terça-feira, 4 de novembro de 2014

VCE - Versão cefálica externa




A versão externa, um procedimento clássico da Obstetrícia, esteve na iminência de desaparecer, na década de 1960, em face às numerosas complicações fetais observadas na ocasião.

Entretanto, estabelecida a irreversível tendência de se indicar a operação cesariana para a parturição nas apresentações pélvicas (obviamente associada à maior morbidade materna, além de mais onerosa), em nível mundial, houve grande motivação, em diversos centros, para a retomada da aplicação da técnica da versão externa cefálica(VEC).

Isso ocorreu de fato a partir da década de 1980, em estreito vínculo com o aprimoramento da tecnologia ultra-sonográfica. Sob o controle desse método os riscos desse procedimento tornaram-se decisivamente irrelevantes e, por isso, mais aceitáveis. Os índices de sucesso oscilam entre 35% e 86%, média de 58%.

Para a escolha das pacientes candidatas à VEC são mencionadas, como critério de elegibilidade, uma série de variáveis a serem consideradas, como:
consentimento (vinculado ao desejo de parturir por via vaginal);
idade gestacional;
paridade;
tipo de apresentação pélvica;
presença de cicatriz uterina anterior;
estimativa de peso fetal;
presença de miomas ou outros tumores pélvicos;
inserção placentária;
estimativa do volume de líquido amniótico;
análise prévia das condições de vitalidade fetal;
análise da morfologia fetal.

Embora a maioria dos pesquisadores prefiram efetuar a VEC no termo da gestação, alguns recomendam uma idade gestacional mais precoce (34 semanas) e encontram vantagens nessa propositura.

Para a manipulação externa do feto preconiza-se a utilização de uterolíticos, se houver falha na primeira tentativa sem esse recurso. Para um melhor conforto da paciente, podem ser ministrados analgésicos e até anestésicos, por meio de bloqueio loco-regional (raquidiano ou epidural). O número de tentativas aconselhado é variável, oscilando de três a cinco.

A técnica empregada preferencialmente é denominada de “forward roll” (girar para a frente, como uma cambalhota). Ocasionalmente, se esta falhar, a técnica “back flip” (girar para tràs) é a recomendada.


Todo o procedimento deve ser efetuado sob controle contínuo das condições feto-anexiais por meio da ultra-sonografia e, no final, seja exitoso ou não, deve-se realizar a cardiotocografia para se certificar da preservação da vitalidade fetal. A profilaxia da aloimunização também é mandatória.

As complicações mencionadas são:
sangramento vaginal;
bradicardia persistente ;
descolamento prematuro da placenta;
desacelerações variáveis.

Elas são consideradas aceitáveis em virtude de serem raras e em face dos benefícios alcançados com a aplicação da VEC.

Maiores taxas de sucesso são obtidas nas seguintes situações:
multiparidade,
apresentações pélvicas incompletas,
placenta posterior;
polidrâmnio (excesso na quantidade do líquido amniótico).
Comentário

Embora não haja um efetivo engajamento, nos meios acadêmicos da comunidade obstétrica nacional, para a obtenção de menores taxas de cesáreas, a técnica em apreço, na situação citada, pode exercer atrativos convincentes, pois, além da simplicidade, não depende de grandes recursos financeiros, mas apenas de equipamentos (ultra-sonógrafos, cardiotocógrafos) disponíveis na maioria das instituições de ensino e de PESQUISA. Considerando-se o comprovado aumento da morbidade da operação cesariana quando comparada com a do parto normal, a VEC deve ser estimulada, notadamente quando as perspectivas de sucesso são reais. Portanto, tendo em vista a redução dos índices de cesáreas na apresentação pélvica (9,5%) observada com a aplicação dessa técnica, é plausível que se preconize a habilitação de profissionais no ensejo de concretizar tal procedimento.

Veja aqui um vídeo de VCE

Referências
Regalia AL, Curiel P, Natale N, Galluzzi A, Spinelli G, Gaia VL, et al. Routine use of external cephalic version in three hospitals. Birth 2000; 27:19-24.
Huttin EK, Kaufman K, Hodnett E, Amankwah K, Hewson AS, McKay D, et al. External cephalic version beginning at 34 weeks’ gestation versus 37 weeks’ gestation: a randomized multicenter trial. Am J Obstet Gynecol 2003; 189:245-54.
Wax, JR; Sutula, K; Lerer, T; Steinfeld, JD and Ingardia, CJ. Labor and delivery following successful external cephalic version. Am J Perinatol 2000; 17:183-6.
Birnbach DJ, Matut J, Stein DJ, Campagnuolo J, Drimbarean C, Grunebaum A, et al. The effect of intratecal analgesia on the success of external cephalic version. Anesth Analg 2001; 93:410-3.

EGB na gestação - Que bicho é esse?


Você sabe o que é Streptococos?



Segundo o wikipedia, são um gênero de bactérias com forma de coco gram-positivas que podem causar doenças no ser humano. A maioria das espécies no entanto é inofensiva.

Mas e nas grávidas?

Segue um texto informativo do médico obstetra Dr. Jorge Kuhn sobre o tema.

Group B streptococci (GBS), Streptococcus agalactiae ou Estrepto B.
Colonização da vagina e/ou reto: 15 a 40% (média 30%) das gestantes
são portadoras.
O trato gastrintestinal é reservatório natural do EGB, que pode
colonizar de forma transitória, crônica ou intermitente a vagina e/ou
o reto.
A identificação do EGB na urina é preditiva da intensidade da
colonização. EGB não é DST!
Nas gestantes portadoras estima-se que em 40% a 70% (média 50%) das
vezes o feto pode acabar sendo também colonizado (antes ou depois do
parto), sem que isso represente necessariamente infecção/doença.
A contaminação pode ser intra-uterina (via ascendente a partir da
vagina colonizada), pela aspiração de líquido amniótico contaminado
ou durante a PASSAGEM pelo canal de parto (esta última forma leva
geralmente a colonização cutânea ou da mucosa).
Amamentação NÃO transmite EGB!
Como o EGB pode atravessar as membranas ovulares íntegras, a
colonização por este agente não é indicação para a operação
cesariana, que não deve ser encarada como alternativa à prevenção
através de antibiótico, apesar de não estar descrita a transmissão
deste agente durante a cirurgia.

Quais os problemas que o EGB pode causar?

Na mãe: infecção urinária (cistite, pielonefrite) e uterina
(corioamnionite, endometrite) infecção pós-parto de feridas (abdome
ou períneo), sepse, meningite.

No bebê: há dois tipos de infecção neonatal por EGB, a precoce e a
tardia. A precoce (80% dos casos) acontece na primeira semana de
vida, usualmente nas primeiras 6 – 12 horas, e frequentemente está
associada com complicações maternas obstétricas predisponentes, pois
está diretamente relacionada à ascensão do patógeno da vagina e colo
uterino de mulheres colonizadas. Caracteriza-se por sepse,
desconforto respiratório, apnéia, pneumonia e, menos frequentemente,
meningite. A tardia acontece entre 7 e 90 dias do parto, sendo que
cerca de 50% é de origem hospitalar; também podem adquirir na
comunidade e de mães colonizadas. A meningite ocorre em 1/3 dos
casos, comparada a 5% na doença precoce. Ainda pode ocorrer CELULITE,
osteomielite, artrite séptica. Seqüelas em longo prazo de ambas as
doenças inclui: deficiência visual ou auditiva, dificuldades de
aprendizado ou retardo mental grave.

O uso intravenoso (IV) de antibiótico (penicilina) é a intervenção
profilática (preventiva) recomendada.
O uso via oral (VO) de antibiótico para “descolonizar” a gestante não
foi bem sucedido.
De acordo com dados do sistema Active Bacterial Core surveillance
(ABCs), analisados pelo Centers for Disease Control and Prevention
(CDC) para avaliar o impacto dos guidelines (diretrizes) para triagem
e profilaxia do EGB, houve uma queda de incidência de infecção
neonatal precoce por EGB de 65% de 1993 a 1998 (primeira diretriz
datada de 1996), seguido por um platô entre 1999 e 2001, e depois uma
queda de 31% de 2000/2001 a 2004 (revisão das diretrizes de 2002).
Revisão sistemática de 2007 (Cochrane Library), incluindo 5 estudos,
avaliou que a antibioticoprofilaxia intraparto reduziu as taxas de
colonização por EGB e de infecção neonatal precoce, porém não teve
impacto sobre a mortalidade neonatal.
Revisão sistemática de 2007 (Cochrane Library), incluindo 5 estudos
(2190 RNs pré-termo e termo), avaliou que o uso de solução de
clorexidina para desinfecção vaginal durante o TP resultou em redução
significativa da colonização vaginal por EGB, porém não teve impacto
sobre as taxas de infecção neonatal e mortalidade, sendo seu uso,
portanto, não recomendado.
Revisão sistemática de 2007 (Cochrane Library), incluindo 3 estudos
(3012 participantes), concluiu que o uso de solução de clorexidina
para desinfecção vaginal durante o TP não preveniu infecções materna
e neonatal (excluindo o EGB e o HIV).

Profilaxia em quem?

A primeira estratégia proposta e adotada internacionalmente foi o uso
de fatores de risco (presença de pelo menos um) para classificar o
caso: parto pré-termo (< 37 semanas), mesmo com bolsa íntegra, febre
inexplicável durante o trabalho de parto (TP), bolsa rota por mais de
18 horas antes do parto, antecedente de bebê anterior acometido por
EGB e infecção urinária por EGB na gestação atual.
Em 1996, o CDC propunha o uso de duas estratégias: fatores de risco
no TP (descritos acima) ou triagem pré-natal (cultura positiva para
EGB em material colhido de intróito vaginal e retal entre 35 e 37
semanas de gestação).
Na publicação de 2002, o CDC decidiu pela exclusão da primeira
estratégia (fatores de risco no TP), pois metade dos casos de sepse
precoce ocorria sem fatores de risco e se conseguia melhor adesão à
profilaxia pelos profissionais quando o resultado da cultura era
disponível.
Outro argumento para a exclusão da primeira estratégia foi o de
reduzir o uso de antibiótico desnecessário em mulheres não
colonizadas (pensando no risco de anafilaxia e no desenvolvimento de
bactérias resistentes à penicilina), o que na prática não acontece.
Observou-se que as diferentes estratégias não diferiram quanto ao
percentual estimado de uso do antibiótico intraparto.
*anafilaxia. (cs) [De an(a)- + -filax- + -ia1.] Substantivo feminino
1.Imun. Reação imunológica que ocorre em indivíduo sensibilizado por
exposição a antígeno específico, e que resulta, clinicamente, em
urticária, prurido, angioedema, colapso vascular, estado de choque e
disfunção respiratória freqüente e, eventualmente, letal.
No Brasil não há muito consenso sobre o tema, sendo que no Projeto
Diretrizes da Associação Médica Brasileira (AMB) de 2003, sugere-se a
realização de cultura no terceiro trimestre se houver fatores de
risco, proposta diferente das que constam na literatura
internacional. Problemas: custo da triagem pré-natal com culturas na
rede pública de assistência; preparo dos laboratórios nacionais
públicos ou privados para atender à demanda; padronização adequada
dos sítios de coleta; normatização das características do meio de
cultura.

A revisão do Guia para Prevenção de Infecção Neonatal por EGB de
2002 (Prevention of Perinatal Group B Streptococcus Disease – Revised
Guidelines from CDC) elaborou recomendações baseadas na metodologia
da Medicina Baseada em Evidências (MBE):

a) A equipe multiprofissional que atende a gestante e o recém-nascido
deve adotar estratégias para prevenção de infecção pelo EGB baseadas
na PESQUISA DE gestantes colonizadas. A indicação de
antibioticoprofilaxia baseada no risco não é mais uma alternativa
aceitável, exceto nas circunstâncias em que os resultados das
culturas não estão disponíveis durante o parto (AII – Intensamente
recomendado: há forte evidência de sua eficácia e benefício clínico /
Ensaio clínico sem randomização, estudo de coorte ou caso controle,
resultado importante de estudo não controlado ou evidência a partir
de experimentos laboratoriais);

b) Realizar coleta retal e vaginal de todas as gestantes entre a 35ª
e 37ª semana de gestação (AII);

c) Realizar antibioticoprofilaxia intraparto no momento da ruptura
das membranas em todas as gestantes portadoras de EGB. A colonização
em gestação anterior não é indicação para antibioticoprofilaxia nas
gestações posteriores, exceto se a colonização persistir (AII);

d) Indicar a antibioticoprofilaxia quando o EGB for identificado na
urina da gestante, não sendo necessária a realização da pesquisa de
portadoras nestes casos. As infecções do trato urinário, sintomáticas
ou assintomáticas, por EGB devem ser tratadas durante a gestação
(BII – Genericamente recomendado: evidência forte ou moderada, mas o
benefício clínico é apenas limitado / Ensaio clínico sem
randomização, estudo de coorte ou caso controle, resultado importante
de estudo não controlado ou evidência a partir de experimentos
laboratoriais);

e) Indicar profilaxia para gestantes que já tiveram recém-nascido com
infecção neonatal por EGB, não sendo necessária a pesquisa de
colonização na gestação atual (BII);

f) Indicar profilaxia quando não se conhecer no momento do parto se a
gestante é ou não portadora do EGB e apresentar um dos seguintes
fatores de risco: idade gestacional inferior a 37 semanas, ruptura de
membranas igual ou superior a 18 horas ou temperatura acima de 38ºC.
A presença destes fatores de risco em gestantes que comprovadamente
não estejam colonizadas por este agente não é indicação de profilaxia
(AII);

g) Indicar a profilaxia em casos de TP ou ruptura de membranas antes
da 37ª semana de gestação. Realizar coleta retal e vaginal antes do
início da profilaxia, suspendendo-a nos casos que a cultura for
negativa (CIII – Opcional: evidências insuficientes de sua eficácia
ou não supera suas possíveis desvantagens / Opinião de especialistas,
estudos descritivos ou recomendações de guias);

h) Coletar material com técnica adequada por coleta da vagina
inferior e do esfíncter anal, evitando a utilização de espéculo, pois
este dificulta o acesso à região da vagina a ser examinada. A taxa de
detecção do EGB pode aumentar de 22 para 27% com a coleta de ambos os
locais, do que apenas a coleta vaginal isolada. Pode-se usar um mesmo
swab para fazer a coleta vaginal seguida da anal ou pode-se usar dois
swabs separados, inoculando-os num mesmo meio de cultura (Isto porque
o sítio de isolamento – vaginal ou anal – não é importante para o
manejo clínico). Encaminhar o material em meio de transporte sem
nutrientes, identificando-o adequadamente e se a paciente tem alergia
à penicilina, para ser realizado o teste de sensibilidade à
clindamicina e à eritromicina. Inocular o material em meios
específicos de cultura e em Agar sangue. O laboratório deve informar
os resultados ao profissional de saúde que, alertando a gestante,
deve indicar antibiótico apenas no período intraparto (AII);

i) Não realizar rotineiramente a profilaxia em gestantes colonizadas
de baixo risco submetidas à cesariana antes da ruptura de membranas
(CII – Opcional: evidências insuficientes de sua eficácia ou não
supera suas possíveis desvantagens / Ensaio clínico sem randomização,
estudo de coorte ou caso controle, resultado importante de estudo não
controlado ou evidência a partir de experimentos laboratoriais);

j) Prescrever, na profilaxia intraparto, penicilina G 5 milhões de
unidades como dose de ataque e 2,5 milhões de unidades a cada 4 horas
até o parto. Como alternativa, pode ser empregada ampicilina 2g na
dose de ataque e 1g a cada 4 horas até o parto (AI – Intensamente
recomendado: há forte evidência de sua eficácia e benefício clínico /
Estudo randomizado, controlado, rigorosamente desenhado, reproduzido
por mais de um investigador independente);

k) Pesquisar durante o pré-natal alergia à penicilina e determinar se
a paciente é de alto risco para anafilaxia (reação de
hipersensibilidade imediata, angioedema ou urticária) e asma.
Prescrever cefazolina 2g como dose de ataque e 1g a cada 8 horas até
o parto para as pacientes de baixo risco para anafilaxia. Para
gestantes de alto risco para anafilaxia realizar o teste de
sensibilidade antibiótica do estreptococo à clindamicina e à
eritromicina. Caso a cepa seja sensível, utilizar clindamicina 900mg
IV a cada 8 horas até o parto ou eritromicina 500mg IV a cada 6 horas
até o parto (BIII – Genericamente recomendado: evidência forte ou
moderada, mas o benefício clínico é apenas limitado / Opinião de
especialistas, estudos descritivos ou recomendações de guias);

l) Prescrever vancomicina 1g a cada 12 horas até o parto, caso a cepa
seja resistente ou a suscetibilidade desconhecida à eritromicina ou
clindamicina e haja alto risco de anafilaxia ao uso de penicilina e
derivados (CIII);

m) Não prescrever rotineiramente antibioticoprofilaxia para o recém-
nascido quando for usado antibiótico para colonização por EGB durante
o parto (revisões sistemáticas recentes apóiam essa recomendação).
Entretanto, se o recém-nascido apresentar sinais suspeitos de
infecção, deve ser realizado o tratamento (CIII).
Chances de uma gestante de baixo risco colonizada por EGB:
1/200 (0,5%) de bebê com infecção por EGB se não receber antibiótico
1/400 (0,25%) de bebê com infecção por EGB se receber antibiótico
6/100 (6%) de óbito entre os bebês que desenvolvem infecção por EGB
6% de 0,5% significa dizer que 3/10000 (0,03%) de bebês nascidos de
mães EGB positivas que não receberam antibióticos morrerão da infecção
1/10000 (0,01%) de reação alérgica grave à penicilina (anafilaxia) -
que se não tratada, significa óbito para mãe e bebê
1/10 (10%) de reação alérgica leve à penicilina

Desta maneira, o CDC estima que “salvamos” 2/10000 (0,02%) de bebês
administrando antibiótico durante o TP
Nestes cálculos não se pensa na porcentagem de bebês que pode morrer
em decorrência de cepas de bactérias resistentes aos antibióticos, o
que pode acontecer com freqüência cada vez maior pelo uso excessivo
de profilaxia por antibióticos.
Questões para reflexão / discussão:

A cultura negativa para EGB não garante um bebê saudável. Uma mulher
pode ter a cultura negativa em uma semana, e positivar na semana
seguinte (sem contar com a possibilidade de falso-negativo!). Então,
mesmo com a cultura, não dá para saber definitivamente quais mulheres
estarão colonizadas pelo EGB no momento do parto. O CDC alerta quanto
ao fato de que a cultura realizada até 4 semanas antes do parto tem
maior sensibilidade para identificar a colonização materna no momento
do nascimento, e caso o parto não ocorra neste período, a cultura
deve ser repetida.
A antibioticoprofilaxia na mãe pode favorecer queda da imunidade em
curto prazo e alergias no bebê a médio/longo prazo?
Existem tratamentos alternativos ao antibiótico, como alho,
echinacea, própolis, golden seal, prata coloidal, vitamina C, zinco,
bioflavonóides.

Qual a efetividade e segurança?

Custos da triagem com cultura em massa na rede pública.
Possibilidade de surgimento de cepas de EGB resistentes à penicilina
com o uso excessivo da antibioticoprofilaxia, e suas repercussões.
Vacinas para EGB estão em fase I e II de ensaios clínicos -
esse “bombardeio” sobre essas questões do EGB não poderia estar
relacionado com estratégia de marketing da indústria farmacêutica?
Controvérsia de conduta entre EUA e Reino Unido (e Europa de maneira
geral): os EUA adotam as diretrizes do CDC de 2002 (triagem pré-natal
com cultura); e no Reino Unido, seguindo as diretrizes do Royal
College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) de 2003, não se
adota triagem antenatal de rotina (baseado em cultura ou fatores de
risco), porém se admite antibioticoprofilaxia diante da presença de
fatores de risco (pelo menos 2), incluindo cultura “incidental”
positiva de vagina ou urina, e presença de infecção neonatal por EGB
na gestação anterior.
Canadá segue as diretrizes sugeridas em 2001 pelo Canadian Task Force
on Preventative Health Care: triagem bacteriológica antenatal de
rotina, e antibioticoprofilaxia para as portadoras do EGB que também
apresentem um fator de risco clínico (com essa recomendação houve
redução de 51% da taxa de infecção neonatal precoce por EGB).

Por que a falta de consenso? Qual a conduta mais sensata?

Muitas parteiras/obstetrizes fora do Brasil descrevem que estão
substituindo o antibiótico IV pelo oral com sucesso (apesar de não
ser recomendado por nenhuma organização médica, pela baixa
efetividade). E elas estão fazendo isso por uma série de
justificativas: dose excessiva pela via IV; o antibiótico IV pode
dificultar que a mulher fique de pé, caminhe e mantenha um parto
realmente ativo; e as portadoras do EGB, principalmente as
multíparas, podem não receber uma dose “cheia” do antibiótico no
momento do parto se não forem logo ao hospital ou se o parto for
muito rápido. As parteiras questionam e discutem que o real motivo da
não recomendação de antibiótico oral pelas organizações médicas não é
a baixa efetividade, e sim o poder da tutela médica à medida que ao
insistirem na profilaxia IV, os médicos têm o controle do processo
natural do parto, e o guardam como evento estritamente hospitalar.
Histórico: anos 1970 Baker CJ, Barrett FF, Gordon RC, Yow MD. Suppurative meningitis due to streptococci of Lancefield group B: a study of 33 infants. JPediatr. 1973;82:724-729.

Importância: é a mais importante causa infecciosa de morbidade e
mortalidade neonatal.
Mortalidade neonatal:
1970s – >50%
1980s – 15% – 25%
1990s – <10% (incidência de 1,8 – 4/1000 nascidos vivos)
Schuchat A. Group B Streptococcus. Lancet. 1999;353:51-56.
1990s – <5% (incidência de 0,14 – 1,3/1000 nascidos vivos)
Centers for Disease Control and Prevention. Decreasing incidence of
perinatal group B streptococcal disease — United States, 1993-1995.
MMWR. 1997;46:473-477.

Factor SH, Whitney CG, Zywicki SS, Schuchat A. Effects of hospital
policies based on 1996 group B streptococcal disease consensus
guidelines. Obstet Gynecol. 2000;95:377-382.
Brozanski BS, Jones JG, Krohn MA, Sweet RL. Effect of a screening-
based prevention policy on prevalence of early-onset group B
streptococcal sepsis. Obstet Gynecol. 2000;95:496-501.

Factor SH, Levine OS, Nassar A, et al. Impact of a risk-based
prevention policy on neonatal group B streptococcal disease. Am J
Obstet Gynecol. 1998;179:1568-1571.

Prevalência de colonização em várias populações: <5% a >40%
Schuchat A, Wenger JD. Epidemiology of group B streptococcal disease:
risk factors, prevention STRATEGIES, and vaccine development.
Epidemiol Rev. 1994;16:374-402.

Fatores que elevam a probabilidade do desenvolvimento de sintomas em
mães: importante colonização do trato urinário, ruptura das membranas
>6 h, monitorização interna >12 h e >6 toques vaginais intraparto.
Yancey MK, Duff P, Clark P, et al. Peripartum infection associated
with vaginal group B streptococcal COLONIZATION. Obstet Gynecol.
1994;84: 816-819.

Fatores de risco para o desenvolvimento da doença em neonatos: baixa
concentração sérica materna de anticorpos contra os antígenos
capsulares do EGB e DIABETES materno.
ACOG Technical Bulletin Number 170 — July 1992. Group B
streptococcal infections in pregnancy. Int J Gynaecol Obstet.
1993;42:55-59.

Fonte: Aqui

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Semana Nacional de incentivo ao Sling

De 05 a 11 de Outubro foi a semana nacional de incentivo ao uso do Sling.

E convidada pela Tati, da Mamy Mamy, fui dar uma mãozinha na organização das coisas, ela queria mesmo fazer barulho por aqui...e fez!!
E então nasceu uma parceria maravilhosa...todas mulheres, todas com sede de mudança, de viver a maternidade intensamente, de cuidar de suas crias, mas também de mostrar suas vozes...seus trabalhos!

Enfim...mulheres que se uniram para mostrar a importância da maternidade com apego e que juntas, e partilhando dúvidas, vivências e informações conseguimos realizar um evento divertido e que levou informação para quem tem sede dela! :) Foi muito legal!
Foi um prazer trabalhar com todas vocês! Trabalhar não né...afinal dizem que "Quem faz o que gosta não trabalha" kkk e foi pura diversão!!

Começamos com um piquenique...foi lindo!! Particularmente, meu dia preferido! E mais uma vez minha fotógrafa preferida, a Drika esteve por lá (kkk Ela sabe mesmo que é!).
Participou de todos os dias, tirou fotos lindas e no final fez uma exposição com algumas delas!
Tivemos também aula de Shantala com a Carol do "Mamastê", foi maravilhoso, todo mundo se divertiu muito, mães e bebês adoraram!

A Samantha da "Cereja caramelada" esteve com a gente, e expôs suas criações, uma mais linda que a outra como SEMPRE!! Depois contamos com a participação da Bianca, nutricionista do "Nutrindo a vida", com uma palestra sobre "Alimentação saudável para bebês e crianças pequenas", aprendemos bastante...e estou começando (devagar devagarinho, rss) a colocar em prática!

Para mim foi uma oportunidade deliciosa!! Obrigada pela parceria e convite meninas! E aqui estão algumas fotos! Beijokas!!



















O parto mais científico costuma ser o menos tecnológico (parte 2)

(c) 2012 Alice Dreger, conforme publicado originalmente em TheAtlantic.com
Então por que será que, passada mais de uma década, em que as evidências continuam favorecendo um tipo de assistência baixo em intervenções durante gestações e partos de baixo risco, nós praticamente não avançamos na busca por partos mais científicos nos Estados Unidos?
Fiz essa pergunta a alguns acadêmicos que se debruçam sobre essa questão. Uma delas, Libby Bogdan-Lovis, do Centro de Ética e Humanas nas Ciências da Vida da Universidade Michigan State, por acaso também foi minha doula. (Dei sorte.) Libby comentou que uma grande parte do problema é a forma como o parto é concebido nos Estados Unidos – como “perigoso, arriscado, e que precisa ser controlado para garantir um bom desfecho”.
Libby acrescenta que limitações institucionais contribuem para o problema: “As seguradoras geralmente cobrem parto hospitalar, não domiciliar, elas estão mais inclinadas a remunerar médicos do que parteiras, bonificam médicos e enfermeiras obstétricas hospitalares quando fazem algo (e não quando deixam de fazer algo), e a abordagem do sistema de saúde com relação ao gerenciamento de risco apoia aqueles que demostraram fazer todo o possível em se tratando de intervenções”. Tudo isso apesar do fato que “tentativas de controlar o parto estão sujeitas a riscos iatrogênicos reais e comumente resultam em uma cascata de intervenções”, comenta Libby.
Raymond De Vries, um sociólogo do Centro de Bioética e Ciências Sociais em Medicina da Universidade de Michigan, comparou o parto nos EUA com o parto na Holanda, onde atua atualmente como professor visitante na Universidade de Maastricht. Ele percebe que, nos EUA, “os obstetras são os especialistas e os especialistas passaram a enxergar o parto como perigoso e assustador”. De Vries sugere que a organização dos cuidados maternos em seu país – “as escolhas limitadas que as mulheres americanas têm para dar à luz a seus bebês, o que não lhes é dito sobre o perigo de intervir no parto, e o mau uso da ciência para defender as novas tecnologias no parto” – na verdade constitui um problema ético, embora não o reconheçamos como tal. Especialistas em ética médica “preferem estudar os problemas [relativamente raros] da fertilização in vitro e do diagnóstico genético pré-implantação a olhar para as questões cotidianas referentes à organização do parto aqui nos EUA; eles preferem falar sobre a preservação das ‘escolhas’ das mulheres ao invés de explorar como essas escolhas são dobradas pela cultura”.
Quanta verdade. Especialistas em ética adoram falar sobre as escolhas das mulheres com relação ao parto como se as escolhas fossem informadas e autônomas, mas não sou capaz de contar quantas mulheres me disseram que “escolheram” analgesia durante o parto mesmo quando nunca foram informadas sobre os riscos da analgesia, nunca ouviram ninguém expressar confiança em sua habilidade de parir sem medicamentos, e  nunca foram oferecidas uma doula para orientá-las e apoiá-las no momento da dor. Que tipo de “escolha” é essa? Como me disse a Libby Bogdan-Lovis: “A típica gestante de hoje acha que a noção de um parto sem medicamentos [analgesia] equivale a sugerir que as mulheres deveriam ficar felizes em aceitar a tortura”.
De todas as escolhas que eu fiz, acho que a que mais chocou os meus contemporâneos foi a decisão de não fazer uma ultra. Acontece que apenas alguns anos antes de eu engravidar,  um importante estudo norte-americano – envolvendo mais de 15 mil gestações – publicado no New England Journal of Medicine demonstrou que ultrassonografias de rotina não contribuíam para melhorar a saúde dos bebês. O trabalho foi conduzido por Bernard Ewigman, atual chefe do departamento de medicina de família do Sistema de Saúde Universitária de NorthShore e da Universidade de Chicago.
Recentemente liguei para o dr. Ewigman e lhe perguntei por que tantas gestações de baixo risco hoje incluem ultrassonografias de rotina. Ele acredita que, em parte, é emocional – as pessoas gostam de “ver” seus bebês – e em parte tem a ver com a crença infundada de que saber algo necessariamente resulta em desfechos melhores comparado a não saber. Mas ele concordou que ultrassonografias de rotina no pré-natal, para gestações de baixo risco (ou seja, em gestações em que não surgiram problemas), não aparentam ser fundamentadas pela ciência, se o desfecho desejado é reduzir doenças e morte em mães e crianças. Ultrassonografias de rotina não parecem ser perigosas, mas também não propiciam a saúde.
O dr. Ewigman me disse o seguinte: “A abordagem que você escolheu dar à sua gravidez foi racional e bem informada. Mas grande parte das decisões de cunho médico envolvendo a gestante ou o bebê não é bem informada nem baseada em pensamentos racionais”. E ainda acrescentou: “Todos estamos muito interessados em ter bebês saudáveis e é bastante fácil cometer o tipo de erro cognitivo que as pessoas cometem, e atribuir à tecnologia benefícios que não existem. Ao mesmo tempo, quando surgem problemas durante a gravidez, aquela mesma tecnologia pode salvar vidas. É fácil fazer o [problemático] salto [mental] de que a tecnologia sempre será necessária para um bom desfecho”.
Nós conversamos também sobre como algumas pessoas auferem uma falsa sensação de certeza com as ultras, achando que o bebê nascerá em perfeita saúde caso o médico não veja nada fora do comum ali. Expliquei que essa foi uma das razões pela qual abri mão das ultrassonografias; com base nas minhas próprias pesquisas sobre anomalias congênitas, eu sabia o quanto as ultras enganam. O dr. Ewigman observou que nossa cultura tem “um verdadeiro fascínio pela tecnologia, e também temos um forte desejo de negar a morte. E os aspectos tecnológicos da medicina se vendem muito bem nesse tipo de cultura”. Ao passo que uma abordagem aos cuidados médicos com poucas intervenções – não importa quão científica ela seja – não.
Em se tratando de escolhas no parto, eu não me oponho a levar em consideração os tipos de desfechos difíceis de mensurar que podem ser de grande valor para algumas gestantes. Eu entendo que há mulheres que não querem um chá de bebê como o meu, em que os presentes em sua maioria eram roupinhas amarelas e verdes, em vez de azuis e cor-de-rosa. Entendo que tem gente que quer aquelas imagens difusas do bebê dentro de seu útero. Eu entendo que algumas podem optar por um aborto caso a ultra revele uma grande anomalia.
E eu entendo que algumas mulheres querem uma experiência particular de parto – quero dizer, eu realmente entendo isso, agora que tive um parto que me fez sentir mais poderosa, mais humilde, mais focada e mais apaixonada pelo meu amado do que eu jamais imaginara.
Mas eu gostaria que as mulheres americanas ouvissem a verdade sobre o parto – a verdade sobre os seus corpos, suas habilidades, e os perigos por trás da tecnologia. Acima de tudo, gostaria que todas as grávidas escutassem o que Libby Bogdan-Lovis, minha doula, disse para mim: “Parir um bebê requer a mesma entrega de controle que o sexo – abandonar-se para a sensação avassaladora e fazê-lo num ambiente em que há proteção e apoio”. Quem dera que mais mulheres soubessem o quão sensual um parto científico pode ser.

O parto mais científico costuma ser o menos tecnológico (parte 1)

Por que tantas mulheres letradas e inteligentes estão escolhendo dar à luz de forma mais natural, defendendo o tal “parto humanizado”? É sensato (ou científico) abrir mão do hospital chique com hotelaria CINCO ESTRELAS e o médico “de confiança” para ser assistida por uma parteira (enfermeira obstétrica ou obstetriz), em casa ou num centro de parto normal, considerando todo o conforto que a tecnologia nos oferece? Afinal, se a medicina e a ciência evoluíram tanto, salvando hoje muito mais vidas do que no passado, por que não usufruir da tecnologia também no parto e nascimento?


Essas são perguntas que permeiam o imaginário das pessoas que deparam com as escolhas não convencionais de amigas ou parentes e também de quem está adentrando o universo do parto humanizado (por gravidez, planos de iniciar uma família ou por mera afinidade com o tema).

É para vocês que resolvi traduzir o maravilhoso artigo da  Alice Dreger, professora do Programa de Bioética e Humanas Médicas [em inglês, Medical Humanities, uma área interdisciplinar que envolve ciências humanas e artes, e como aplicar esses saberes na prática da medicina] da Faculdade de Medicina da Universidade Northwestern, publicado originalmente no The Atlantic, em março de 2012. Através de sua história pessoal e de sua bagagem teórica, ela consegue resumir com franqueza e lucidez as razões por trás de suas escolhas “não ortodoxas” (especialmente considerando o seu cargo de professora de um departamento de medicina!). Recomendo também uma visita a seu site (http://alicedreger.com/home.html), onde ela discute vários outros assuntos relacionados a bioética, gênero e evidências científicas aplicadas à pratica da medicina. Sem mais, o artigo:

O parto mais científico costuma ser o parto menos tecnológico
(c) 2012 Alice Dreger, conforme publicado originalmente em TheAtlantic.com

Quando peço para meus alunos de medicina descreverem como eles imaginam uma mulher que escolhe uma parteira ao invés de uma obstetra para acompanhar seu parto, em geral eles descrevem uma mulher que usa saias compridas de algodão, tem tranças no cabelo, come alimentos orgânicos veganos, pratica yoga e dirige uma kombi. O que não imaginam é a cientista onívora, de calça comprida, bem diante de seus olhos.

Aliás, eles ficam completamente perdidos quando explico que na verdade só existe uma razão pela qual eu e MEU COMPANHEIRO – médico (clínico) e professor universitário – optamos por deixar de lado nosso obstetra e passar a nos consultar com uma parteira: podíamos confiar na capacidade da parteira de ser científica, mas não na do nosso obstetra.

Muitos alunos de medicina, como a maioria dos pacientes americanos, confundem ciência e tecnologia. Acham que ser um médico científico significa fazer uso do máximo de tecnologia em cada paciente. E isso os torna perigosos. De fato, se você for olhar estudos científicos sobre parto, você verá estudo após estudo mostrando que muitas intervenções tecnológicas aumentam os riscos para mães e bebês em vez de diminuí-los.

E no entanto a maioria das parturientes parece desconhecer esse fato, mesmo que os seus obstetras estejam cientes. Paradoxalmente, essas mulheres parecem querer o mesmo que eu queria: um desfecho seguro para mãe e filho. Mas parece que ninguém diz a elas qual o melhor caminho para chegar até isso, segundo o que indicam os dados científicos. A amiga que ousa oferecer meia taça de vinho é tida quase como uma criminosa, uma ameaça ao bem estar do outro, enquanto o obstetra que oferece procedimentos desnecessários e arriscados é considerado um herói.

Quando engravidei em 2000, eu e o meu parceiro consultamos a literatura médica científica para descobrir como maximizar a segurança para mim e para nosso filho. Eis o que descobrimos com os estudos disponíveis: eu deveria caminhar bastante durante a gravidez, e também durante o trabalho de parto; caminhar diminuiria a duração e a dor do parto. Durante a gestação, eu deveria fazer check-ups frequentes para checar meu peso, minha urina, minha pressão arterial e o crescimento da minha barriga, mas deveria evitar exames de toque. Não deveria me preocupar em fazer um ultrassom se a minha gravidez continuasse de baixo risco, pois o exame teria pouquíssimas chances de melhorar a minha saúde ou a saúde do bebê, e poderia muito bem acarretar em outros exames e testes que aumentariam os riscos para nós, sem nos trazer benefícios.

De acordo com os melhores estudos disponíveis, em se tratando do momento do parto no fim da minha gravidez de baixo risco, eu não deveria fazer uma indução, nem uma episiotomia, nem receber monitoração contínua dos batimentos cardíacos fetais durante o trabalho de parto, e certamente não deveria fazer uma cesárea. Eu deveria parir numa posição de cócoras e eu deveria ter uma doula – uma profissional que dá apoio durante o parto. (Estudos mostram que as doulas são surpreendentemente eficazes em diminuir riscos; fazem isso tão bem que um obstetra chegou a dizer que se a doula fosse um medicamento, seria ilegal não prescrevê-la para todas as gestantes).

Em outras palavras, se os exames regulares e “low-tech” continuassem a indicar que minha gravidez transcorreria de forma desinteressante do ponto de vista médico, e se eu quisesse cientificamente maximizar a segurança, eu deveria parir basicamente como fizeram as minhas bisavós: com a atenção de duas mulheres experientes, que passariam a maior parte do tempo esperando, enquanto eu fizesse o trabalho. (Há uma razão para chamarem isso de trabalho de parto.) A única diferença realmente notável seria que a minha parteira usaria um monitor cardíaco fetal (ou doppler) de forma intermitente – de vez em quando – para garantir que o bebê estivesse bem.

Meu obstetra e sua equipe deixaram claro que eles ficariam um tanto desconfortáveis com esse tipo de parto “das antigas”. Então nós fomos embora e passamos a tratar com uma parteira que se comprometia a ser muito mais moderna. E o parto que eu tive foi basicamente como descrevi. Sim, foi doloroso, mas minha doula e a parteira haviam me preparado mentalmente para isso, me assegurando que esse tipo particular de dor não precisava resultar em medo ou prejuizo.

Acabou que tivemos uma única intervenção tecnológica: como havia mecônio no líquido (o que significa que meu bebê defecou no útero), a parteira me explicou que logo após o nascimento, os pediatras o pegariam imediatamente para aspirar suas vias aéreas (sua traqueia). O intuito era para prevenir a pneumonia. Foi feito isso. Três meses mais tarde, no café da manhã, meu marido me apresentou os resultados de um estudo controlado randomizado que acabara de sair: mostrava que bebês nessa situação que só tiveram suas bocas aspiradas (e não suas traqueias) apresentaram índices mais baixo de pneumonia comparado a bebês que receberam esse procedimento de aspiração nas traqueias.  Mais uma intervenção que no fim das contas não vale a pena.

Então por que será que, passada mais de uma década, em que as evidências continuam favorecendo um tipo de assistência baixo em intervenções durante gestações e partos de baixo risco, nós praticamente não avançamos na busca por partos mais científicos nos Estados Unidos?

[continua... Veja a Parte 2]

Fonte: Aqui

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

As necessidades básicas da parturiente.

Algumas condições externas que devem ser respeitadas para o bom procedimento de
um parto ativo.

Um parto normal acontece sozinho, guiado pelo próprio corpo. Rompimento da bolsa, dilatações, contrações são ações involuntárias do corpo, que acontecem devido a informações enviadas pelo cérebro. E como o cérebro envia informações ao corpo? Através dos hormônios.

O trabalho, portanto, pode ser compreendido fisiologicamente como uma cadeia sutil de hormônios, que vão acionando um ao outro e conduzindo ao parto/nascimento. Quem comanda todo esse processo é a estrutura primitiva do cérebro, chamada de “sistema límbico” e composta pelo hipotálamo e hipófise. São as estruturas que temos em comum com os cérebros de todos os outros mamíferos. Durante o trabalho de parto, como em qualquer outra experiência sexual, as inibições que podem acontecer no processo provêm da outra parte do cérebro, a mais moderna, denominada córtex ou neo-córtex. Muito desenvolvida nos seres humanos, essa parte do cérebro correspondente a atividade intelectual e racional.

O obstetra Michel Odent identificou fatores que estimulam a atividade do neo-cortex, e que devem ser evitadas para permitir que o cérebro primitivo funcione sem impedimentos e assim favorecer o trabalho de parto. Essas são necessidades básicas muito simples, mas fundamental que sejam respeitadas. São elas:


LUZ: luzes fortes estimulam o neo-cortex, e isso é já bem claro aos técnicos que realizam eletro encefalogramas. Um parto que ocorre na penumbra, portanto, tende a ser facilitado.
LINGUAGEM: A linguagem racional é um processo intelectual comandado pelo neo-córtex. Portanto, perguntar à mulher durante o trabalho de parto qual é o seu número de telefone ou a que horas fez xixi, por exemplo, obriga que ela raciocine, acionando o neo-cortex e consequentemente atrapalhando a ação do cérebro primitivo e o trabalho de parto. Melhor não recorrer à linguagem verbal a uma mulher em trabalho de parto.
PRIVACIDADE: todos sabemos que quando nos sentimos observados temos a tendência de corrigir nossa postura, e isso representa acionar o neo-cortex. Quanto maior privacidade, melhor para que o trabalho de parto proceda bem. Odent inclusive chama atenção para a posição onde a parteira/ doula/ médico se encontra no momento do parto (na frente ou atrás da mulher), e para as fotografias e filmagens nesse momento.
NECESSIDADE DE SENTIR-SE SEGURO: A adrenalina aciona um estado de alerta que inibe a liberação dos hormônios necessários ao parto. Todas as situações em que a mulher se sente em risco liberam adrenalina vão dificultar o parto. A presença de pessoas com quem a mulher se sinta segura, portanto, é fundamental para facilitar o trabalho.
FOME E ADRENALINA: O medo faz aumentar o nível de adrenalina, mas a fome também. Depois de comer todos ficamos mais calmos. A TEMPERATURA também influencia na taxa de adrenalina: um ambiente frio tende a aumentar a taxa de adrenalina. A mulher em trabalho pode comer se sentir necessidade, e os que estão acompanhando o parto devem cuidar para que o ambiente esteja bem aquecido.
Um parto ativo será beneficiado se essas necessidades básicas da parturiente forem respeitadas.
É importante lembrar que o cérebro reconhece apenas os hormônios produzidos pelo próprio corpo. Hormônios sintéticos não produzem os mesmos efeitos, e podem atrapalhar a delicada seqüência entre eles.


Fonte: Aqui  Imagem: Pinterest

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A importância do Vérnix: Proteção ou Sujeira?

A vérnix caseosa é um material gorduroso branco, que é formado pelo acúmulo de secreção das glândulas sebáceas e inclui células epiteliais e lanugem, que recobrem a pele ao nascimento.  
Esse material pode estar presente sob a forma de uma camada muito fina ou muito espessa e que normalmente desaparece sozinho em torno de 24 horas.


Durante a vida intrauterina, o vérnix protege a pele do bebê impermeabilizando e fazendo uma barreira contra ações bacterianas. Após o nascimento ele continua proporcionando proteção ao bebê portanto exceto em situações específicas, ele NÃO deve ser retirado. 

A manutenção da barreira protetora da pele logo após o nascimento é de fundamental importância para uma boa adaptação extra-uterina, como também para uma boa termorregulação. Alguns profissionais tratam o vérnix como se fosse "sujeira" de parto e acreditam que o banho na primeira hora de vida deixam o bebê "mais limpinho e cheiroso" quando na verdade não é isso que acontece! 


Este material protetor já atuava antes mesmo do nascimento, protegendo o feto contra possíveis microrganismos presentes no líquido amniótico. Após o nascimento, ele continua protegendo a pele, porém, após as 24 horas de vida sua remoção é recomendada para evitar infecções e alergias causadas pela alta umidade. Em alguns casos, sua remoção deve ser realizada logo após o nascimento, como é o caso de crianças filhas de mães com HIV, historia de infecções prévias e perinatais, e também 
em casos de líquido amniótico meconial ou fétido. Nestes casos devemos analisar a relação risco x benefício.


Caso contrário o vérnix NÃO precisa ser retirado!!!

Vérnix NÃO é sujeira...é PROTEÇÃO!!!!



Imagens: Pinterest

sábado, 20 de setembro de 2014

Relato de Parto da Cris - Nascimento da Arielly


"Eu não poderia começar esse relato sem falar sobre o nascimento da minha primeira filha Camilly, em 2006. Com 42 semanas de gestação, após 12 hs de trabalho de parto, normal de cócoras, porém cheio de intervenções, procedimentos desnecessários comigo no trabalho de parto e com ela assim que nasceu. Eu me sentia realizada ao me tornar mãe, ao pegar no colo um ser tão indefeso, uma bebezinha linda e perfeita, a minha filha! E eu era tão nova, aquilo tudo era novo demais para mim... Porém algo me dizia que poderia ter sido diferente, só não sabia como.
A relação com o pai dela nunca deu certo e logo nos separamos.
Tempo depois o destino colocou em minha vida o Gabriel, um homem com todas as qualidades que eu esperava encontrar em alguém, nos apaixonamos, casamos, e após 4 anos resolvemos ficar grávidos!

Assim que engravidei comecei a pesquisar sobre parto natural, vi muitos e muitos vídeos, li inúmeros relatos, assisti o filme : O Renascimento do Parto e pronto! Decidi que dessa vez seria diferente! Peguei uma cópia de um plano de parto na Internet, mas não fazia ideia de como iria usa-lo. Até que uma amiga me falou de uma doula que ela conhecia.
Encontrei a Mariana, conversamos muito, muito mesmo, amei a forma como ela me encorajava a ficar firme e então eu decidi que iria brigar com o sistema para ter um parto respeitado da forma como eu queria de acordo com as condições e pelo SUS, sem obstetra escolhido, pegaria o plantão e boa!
Montamos um plano de parto com todas as minhas vontades. Tudo certo! Era o empoderamento para que minha segunda filha tivesse um nascimento mais respeitado.

Minha gestação foi longa e para desespero de muita gente ultrapassou as 40 semanas, assim como a primeira. Tive muitos e muitos pródromos, alarmes falsos de deixar a Mari louca, rsss.
No dia 23/05/2014 com 41 semanas e 1 dia, acordei com um pequeno sangramento. A tarde fui ao médico que estava acompanhando minha gravidez, ele examinou, e estava tudo bem, o sangue era o meu colo começando a dilatar. O parto se aproximava. Fui para casa ansiosa, mas tranquila pois eu sabia que ainda poderia demorar mais alguns dias.

O Gabriel (meu marido) trabalha no período noturno e nas últimas semanas antes de sair, ele sempre dizia: "me liga se sentir qualquer coisa", e nesse dia ele não disse nada! Fui me deitar e fiz o que fazia quase todos os dias antes de dormir, peguei o celular e filmei minha barriga mexendo, fazendo ondas, adorava ficar olhando e sentindo os movimentos da minha pequena em meu ventre. Mas nesse dia ela estava muito agitada, mais do que o normal.

Fiquei então curtindo a barriga, fazendo carinho e não conseguia dormir, então as 23:50 hs comecei a sentir cólicas, fiquei deitada, e esperei. Não passavam, resolvi marcar o tempo. Estavam bem regulares. Liguei para o Gabriel e pedi para que ele viesse para casa. As dores foram ficando mais intensas. Avisei a Mari e combinamos de nos encontrar no hospital, assim que as dores aumentassem mais, enquanto isso eu iria avisando ela como as coisas estavam.

Fiquei umas 2 horas no chuveiro, me arrumei, acordei minha filha, , e me despedi longamente dela, emocionada, e ela sonolenta sem saber direito se era verdade que a irmâzinha tão esperada iria nascer, e então o Gabriel a levou para a casa dos meus pais.
As contrações estavam vindo a cada 5 minutos. Comi chocolate, e fiquei deitada no colo do Gabriel, recebendo carinho. Quando as dores ficaram mais fortes, eu já não conseguia mais ficar parada, andava de um lado para o outro.
As 5:30 hs achamos que era melhor ir para o hospital, pois tínhamos que pegar estrada até lá, por ficar em Botucatu e nós moramos em São Manuel.
Encontramos com a Mari na recepção, e eu ja estava tendo que parar a cada contração e abaixar para buscar algum alívio.
As 07:30 o exame de toque revelou que meu colo tinha dilatado quase 5 cm, fizemos a internação e eu imaginei que meu parto seria rápido.


No quarto muita conversa, risos, chocolate, chuveiro, exercícios na bola, anda, senta, levanta, massagem, mimos e carinhos da doula e do marido. E as 14 hs após uma nova avaliação, a dilatação ainda era a mesma. Meu trabalho de parto estava travado, porém fiquei firme e forte. Eu sabia que podia aguentar!
No chuveiro eu viajava para outra dimensão, ter a Mari ao meu lado me encorajando era fundamental para esquecer do mundo e mergulhar nas sensações.


Ver a forma carinhosa com que o Gabriel me olhava, me trazia calma, tê-lo ao meu lado o tempo todo me deixava tranquila para me entregar de corpo e alma à cada contração. Seus abraços me davam força para aguentar a dor. Sim, dói! Dói muito, mas não é uma dor que se possa explicar, dar exemplos, definir. É uma dor louca, muito forte e intensa, mas que desaparece por completo entre uma contração e outra. Uma dor que traz a vida, a cada contração eu estava mais perto de pegar minha filha nos braços.


Essa menininha foi teimosa pra nascer, não queria encaixar de jeito nenhum, estava quentinha e feliz, porque iria querer sair? Já fazia muitas horas que eu estava em trabalho de parto e ela ainda estava alta, nada de encaixar. Fomos até a sala de pré parto para que eu tentasse outros exercícios e posições para ajudar a dilatar mais.




No ápice da dor, creio que fui para a partolândia, me lembro de poucas coisas desse momento, chorava igual criança, rezava e pedia para que ela nascesse logo, abraçava o Gabriel, abraçava a Mari, apertava as mãos deles, não sabia mais que mão era de quem. Trocava de posição a cada contração. E enfim a bolsa se rompeu.
E logo veio uma imensa vontade de fazer força, sentei no banquinho, a Mari na minha frente, o Gabriel me abraçando por trás dizendo que nossa filha estava chegando, um momento de total entrega, em que a mulher não manda em seu corpo.

Muita emoção, a mesma emoção que senti ao ver a Camilly nascendo eu sentia naquele momento vendo a Arielly nascer.
Acredito que para a mãe, ver o filho pela primeira vez é mágico, seja qual for a forma que ele nasceu. Mas parir, sim PARIR! Essa é a palavra! É algo divino, é entrega, é realização, é sentir-se mais mulher! Não é dizer que sou "mais mãe", mas sim, que sou mais MULHER! Já me sentia assim depois que a Camilly nasceu, e agora me sentia ainda mais forte ao passar pelo que passei até estar com a Arielly nos braços.


Arielly nasceu as 19:13 hs, do dia 24/05/2014 após 41 semanas e 2 dias de gestação com 3.640 kg, linda, enorme e perfeita! Após 19 horas de um trabalho de parto em que minhas vontades foram respeitadas, não fui privada de comer nem beber, tive liberdade de movimentos, e a Arielly teve seu nascimento respeitado e sem procedimentos desnecessários.
Veio para o meu colo e abocanhou meu seio e mamou tranquila e calma, como se já tivesse feito isso antes. A Mari disse que ela "nasceu criada." E nasceu mesmo, enfrentou o sistema comigo!"


Agradecimentos:
A Deus pelas bênçãos.
A minha família e amigos pelas vibrações positivas. A Camilly que rezou pela mamãe e pela "Tata".
A equipe da Unesp por respeitar o nosso momento.
E em especial à Mariana Castello Branco, por todo apoio, dedicação, paciência, carinho, incentivo e amor.
E ao amor da vida Gabriel Silva, por segurar minhas mãos, pela paciência e carinho, e principalmente por permanecer ao meu lado o tempo todo me encorajando e mostrando que o nosso amor é lindo!!!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Relato da Livia - O Nascimento de Pedro 26/10/2013.

O parto do Pedro teve inicio muito tempo antes que as contrações começassem, foi no ano de 2009 que uma pessoa muito querida me falou da experiência incrível que tinha tido ao parir na água, naquela época eu não pensava em filhos, mas aquele relato me tocou profundamente, e dentro de mim ficou a vontade de parir na água.


Alguns anos depois, no final de 2012 veio a vontade de engravidar, comecei a pesquisar na internet sobre o tal parto da água, e que surpresa! Descobri que parir, algo que eu considerava simples e natural, havia se transformado em uma linha de produção, frio, calculado, bem ao estilo fordista. Logo eu e meu marido percebemos a necessidade de encontrar profissionais que partilhassem dos mesmos ideais que a gente, o parto humanizado!

E com muita procura, um pouco de angustia pela demora, muitos telefonemas os anjos disseram amem! Veio a dupla perfeita, a médica mais incrível que já conheci e a doula mais amorosa do mundo, que alivio! Foi empatia a primeira vista.


A gravidez foi tranqüila, filhote crescendo, a mãe comendo hehehe a data do parto foi chegando. Numa sexta feira de manhã tive minha consulta semanal, tudo normal, 40 semanas e 5 dias, filhote poderia vir a qualquer momento, a gente fica numa ansiedade danada, ainda mais porque não tinha ideia de como seria a tal da contração, uma coisa tão particular de cada mulher. 

Lua mudando para minguante e as duas da madrugada senti uma cólica bem forte, logo veio outra, levanto e vou andar pela casa, a noite esta linda, estrelada, as cólicas não param, depois de uma hora ligo pra Claudinha pedindo orientações, acordo o marido que fica super assustado de já fazer uma hora que estou tendo cólicas, hora de ir pro hospital.

Chegando lá, vimos que realmente era o trabalho de parto, sentia muitas cólicas, meio sem saber o que fazer fui encaminhada para o quarto, nossa foi o pior momento, sozinha, cheia de dores. Quando a Claudinha abriu a porta e entrou sorrindo com um copo de suco, parecia um raio de sol! Logo veio meu marido, fui pro chuveiro, bola, a partolândia tinha começado.


Depois de um tempo fomos pra sala de parto, a Mari chegou. Ficamos eu, marido, Claudinha, Mari e Pedrão ali se preparando pra nascer. 

É difícil definir a dor neste momento, dói muito, senti medo, o apoio de todos foi fundamental, cada um me animava de um jeito, mantinham o clima leve, eu pensava “já vim ate aqui, vamos em frente”, e fomos indo. 

Deitava, levantava, andava, urrava, ganhava massagem, entrei e sai da banheira, no final me encontrei sentada na banqueta.

Hoje vejo como foi importante estar bem acompanhada ali neste momento, o marido completamente envolvido com o parto, praticamente pariu comigo, a Claudinha me deixando segura que tudo estava bem, a Mari me incentivando e encorajando, nossa! 

Obrigada gente, vocês foram demais!!

Com toda essa força, chegou o momento em que eu vi pelo espelhinho uma cabecinha cabeluda querendo vir ao mundo, nossa, a emoção é indescritível, é um misto da dor mais dolorida do mundo com o amor mais incrível do mundo! 


Acho que a dor é um rito de passagem, é como um transe onde quem eu era ficou pra trás e uma nova eu surgiu, mãe! Mais uma força e lá vem ele, direto nas mãos do pai e depois para mim, para o seio, para o mundo com seus olhinhos curiosos, desbravador do universo!


Depois já no quarto com ele ali no colo aprendendo a mamar já não existe dor, só um amor infinito! Muitas palavras de incentivo da Mari, juntas vimos a primeira mamada do Pedro... primeira de muitas, o seio logo se tornou seu lugar preferido aqui fora.


Hoje recordando esses momentos sinto essas duas mulheres como parte da minha vida, elas são parte de um momento impar, me deram força e coragem. 

Fiquei tão corajosa que o próximo parto espero elas em casa!!! <3

sábado, 13 de setembro de 2014

O Evento

"O Renascimento do Parto em Botucatu."


Antes mesmo do filme ser exibido nacionalmente, eu tive a oportunidade de assisti-lo em um congresso em Sorocaba. Ele foi exibido ainda inacabado, para uma platéia de pessoas informadas e envolvidas com a ideia da Humanização, médicos, enfermeiras, doulas, parteiras, gestantes, mães que puderam passar pela experiencia do parto e também estavam ali em busca de mais informação.
E logo ali, naquela primeira oportunidade de ser visto já foi sucesso absoluto! E realmente o caminho foi esse...o filme foi exibido em grande parte do território nacional , foi recorde de financiamento coletivo no Brasil, ganhou diversos prêmios pelo mundo afora...e então nosso encontro para a divulgação do filme em Botucatu foi assim...Lindo!! <3
Gostaria de Agradecer a todos que me ajudaram, direta ou indiretamente. Sem apoio o evento não teria acontecido! Obrigada!







Todas as fotos do evento AQUI!!!