentia muitas cólicas, meio sem saber o que fazer fui encaminhada para o quarto, nossa foi o pior momento, sozinha, cheia de dores. Quando a Claudinha abriu a porta e entrou sorrindo com um copo de suco, parecia um raio de sol! Logo veio meu marido, fui pro chuveiro, bola, a partolândia tinha começado.


Depois de um tempo fomos pra sala de parto, a Mari chegou. Ficamos eu, marido, Claudinha, Mari e Pedrão ali se preparando pra nascer. 

É difícil definir a dor neste momento, dói muito, senti medo, o apoio de todos foi fundamental, cada um me animava de um jeito, mantinham o clima leve, eu pensava “já vim ate aqui, vamos em frente”, e fomos indo. 

Deitava, levantava, andava, urrava, ganhava massagem, entrei e sai da banheira, no final me encontrei sentada na banqueta.

Hoje vejo como foi importante estar bem acompanhada ali neste momento, o marido completamente envolvido com o parto, praticamente pariu comigo, a Claudinha me deixando segura que tudo estava bem, a Mari me incentivando e encorajando, nossa! 

Obrigada gente, vocês foram demais!!

Com toda essa força, chegou o momento em que eu vi pelo espelhinho uma cabecinha cabeluda querendo vir ao mundo, nossa, a emoção é indescritível, é um misto da dor mais dolorida do mundo com o amor mais incrível do mundo! 


Acho que a dor é um rito de passagem, é como um transe onde quem eu era ficou pra trás e uma nova eu surgiu, mãe! Mais uma força e lá vem ele, direto nas mãos do pai e depois para mim, para o seio, para o mundo com seus olhinhos curiosos, desbravador do universo!


Depois já no quarto com ele ali no colo aprendendo a mamar já não existe dor, só um amor infinito! Muitas palavras de incentivo da Mari, juntas vimos a primeira mamada do Pedro... primeira de muitas, o seio logo se tornou seu lugar preferido aqui fora.


Hoje recordando esses momentos sinto essas duas mulheres como parte da minha vida, elas são parte de um momento impar, me deram força e coragem. 

Fiquei tão corajosa que o próximo parto espero elas em casa!!! <3

sábado, 13 de setembro de 2014

O Evento

"O Renascimento do Parto em Botucatu."


Antes mesmo do filme ser exibido nacionalmente, eu tive a oportunidade de assisti-lo em um congresso em Sorocaba. Ele foi exibido ainda inacabado, para uma platéia de pessoas informadas e envolvidas com a ideia da Humanização, médicos, enfermeiras, doulas, parteiras, gestantes, mães que puderam passar pela experiencia do parto e também estavam ali em busca de mais informação.
E logo ali, naquela primeira oportunidade de ser visto já foi sucesso absoluto! E realmente o caminho foi esse...o filme foi exibido em grande parte do território nacional , foi recorde de financiamento coletivo no Brasil, ganhou diversos prêmios pelo mundo afora...e então nosso encontro para a divulgação do filme em Botucatu foi assim...Lindo!! <3
Gostaria de Agradecer a todos que me ajudaram, direta ou indiretamente. Sem apoio o evento não teria acontecido! Obrigada!







Todas as fotos do evento AQUI!!!

domingo, 18 de maio de 2014

Ministério da Saúde determina que bebê deve ir direto para o colo da mãe.

Mais uma da série..E agora pediatria? ;)

Agora é lei!! Está documentado! Saiu no diário oficial da união!!
Neste link bem AQUI encontra-se a portaria na íntegra. Não tem desculpas, argumentos ou blá blá blá...



Nada de exames de rotina nos primeiros minutos de vida nem ir direto para o berçário.
A PORTARIA Nº 371, DE 7 DE MAIO DE 2014 publicada pelo Ministério da Saúde determina que, se o bebê estiver em boas condições de saúde, deve ir direto para o colo da mãe ao nascer nos hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde).

Pelo texto, o bebê deve ser colocado sobre o abdômen ou tórax da mãe de acordo com a vontade da parturiente. O bebê deve ser “colocado de bruços e receber uma coberta seca e aquecida”, diz a Saúde.

A portaria segue as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) que prevê ainda que o recém-nascido seja amamentado na primeira hora de vida. A portaria publicada no “Diário Oficial da União” assegura o chamado contato ‘pele a pele’ de mãe com o filho independente se o parto é normal ou cesárea. O texto faz parte da atualização das diretrizes do SUS para permitir um atendimento mais humanizado para mãe e o recém-nascido.

Outra medida proposta é que os exames de rotina do recém-nascido  – pesagem, exame físico e vacinação – ocorram somente depois da sua primeira hora de vida.
A portaria diz ainda que o clampeamento do cordão umbilical do recém-nascido deve ser feito apenas após o cordão parar de pulsar (aproximadamente de 1 a 3 minutos), exceto em casos de mães isoimunizadas ou HIV / HTLV positivas, em que o clampeamento deve continuar sendo feito de imediato.

Ainda de acordo com a portaria, para o recém-nascido com respiração ausente ou irregular, deverá ser seguido o fluxograma do programa de reanimação da Sociedade Brasileira de Pediatria. A publicação diz ainda que o  estabelecimento de saúde que mantiver profissional de enfermagem habilitado em reanimação neonatal na sala de parto deverá possuir em sua equipe, durante 24 horas, ao menos um médico que também seja capacitado.

O ministério não detalhou ainda como será feita a fiscalização para que as medidas entrem em vigor e se haverá alguma punição aos profissionais de saúde que não seguirem as recomendações.

fonte: Folha de São Paulo

Quem faz o parto não é o médico, não é a parteira, não é a doula, e sim a mulher!

A mulher e seu bebê são os protagonistas e a equipe que a cerca são os coadjuvantes.

Esses dias após um parto, o marido ligou para a família contando que havia nascido e falou que “tal pessoa” havia feito o parto… eu que estava do lado da puérpera, vi que ela rapidamente virou a cabeça para a direção da voz dele e gritou: “Eu que fiz o parto”.

Comecei a rir, porque é lindo de ver/ouvir/presenciar uma mulher que pensa assim. Essa mulher sabe o que é parir da maneira mais verdadeira e pura, pois ela acredita na capacidade de respeitar seu corpo para que ele faça o que já vem programado em seu subconsciente.

Mas então, para que existem médicos e parteiras? Para darem assistência durante o processo, apenas garantindo que mãe e bebê estejam saudáveis, esses profissionais devem apenas assistir a mulher parindo, intervindo apenas em último caso, quando realmente é necessário.

Recém-nascido no colo da mamãe - Kati Molin / ShutterStock

E para que as doulas? São elas que cuidam da saúde da mulher que ninguém vê, é aquela saúde que se sente, que se ouve sem que seja dita uma palavra, são os medos que aparecem e que devem ser divididos com outra pessoa, para que seja disseminado. A doula é a voz quando a mulher precisa ouvir que consegue, quando ela precisa que alguém afirme o que ela já sabe. É a mão que acaricia e que conforta, é o abraço, é a paciência adquirida com experiência em acompanhar mulheres parindo. A Doula é assistência física e emocional, que não precisa se dividir entre funções, ela está ali somente para apoiar a parturiente.

Hoje conversei com um amigo que faz residência em medicina, sobre como é bizarro a maneira das pessoas encararem o parto, a mulher que fica horas com contrações, sem dormir, sem comer direito, é a última a receber o crédito pelo próprio parto. Partos de emergência, atendidos por leigos, por bombeiros, policiais são eles sempre os heróis. Mulheres que muitas vezes pariram sozinhas, sem ninguém do lado, simplesmente porque o parto aconteceu muito rápido, sai no jornal com a frase “e por sorte tudo ocorreu bem…”

Escrevem logo o MILAGRE então que correu tudo bem.

É preciso que as gestantes entendam isso, quem faz o parto são elas, são seus corpos, seus instintos e elas devem exigir isso. Vejo muitas mulheres que frequentam as minhas palestras ou que enviam e-mail para pedir orientações, e elas acham estranho quando a orientação é esperar em casa até que as contrações estejam próximas e reguladas, desde que claro, a bolsa esteja íntegra, bebê se movimentando, etc. Porque elas acham que estando no hospital, os médicos vão fazer o trabalho de parto funcionar e a hora de empurrar e tudo mais. E até mesmo algumas doulandas que me ligam no início do trabalho de parto, elas ficam apreensivas para que eu vá para suas casas logo, para seguirmos para a maternidade e só então depois de conversar novamente é que elas conseguem lembrar que a única coisa a se fazer é esperar.

O parto tem seu tempo, ele pode ser longo, rápido, fácil, complicado mas ele tem o seu próprio tempo, e desde que esteja tudo bem, não há necessidade de intervir no processo natural. E ir para o hospital/maternidade antes do tempo certo, é aumentar a ansiedade da própria equipe e as intervenções sem necessidade. As mulheres precisam resgatar essa verdade, elas precisam lutar e mostrar que elas são as protagonistas no parto, ela e seu bebê. A equipe é formada por coadjuvantes, mas quem deve decidir onde será o parto, com quem será, a posição e como, deve ser a mulher.

Aliás, eu quero dedicar esse texto para as mulheres empoderadas que eu já acompanhei e que estou acompanhando, mulheres que eu vejo lutarem contra o sistema, contra família, e qualquer outra pessoa que entre no caminho da realização daquele grande desejo. Vocês podem tudo, o parto é de vocês. Uma boa hora a todas!

fonte: Texto escrito por Cris Doula e publicado em Guia do Bebê.